Você pode não estar curtindo muito essa edição da Libertadores. Falta peso de camisa nas fases decisivas, é verdade. Para quem gosta das peculiaridades do futebol sul-americano, no entanto, não dá para negar que é um prato cheio de boas histórias. O San Lorenzo podendo quebrar o seu tabu com a “fé do Papa”, o Bolívar fazendo uma baita campanha para os bolivianos, o Lanús podendo emendar dois títulos continentais, o Atlético Nacional resgatando sua tradição com um bom futebol, o Defensor fugindo do dualismo histórico do Uruguai. E o Nacional Querido. Que, apesar das virtudes dos outros, é o time mais simpático das Américas.

>>> Libertadores tem edição mais mística da história

Torcer pelo Nacional, por si só, já era torcer pela zebra. O 16º melhor time da fase de grupos – ou o 17º pior, dependendo do ponto de vista – que estava pronto para surpreender. Foi assim em larga escala com um Vélez, um pouco menor contra o Arsenal de Sarandí. Um clube que merece um amplo respeito por sua história. Sem os brasileiros para torcer ou para secar, quem quiser já pode adotar o Trico como seu time de estimação. E damos sete bons motivos para isso:

- É um exemplo de organização na América do Sul

O Nacional é um clube vitorioso por sua histórica, mas nas últimas décadas havia alimentado a aura de grande adormecido. Voltou a levantar taças com frequência nos últimos dez anos e se tornou frequentador habitual das competições continentais desde então. O motivo? Sua gestão consciente, com as contas em dia e ótima observação de jogadores. Mesmo sem uma folha de pagamentos estrondosa, conta com um bom time, bastante obediente às ordens do técnico Gustavo Morinigo. Foi essa aplicação tática que fez com que os tricolores eliminassem o Vélez e o Arsenal, bem como surpreendessem o Independiente Santa Fe na fase de grupos.

- O Nacional é um time sem rivais

Sabe aquela história do clube gente boa, que é amado por todo mundo? Pois o Nacional não leva o “Querido” como um adjetivo quase que obrigatório ao lado de seu nome à toa. O dérbi que faz com o Cerro Porteño é o clássico da boa vizinhança, entre dois times do Bairro Obrero, o mais popular de Assunção. Nem Olimpia, Guarani, Sportivo Luqueño, Sol de America ou qualquer outro clube paraguaio que você queira citar odeia o Trico. Tanto é que, no jogo de ida das quartas de final, o Defensores del Chaco apareceu muito mais cheio do que nos jogos anteriores, inflado pelas outras torcidas que foram apoiar.

>>> Impedimento: Nacional Querido na semifinal da Libertadores

- Um orgulho nacional do Paraguai

As cores são as da bandeira e o nome já indica a que o Nacional veio representar. No início do século, o Paraguai vivia uma situação política bastante instável, em guerra civil e com golpes no poder. O clube surgiu nesse contexto, em 1904, como um símbolo local. Os tricolores também participaram do processo de fundação no Paraguai, como a segunda equipe mais antiga do país, e mesmo da introdução do esporte como prática escolar do país – afinal, a maioria dos fundadores do Nacional fazia parte do Colégio Nacional.

Argentina Paraguay Soccer Copa Libertadores

- A campanha já é histórica para os paraguaios

O Olimpia, tricampeão continental, é também o único clube paraguaio que já chegou na decisão da Libertadores. O Cerro Porteño é motivo de chacota por isso, mas caiu quatro vezes nas semifinais, enquanto o Libertad também chegou lá uma. O Nacional iguala esse segundo nível de melhores campanhas, igualando o máximo de um time muito mais popular e vitorioso no cenário local, assim como outro que é o xodó do chefão Nicolás Leóz. Não é pouco.

- O feito faz ressurgir o mito de Arsenio Erico

Você pode gostar de Gamarra ou Chilavert, achar que Romerito jogava muita bola, admirar Amarilla (o Raúl Vicente, não o Carlos) por tudo o que fez com a camisa do Olimpia. Para muitos dos paraguaios, porém, o maior jogador da história do país foi Arsenio Erico. Uma lenda das décadas de 1930 e 1940, sem vídeos para ajudá-lo e com pouquíssimas testemunhas oculares. Restam apenas as histórias do prata da casa do Nacional, que fez seu nome no Independiente e foi apontado pela IFFHS como o oitavo melhor jogador sudaca da história.

>>> Impedimento: Há cinco anos o Nacional faz por merecer

- O eliminado foi o Arsenal de Sarandí

O Arsenal pode até criar uma simpatia por sua comissão técnica, com Martín Palermo comandando um grupo que também Rolando Schiavi e Pato Abbondanzieri. Ou mesmo por algum jogador – como o “Milton”, símbolo da luta contra os narradores que não querem falar Caraglio. Só é difícil gostar do clube de Sarandí sabendo que ele é comandado por ninguém menos do que Julio Grondona, o Don Corleone do futebol argentino. O clube é um dos maiores esteios de sua família. Torcer contra o Arsenal era como não beijar o anel do Poderoso Chefão. E o que o Nacional fez foi colocar a cabeça de cavalo na cama de Don Grondona.

- O nacionalquerido.com

Bem, nem precisa explicar, né? Tem site de torcida no mundo mais legal que esse?