Ninguém ganhou mais títulos da Copa do Brasil do que o Cruzeiro. Nesta quarta-feira, a Raposa empatou com o Flamengo por 0 a 0 no Mineirão e, nos pênaltis, bateu o Flamengo para conquistar o seu quinto troféu da competição, igualando o Grêmio. Saiu por cima em uma final cautelosa, “estudada” e mal jogada. Mas qual cruzeirense que está nas ruas de Belo Horizonte comemorando sua glória liga para isso?

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Nenhum. Mas me permitam um parágrafo. O mata-mata muitas vezes apresenta jogos tensos e meio feios. O medo de ser eliminado por um erro individual ou coletivo, um escorregão, uma boa jogada do adversário, é imenso. Geralmente, o grande lance desses jogos eliminatórios é a emoção. Mas nem isso tivemos nos 180 minutos entre Flamengo e Cruzeiro. Não houve chances de gol suficientes para tanto. Houve tensão, o que é diferente.

Um anti-clímax para partidas que poderiam ter sido bem interessantes, pela qualidade dos jogadores envolvidos. Mas o Flamengo de Reinaldo Rueda ainda é um embrião de um time que controla a bola. Ficou com ela a maior parte do tempo, mas ainda não aprendeu direito a agredir. O Cruzeiro é treinado por Mano Menezes e isso diz tudo: mesmo em casa, adotou uma estratégia cautelosa e pragmática.

Mano deixou a batata-quente nos pés do Flamengo, defendeu-se bem – Léo e Murilo foram destaques individuais, assim como Juan no lado rubro-negro – e apostou em transições rápidas. Desta maneira, criou oportunidades melhores para ganhar no tempo normal. Das quinze finalizações do Flamengo, apenas duas levaram perigo: uma cobrança de falta que Guerrero enviou ao travessão e uma jogada individual do peruano quando o fim da etapa final já se aproximava.

Os mineiros, mais objetivos e diretos, quando recuperavam a bola, conseguiam ser mais ameaçadores. Arrascaeta e Thiago Neves tiveram chances de ouro de abrir o placar. O uruguaio encontrou um rebote e bateu cruzado, uma finalização plasticamente bonita que passou perto da trave esquerda de Alex Muralha. Thiago Neves recebeu de Arrascaeta e bateu de primeira, por cima.

Arrascaeta foi o mais ativo do ataque cruzeirense. Aos 36 minutos, fez uma linda jogada, arrancando em direção à área. Tocou na medida para Hudson, que devolveu para o uruguaio que, então, engrossou. Dominou errado a bola e deixou que ela corresse mansamente para as mãos de Muralha, que quase entregou o título na cabeça do meia-atacante. Aos 33 minutos do segundo tempo, cortou um cruzamento diretamente no jogador adversário que, no susto, não conseguiu direcionar a sua cabeçada.

O torcedor flamenguista estava compreensivelmente preocupado com a disputa de pênaltis. Muralha havia defendido apenas um em toda sua carreira e, mais uma vez, não chegou nem perto de frustrar o adversário. Caiu as cinco vezes no mesmo canto do mesmo jeito. Apenas Diogo mandou para aquele lado, mas acertou o ângulo, sem chance de defesa. Depois do jogo, o goleiro admitiu que fez isso por estratégia. Mas esse tipo de tática geralmente envolve de vez em quando pular para o outro lado, para confundir os batedores. Senão fica muito fácil: se o goleiro está caindo sempre em um canto, é só bater no outro.

Diego, depois de mais uma tarde melancólica, de um ano em que está sofrendo para conseguir ser a referência que se espera dele, nem bateu tão mal o seu pênalti. Mas Fábio foi buscar muito bem. Thiago Neves fechou a final da Copa do Brasil com uma cobrança firme e se juntou aos quase 60 mil cruzeirenses no Mineirão para uma noite que não tem hora para acabar.