A gastança do Paris Saint-Germain levantou muitas reclamações em relação a possíveis desrespeitos do Fair Play Financeiro, regra que, basicamente, impede que os clubes gastem mais do que arrecadam. Segundo o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, seria “um escândalo” se o clube parisiense fosse punido. Para ele, o clube não cometeu nenhuma irregularidade.

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Campeão da Ligue 1, o PSG gastou um total de € 238 milhões, sendo Neymar o principal contratado, por € 222 milhões. Chamou a atenção que o clube contratou ainda o atacante Kylian Mbappé, que chegou por empréstimo do Monaco com vinculação de compra de € 180 milhões ao final da temporada, de forma a jogar o gasto para a temporada seguinte – e o ano fiscal seguinte também, claro.

Isso porque a Uefa passou a fazer com que empréstimos com compras obrigatórias sejam contadas no balanço do ano do empréstimo. Para driblar a regra, o PSG não colocou apenas que a compra só seria feita se cumprisse um requisito: o PSG não ser rebaixado. Algo, claro, que se sabia que aconteceria.

Ao ser perguntado se o clube quebrou as regras do Faie Play Financeiro, o dirigente foi enfático. “Para mim, honestamente, seria uma surpresa, anormal e escandaloso, ser punido”, afirmou Nasser Al-Khelaifi ao jornal L’Equipe. A Uefa anunciou, ainda no ano passado, que investigaria o caso do PSG. As análises dos balanços são feita após o final das temporadas, depois que são apresentados os balanços.

“Nós sempre seguimos todas as regras. É verdade que a Uefa tem sido muito dura conosco durante as conversas e às vezes até mesmo injusta”, disse o dirigente. O PSG já foi punido pelo Fair Play Financeiro em 2014, quando foi limitado a gastar € 60 milhões, uma multa e inscrição de menos jogadores, 21, em vez dos habituais 25. Desta vez, porém, se o clube descumprir novamente o regulamento do Fair Play Financeiro, a punição será maior, o que pode incluir, além das punições com multa, também exclusão de competições europeias.

Um dos pontos controversos em relação às finanças do PSG é sobre a sua arrecadação. O clube tem vários patrocinadores do Catar, incluindo a Autoridade de Turismo do Catar, o Banco Nacional do Catar e a Ooredoo. O grupo dono do PSG é o Qatar Sports Investments (QSI). Segundo Al-Khelaifi, todos os patrocínios são legítimos.

“Nós não fizemos nada errado”, disse ele. “Eles sabem de onde o nosso dinheiro vem, nós não temos nenhuma dívida e nós demos garantias a eles. Outros clubes em outras ligas têm dívidas. Se você vai para a Espanha, por exemplo, há muitos clubes em dívida. Nós estamos no ponto de equilíbrio [sem lucro, nem prejuízo], então o que eles esperam de nós? Eles deviam nos deixar em paz”.

Al-Khelaifi ainda falou que deve ter nova ingestão de dinheiro no clube. “Haverá novos patrocinadores”, prometeu o presidente. “Nós estamos em discussões com a Nike e haverá um novo acordo em breve. Com a Emirates, havia um acordo de patrocínio para a camisa que acabou e nós estamos conversando com outros candidatos agora”, explicou o dirigente do PSG.

Champions League: “O Barcelona só ganhou sua primeira em 1992”

Nasser Al-Khelaifi não falou apenas a respeito de finanças. O presidente do PSG comentou sobre o desempenho na temporada, especificamente em relação à Champions League. O catariano se mostrou bastante tranquilo em relação ao fato do time ter caído já nas oitavas de final, diante do Real Madrid. O dirigente acredita que o PSG está no caminho certo.

“A Champions League é uma competição dura onde muitos fatores influenciam, como o sorteio. Mesmo tendo capacidade para se classificar, nós não tivemos sorte em cair com o Real Madrid, que está na final nesta temporada mais uma vez. Depois disso, você precisa de alguma sorte durante o jogo. Durante 80 minutos no jogo de ida [que acabou 3 a 1], nós fomos um time melhor jogando em Madri. Nós fizemos uma boa partida até ali, mas nós perdemos. Na volta, nós evoluímos sem Neymar, machucado. Isso teve um grande impacto, como a expulsão de [Marco] Verratti durante a partida”, analisou Nasser Al-Khelaifi.

“Além disso, o Real Madrid tem uma grande experiência na competição, é um dos melhores times na Europa. Mesmo se todo mundo, incluindo a imprensa, dissesse que o PSG fosse melhor porque o Real não teve um bom começo de temporada, na Champions League eles estão em um nível melhor”, afirmou o presidente do PSG.

“Leva tempo para vencer, o PSG é um clube jovem. O Barcelona ganhou a sua primeira apenas em 1992 e foi criado em 1899 [a Champions League, ainda como Copa Europeia, foi criada em 1955]. A Champions League é realmente difícil, depende de muitas coisas: lesões, o sorteio, a arbitragem. Mas a cada ano que passa, eu tenho mais e mais confiança. Nós ganhamos experiência, aprendemos com nossos erros, os jogadores também. Mas leva tempo”, opinou o dirigente, que é do Catar.

Quando perguntado sobre o que falta ao PSG para ser campeão, o dirigente foi direto. “Mais respeito dos árbitros. Eu não reclamo, mas, às vezes, os árbitros têm mais respeito pelos grandes clubes. É mais fácil tomar decisões desfavoráveis contra o PSG do que contra outros times, times com mais prestígio. É a realidade. Nós ainda queremos crescer mais e sermos mais respeitados”, disse.

O PSG já escolheu o alemão Thomas Tuchel como técnico para a próxima temporada. Nos últimos dias, circula um rumor que o clube tenta a contratação do goleiro Gianluigi Buffon, que está de saída da Juventus.