Desde que Albeiro Usuriaga chegou ao Málaga em 1989, logo após conquistar a Libertadores pelo Atlético Nacional, uma legião de colombianos passou pelo Campeonato Espanhol. O centroavante potente foi o pioneiro, abrindo as portas a outros 46 compatriotas. Vários cafeteros da “geração de ouro” dos anos 90 jogaram na Península Ibérica, embora não tenham deixado marcas profundas – entre eles Valderrama, Rincón, Higuita, Mondragón, Aristizábal, Leonel Álvarez e Adolfo Valencia. O fluxo diminuiu um bocado nos anos 2000, quando Luis Amaranto Perea se estabeleceu como o colombiano mais longevo na Espanha, defendendo o Atlético de Madrid por oito anos. Já na última década, os jogadores do país voltaram a pipocar em La Liga, com o renascimento da seleção. Falcao García, Bacca e James Rodríguez foram os maiores exemplos de sucesso. Ainda assim, faltava um cafetero que envergasse a camisa do Barcelona. Tabu que se encerra com o anúncio de Yerry Mina nesta semana.

Pelo DNA do futebol colombiano e por aquilo que se prega no Barcelona, o pioneirismo de um zagueiro pode surpreender neste sentido. Independentemente disso, os blaugranas vinham cobiçando a tempos o defensor do Palmeiras. O negócio passou meses sendo dado praticamente como certo, até que fosse selado nesta quarta-feira. A transferência gira na casa dos €12 milhões e o jogador de 23 anos assina pelas próximas cinco temporadas com os catalães. Agora, seu desafio será suprir todas as expectativas, pela confiança depositada em seu futebol.

Não há muitas dúvidas que Mina foi um dos melhores zagueiros que passaram pelo futebol brasileiro nos últimos anos, assim como um dos melhores surgidos pela América do Sul. Formado pelo Deportivo Pasto, ganhou relevância quando defendeu o Independiente Santa Fe, com o qual conquistou a Copa Sul-Americana em 2015. O sucesso com os Cardinales abriu os olhos dos palmeirenses, que apostaram no defensor e receberam um dos esteios na conquista do Campeonato Brasileiro em 2016. E o jovem se valorizou ainda mais com as seguidas convocações à seleção colombiana, se tornando titular de José Pekerman em parte das Eliminatórias. As lesões sofridas no último ano, porém, atrapalharam a sua sequência.

Os predicados de Mina são notáveis. Os gols importantes que anotou pelo Palmeiras ficarão na memória dos torcedores, mas o zagueiro também se sobressaía nos aspectos defensivos. Dono de ótima estatura, se impunha bastante pelo alto. Além disso, ia bem no jogo mais físico e nos combates mano a mano. Virtudes que, no entanto, precisam de ajustes quando se imagina quais serão as cobranças que sofrerá no Barcelona.

Os erros de posicionamento, um problema constante e motivo de queixas dos alviverdes, devem ficar ainda mais evidentes com os blaugranas. Em um time que costuma dominar a posse de bola, as exposições aos contra-ataques tendem a ser maiores. A potência física dependerá de outros quesitos técnicos. Já as suas costumeiras subidas ao ataque durante a saída de bola, outra característica que se sobressai, também pode ser mais suscetível em jogos de pressão constante sobre os defensores. Mais do que se encaixar, o colombiano precisará se aprimorar.

Neste momento, Mina chega como uma opção para o elenco. Enquanto Gerard Piqué e o lesionado Samuel Umtiti são teoricamente os titulares, o colombiano vem para dividir espaço com Thomas Vermaelen – considerando que Javier Mascherano tem sua venda bastante especulada. A cobrança para que o cafetero comece jogando não deve ser grande e sua adaptação ganha um pouco mais de tranquilidade. Algo importante para que ele possa se dar bem no Camp Nou. Por sua ascensão meteórica nos diferentes clubes ou mesmo na seleção, ao menos, há um bom indicativo para que o investimento dos blaugranas logo se pague.

Além do mais, Mina oferece um perfil um tanto quanto diferente do que costuma se ver no Barcelona. É um jogador com sua dose de técnica, mas que se sobressai muito mais pela pujança física. Em tempos nos quais Paulinho ajuda a dar uma nova cara aos padrões blaugranas, o colombiano pode se dar bem neste sentido. E começar a história dos cafeteros no clube já de uma maneira positiva. Será um nome a se observar, especialmente no médio prazo.