Desde fevereiro, mais de 700 pessoas morreram por causa do ebola, um vírus que causa hemorragias, sangramentos internos e eventualmente falha total de órgãos. Ele se propaga pelo contato com os fluídos corporais de pessoas infectadas, e é natural que as regiões menos afetadas estejam querendo distância de países em que o problema é muito mais sério. Mesmo que isso signifique a eliminação injusta de um torneio de futebol.

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Seychelles não pode ser considerada uma potência do futebol africano. Nunca disputou a Copa Africana de Nações, muito menos a Copa do Mundo. Tem coisa de 90 mil habitantes, um pouco mais que a capacidade total do Maracanã. Provavelmente, não iria muito longe, até porque perdeu o jogo de ida contra Sierra Leoa por 2 a 0. Mas não teve sequer a chance de reverter o placar dentro de campo, porque os ministros da Saúde e da Imigração barraram a entrada da seleção adversária no país, formado por um monte de ilhas ao norte de Madagascar, e a Associação de Futebol de Seychelles desistiu do jogo.

Serra Leoa é a nação em que a epidemia mais preocupa. Registrou pelo menos 233 mortes até a última quinta-feira, quando decretou estado de emergência de saúde pública. Até o doutor Sheik Umar Khan, um dos maiores especialistas da doença, morreu depois de contrair o vírus tratando pacientes. Por tudo isso, o governo de Seychelles, um dos poucos países africanos com o IDH elevado, não permitiu a entrada da delegação serra-leonesa.

“A Associação de Futebol de Seychelles decidiu cancelar a partida”, afirmou o presidente da entidade Elvis Chetty. “Eu gostaria de estabelecer que não culpamos a Associação de Futebol de Serra Leoa por isso. Eles (Imigração e Saúde) pediram que adiássemos a partida por tempo indefinido, mas achamos que era melhor desistir agora ao invés de ficar arrastando essa história. Do ponto de vista futebolístico, estou extremamente decepcionado. O país estava mais ansioso por essa partida do que esteve em muito tempo”.

Chetty tomou uma decisão nobre. Arriscar os seus conterrâneos por causa de um mero jogo de bola seria inconcebível, e adiar a partida até que a epidemia fosse controlada, o que na melhor das hipóteses levaria meses, atrapalharia o andamento das eliminatórias da Copa Africana de Nações. O sentimento de decepção é compreensível, mas geralmente está mesmo atrelado às ações altruístas que envolvem abrir mão de alguma coisa muito desejada, mesmo que apenas da pequena possibilidade dela, por um bem maior.

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