O confronto entre Chelsea e Liverpool foi, como se esperava, um grande jogo. A vitória dos Blues em casa por 2 a 1 é uma demonstração de força, mas também leva a uma constatação: o que falta ao Liverpool, sobra ao Chelsea: um bom banco de reservas. As lesões e a falta de opções do time vermelho comprometem a equipe em jogos grandes. Em compensação, sobra ao Liverpool algo que faltou ao Chelsea nesta primeira metade da temporada: consistência. Só que o problema do Liverpool acaba pesando para causar dois problemas: a falta de opções e, daí, a falta de capacidade de competir mais em jogos grandes.

Até duas rodadas atrás, o Liverpool era líder da Premier League. Um dos campeonatos mais equilibrados dos últimos anos, porém, deu um presente de grego aos Reds: dois confrontos pesadíssimos e fora de casa contra dois dos times mais fortes da Inglaterra, Manchester City e Chelsea. O saldo foi ter duas derrotas e a queda para o quinto lugar. Contra o Manchester City, o time jogou bem, mas acabou derrotado pela enorme força do rival. Contra o Chelsea, o time não foi tão bem e viu, novamente, o adversário jogar muito bem. Nada para desesperar o time de Brendan Rodgers. São seis pontos de diferença para o líder Arsenal.

Mais do que ser melhor, o Chelsea jogou melhor que o Liverpool. Isso fez a diferença, mesmo com os vermelhos saindo em vantagem logo no início do jogo. Faltou criação ao Liverpool. Coutinho não foi capaz de armar o time, nem da ponta, onde passou o primeiro tempo apagado, nem pelo meio, onde jogou no segundo tempo. Os Reds tentaram e conseguiram, de certa forma, pressionar o Chelsea na metade final do segundo tempo, mas era mais na intensidade e velocidade do que na criatividade. Suárez, sozinho na frente, pouco conseguiu fazer. A pressão era mais no meio-campo. E a saída de bola era mais complicada, porque a pressão dos mandantes na saída de bola era intensa. O Liverpool se complicou com a bola diversas vezes.

A vitória do Chelsea, que cresce nos jogos contra os times da ponta da tabela, mostra a força de um elenco que é capaz de brigar pelo título da Premier League. Sai Mata, entra Willian. Sai Fernando Torres, entra Eto’o. Sai Ramires, entra Mikel. O time tem muitas boas opções para rodar o elenco. O Liverpool não tem isso. Sturridge vinha se destacando, mas a sua lesão deixou o Liverpool sem opções de ataque. Iago Aspas? Luis Alberto? Não estão no mesmo nível. Sterling é bom jogador, mas é outra característica e não tem o poder de decisão que Sturridge adquiriu neste 2013. Isso sem falar nas lesões de laterais. Não há um lateral esquerdo disponível, então Rodgers improvisou Agger. Gerrard está ausente e Henderson, embora bom jogador, está longe do ídolo do time de Anfield. O time titular do Liverpool é capaz de enfrentar qualquer outro grande inglês. Mas sem dois ou três deles, precisa se superar e contar com falhas dos seus melhores adversários.

Com o equilíbrio desta temporada até aqui, tudo é possível. São oito times separados por nove pontos nesta primeira metade de temporada. O Chelsea é terceiro, com 40, dois pontos atrás do Arsenal. Nada irrecuperável. Nem o Manchester United parece descartado da briga pela vaga na Liga dos Campeões. Aliás, nem o Everton, atual quarto colocado.

O Liverpool deve olhar para a tabela agora e pensar que voltar à Liga dos Campeões deve ser o objetivo primordial. O título é muito desejado, claro, porque não vem há 23 anos. Mas o time não tem elenco suficiente para aguentar uma disputa feroz com os fartos e ricos elencos de Chelsea e Manchester City. Ficar entre os quatro primeiros já será um grande feito para o time, que assim conseguiria voltar à Liga dos Campeões e aumentar o orçamento e a atratividade. Porque ter Iago Aspas como camisa 9 é uma piada de mau gosto.

Formações iniciais

Chelsea x Liverpool

Destaque do jogo
Hazard foi o grande nome do jogo com o Liverpool (AP Photo/Bogdan Maran)

Hazard foi o grande nome do jogo com o Liverpool (AP Photo/Bogdan Maran)

Hazard foi um monstro no jogo. Fez um golaço no empate e foi o melhor dos meias, e olha que Willian e Oscar não fizeram partidas ruins, pelo contrário. O belga tem se destacado muito nesta temporada.

Os gols

3’/1T: GOL DO LIVERPOOL! Cobrança de falta para a área, Suárez cabeceou e a bola sobrou para o zagueiro Skrtel completar na pequena área.

17’/1T: GOL DO CHELSEA! Oscar e Willian tabelaram, Oscar tentou o passe, errou, e Hazard bateu bonito na bola que sobrou, colocando no ângulo. Empate dos Blues.

34’/1T: GOL DO CHELSEA! Oscar tentou a jogada e cruzou rasteiro para Eto’o completar de leve e marcar o gol da virada – e da vitória – do Chelsea.

Curiosidade

No final do jogo, Oscar deu uma entrada dura em Lucas Leiva e os dois se estranharam. O juiz não expulsou nenhum deles, mas os dois jogadores da seleção brasileira viveu momentos de Gre-Nal. Curiosamente, com cores invertidas: Oscar, que foi colorado, agora joga de azul. Lucas, que foi tricolor, de vermelho.

Ficha técnica

CHELSEA 2X1 LIVERPOOL

Chelsea Chelsea
Petr Cech; Branislav Ivanovic (Ashley Cole, 30’/1T), Gary Cahill, John Terry e César Azpilicueta; David Luiz e Frank Lampard (John Obi Mikel, intervalo); Willian, Oscar e Eden Hazard; Samuel Eto’o (Fernando Torres, 42’/2T). Técnico: José Mourinho
Liverpool_escudo Liverpool
Simon Mignolet; Glen Johnson (Iago Aspas, 38’/2T), Martin Skrtel, Mamadou Sakho (Kolo Touré, 45’/2T) e Daniel Agger; Lucas Leiva, Joe Allen (Brad Smith, 15’/2T) e Jordan Henderson; Raheem Sterling, Philippe Coutinho e Luis Suárez. Técnico: Brendan Rodgers
Local: Estádio Stamford Bridge (Londres-ING)
Árbitro: Howard Webb (ING)
Gols: Eden Hazard, 17’/1T, Samuel Eto’o, 34’/2T (Chelsea), Skrtel, 3’/1T (Liverpool)
Cartões amarelos: Terry, Cahill, David Luiz, Oscar (Chelsea), Johnson (Liverpool)
Cartões vermelhos: Nenhum