Germany Soccer Champions League

S. Ramos e Pepe, os vilões de outras Champions que colocaram o Real na decisão

As lágrimas vieram aos olhos de Sergio Ramos tão logo a bola passou pelo travessão. O dia 25 de abril de 2012 era o mais difícil da carreira do zagueiro. O fim de um sonho do Real Madrid que já perdurava por 10 anos, e que ampliaria a agonia dos merengues por mais tempo. O espanhol desperdiçou a quinta cobrança do time na disputa contra o Bayern de Munique. Isolou o chute por cima da meta de Manuel Neuer. Eliminava os anfitriões dentro do Santiago Bernabéu lotado, impedia a conquista de La Décima, colocava os bávaros na decisão da Liga dos Campeões.

>>> O Real Madrid mostrou que estava pronto para desarmar a bomba Bayern

Um ano antes, o vilão era outro. O Barcelona de Pep Guardiola trucidou o Real Madrid dentro do mesmo Bernabéu, logo no jogo de ida. Para marcar o potente ataque adversário, José Mourinho deslocou Pepe para o meio-campo. E o beque, taxado como violento, fez jus a sua fama ao ser expulso aos 15 minutos do segundo tempo, por uma falta duríssima. Matou o time, derrotado com dois gols de Messi pouco depois do incidente. Na volta, o empate no Camp Nou era inútil ao clube da capital, que permitia que seus rivais se consagrassem mais uma vez na Champions.

Sergio Ramos e Pepe precisaram esperar anos para espantar seus fantasmas. Os líderes da defesa do Real Madrid, que tornou todos os esforços do Bayern inúteis. Sergio Ramos subiu ao ataque e abriu o caminho para a classificação do Real Madrid a sua primeira final continental após 12 anos. Acertou as redes, duas vezes, algo que não tinha conseguido no Bernabéu em 2012. Enquanto isso, Pepe primou por sua técnica como defensor. Preciso em todas as suas ações, perfeito nos desarmes. Os pilares da muralha merengue.

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No final de março, antes do jogo contra o Barcelona os jogadores do Real Madrid expressaram sua preocupação a Carlo Ancelotti. Temiam que o estilo ofensivo da equipe atrapalhasse nos grandes jogos que teriam daquele momento para frente, como já tinham sofrido antes. O treinador ouviu seus comandados, que souberam obedecê-lo. O técnico famoso pelas excelentes defesas que montou ao longo da carreira aperfeiçoou o sistema que já vinha desenvolvendo. Os merengues atacam no 4-3-3, mas defendem no 4-4-2. Duas linhas de quatro jogadores que se tornam intransponíveis com o recuo de Gareth Bale. Uma intensidade que foi do primeiro ao último minuto.

O combate começava já no campo de ataque. Quando o Bayern tomava a bola, Cristiano Ronaldo e Benzema pressionavam a troca de passes dos defensores, com o apoio de Bale e Di María pelos lados, perfeitos taticamente. Os meio-campistas seguiam dando a consistência quando os bávaros passavam pelo círculo central. Mas o destaque era mesmo a dupla de zaga, coração em meio ao concreto levantado pelo Real. Sergio Ramos e Pepe eram praticamente intransponíveis quando alguém conseguia passar pelos marcadores merengues.

Das 42 bolas afastadas pelo Real, 22 foram apenas por Pepe e Ramos

Das 42 bolas afastadas pelo Real, 22 foram apenas por Pepe e Ramos

Cinco finalizações do Bayern foram bloqueadas pela dupla de zaga. Somaram juntos sete desarmes e seis interceptações, rasgaram 22 lances de perigo de seu campo de defesa. Enquanto Sergio Ramos se destacou pelos lances ofensivos, Pepe foi cirúrgico como zagueiro. Jogador violento? Sim, em muitos momentos da carreira. Mas é um dos melhores de sua posição na temporada apenas pela técnica apuradíssima que vem demonstrando. Se Mourinho atiçava seus instintos mais agressivos, com Ancelotti ele cresce como atleta.

Lógico que, do outro lado, o Bayern decepcionou. O time de Pep Guardiola estava nervoso, desorganizado demais em suas ações ofensivas. Os poucos lances de perigo vinham em jogadas individuais. Sequer os cruzamentos à área, que tanto incomodavam no jogo de ida, foram efetivos desta vez. Entretanto, é preciso se reafirmar que os méritos defensivos do Real Madrid foram bem maiores. Se Iker Casillas só precisou fazer uma defesa difícil, foi muito mais pela contribuição que teve de seus companheiros.

Chelsea ou Atlético de Madrid, seja quem for o adversário do Real Madrid na decisão, possui um ataque menos poderoso que o do Bayern de Munique. E nenhum dos dois possui jogadores que possam decidir tanto quanto Cristiano Ronaldo, Bale, Di María, Modric, Benzema e todos os grandes nomes à disposição de Ancelotti.  A vaga na decisão da Champions não veio por pouco nas últimas temporadas, com os merengues caindo nas semifinais. Desde já, são favoritos para a final no Estádio da Luz.