A princípio, poder-se-ia pensar que este Barcelona x Real Madrid da antepenúltima rodada do Campeonato Espanhol nem teria muitos atrativos além de ser o “Clásico” derradeiro para a carreira de Andrés Iniesta. Foi só o jogo começar em Camp Nou para que a certeza se repetisse: nenhum clássico assim é livre de tensões. Não faltou equilíbrio, nem faltaram discussões acaloradas entre os jogadores, nem lances ríspidos – muitos deles, negligenciados pela arbitragem. Seja como for, no final, o Barcelona campeão espanhol conseguiu se safar do arquirrival: fez 2 a 1, e andou um pouco mais no caminho de garantir a invencibilidade na conquista já garantida de La Liga.

No começo, o Barcelona se mostrou bem mais acelerado. Aos quatro minutos do primeiro tempo, Lionel Messi deixou Luis Suárez em boas condições para finalizar, e o uruguaio bateu – para fora, à esquerda do gol defendido por Keylor Navas. No minuto seguinte, o Real Madrid buscou algo: Cristiano Ronaldo arriscou o cruzamento, mas a bola foi pega sem problemas por Marc-Andre ter Stegen. Mas aos 10 minutos, em um contra-ataque acelerado, o Barcelona já chegou ao seu primeiro gol. Philippe Coutinho deixou a bola com Sergi Roberto, que avançou livre pela direita e mandou para a área. Com a defesa cuidando de Lionel Messi, a bola passou por cima de todos – e encontrou Suárez, pronto para finalizar de primeira, no contrapé de Navas, fazendo 1 a 0.

O troco do Real veio num contra-ataque rápido, também, aos 15 minutos. Que começou e terminou em Cristiano Ronaldo: o português deu de calcanhar a Toni Kroos, o alemão cruzou já na área, Karim Benzema escorou para o meio, e Cristiano completou na pequena área para fazer 1 a 1 – e se igualar a Alfredo di Stéfano como o jogador do Real Madrid a marcar mais gols no clássico. Mas a alegria veio acompanhada da dor – no caso, uma dor forte no tornozelo, causada por pisão de Gerard Piqué na disputa pela bola, durante a jogada do gol. E isso causou consequências a Cristiano Ronaldo, que deixaria o jogo no intervalo, sendo preservado (a princípio) para a entrada de Marco Asensio.

Dali por diante, mesmo com equilíbrio, os Merengues começaram a melhorar em campo. Aos 20 minutos, o Barcelona ainda tentou uma chance: Messi lançou a bola da direita, invertendo o jogo – e a bola encontrou Jordi Alba, que completou para fora. De resto, a virada se aproximava. Aos 27 minutos, Cristiano Ronaldo foi lançado em profundidade, mas a finalização do português parou na boa saída de gol de Ter Stegen. Mais alguns minutos, e o camisa 7 madridista arriscou de fora, perto do gol. Finalmente, aos 40 minutos, outro chute cruzado de Benzema, para fora.

Depois das oportunidades de gol, porém, o que se viu foi uma rispidez exagerada nas jogadas. Luis Suárez chegou a discutir com Sergio Ramos, após uma falta. Qualquer jogada mais forte era motivo para discussões. Gareth Bale cometeu falta violenta em Samuel Umtiti, mas a jogada passou em branco para o juiz Alejandro Hernández Hernández. E finalmente, a consequência pesou para o Barcelona, nos acréscimos. Aos 47 minutos, após recuar a bola para Ter Stegen, Sergi Roberto chegou perto de Marcelo, os dois discutiram, e o espanhol deu um tapa no rosto do brasileiro. Senha dada para mais uma confusão – e nela, Alejandro Hernández deu o cartão vermelho a Sergi Roberto.

Com Cristiano Ronaldo poupado na volta do intervalo, os visitantes de Madri aceleraram o ataque para pressionar o arquirrival, quando o segundo tempo começou. Aos dois minutos, Marcelo chutou para fora. Aos sete, em rápido contra-ataque, Marcelo veio pela esquerda, cruzou, e Asensio completou quase de primeira, para a firme defesa de Ter Stegen. Se o Real desperdiçou o contragolpe, o Barcelona aproveitou para voltar à frente no lance imediatamente posterior – com outra jogada em que o juiz Hernández foi criticado. Luis Suárez derrubou Raphaël Varane numa dividida pela esquerda – mesmo com o lance faltoso, o uruguaio veio para o cruzamento, e a bola ficou para Messi. O final foi o esperado: drible para a esquerda, chute do argentino no canto direito de Navas, 2 a 1.

Desde então, parecia tudo controlado pelos Blaugranas. Iniesta pôde até ser substituído sob os aplausos do Camp Nou, dando lugar a Paulinho. Mas isso durou pouco: aos 27 minutos, o Real Madrid chegou ao empate, numa rápida troca de passes. De Kroos, no círculo central, a bola foi para Asensio. Do atacante, foi para Bale. E do pé do galês, partiu um chute colocado, no ângulo direito. Ter Stegen até buscou alcançar a esférica, mas foi impossível evitar o gol do 2 a 2.

A emoção seguiu no Camp Nou. Pela queda de Marcelo na área, motivando as reclamações madridistas de pênalti – até por parte de Cristiano Ronaldo, sentado no banco de reservas. Pelas duas oportunidades que Messi teve, aos 35 e 36 minutos, defendidas por Navas. E mais um Clásico terminou. Se alguém comemorou, foi o Barcelona, que manteve sua campanha intacta no Espanhol. Mas o Real Madrid sabe: ainda tem algo a buscar, na final da Liga dos Campeões.