O recorde de pontos do Barcelona em La Liga, diferentemente do que se costuma atrelar ao clube, não vem exatamente por um futebol avassalador. Os blaugranas possuem, sim, o melhor ataque do campeonato. Seguem contando com a magia de Lionel Messi, que mantém a média de um gol por partida. E venceram a maioria absoluta de suas partidas, acumulando 11 vitórias (e um empate) em 12 rodadas. Ainda assim, quem vê os jogos do Barça sabe que o tempero do time é diferente. A postura é mais pragmática e muitas atuações são mornas, misturando alguns minutos de objetividade e outros tantos de marasmo. Cabe ponderar, entretanto, que o trabalho defensivo é excelente. Especialmente por Marc-André ter Stegen, o outro grande destaque individual dos catalães em 2017/18.

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O Barcelona sofreu apenas quatro gols nas 12 rodadas do Campeonato Espanhol. É a menor média nas cinco grandes ligas da Europa, e com certas sobras. Além disso, esta também é a segunda melhor marca da história da liga após 12 jogos, atrás apenas do que fez a defesa liderada por José Francisco Molina no Atlético de Madrid campeão em 1996/97 – que, a esta altura, havia tomado três gols na temporada do doblete. Uma marca fenomenal que pode entrar muito bem na conta de Stegen, melhorando a cada temporada desde que chegou ao Camp Nou.

O jogo deste final de semana, contra o Leganés, é um bom exemplo. O alemão realizou três defesaças para segurar os anfitriões e permitir que o Barcelona ganhasse com tanta tranquilidade, por 3 a 0. Stegen se mostra completo em cada fundamento. O tempo de reação e a elasticidade eram as virtudes principais desde os tempos em que explodiu no Borussia Mönchengladbach. Sua capacidade de jogar com os pés está muito acima da média – a ponto de impressionar os próprios companheiros nos treinamentos, embora o excesso de confiança em outros momentos tenha causado algumas falhas. Suas saídas de gol, no mano a mano ou pelo alto, passam mais segurança. E há um senso de liderança de quem amadurece. Já não é mais uma projeção, e sim uma absoluta realidade. Um goleiro para ficar marcado na história dos blaugranas.

Olhando para os números, Stegen possui um aproveitamento excepcional sob as traves. Segundo o Squawka, tirando os arremates bloqueados no meio do caminho, o goleiro defendeu 30 das 34 finalizações certas contra a sua meta – pegando 88,2% desses chutes. Também é a melhor marca entre os arqueiros titulares das cinco principais ligas da Europa. Quem mais se aproxima é Jan Oblak, registrando 85,4%. Além disso, o camisa 1 do Barça possui 100% de aproveitamento em suas saídas de gol e 83% nas reposições de bola – neste quesito, no Top 5 das grandes ligas nacionais da Europa.

Se houve um momento no qual Stegen sofreu nesta temporada, foi apenas na Supercopa da Espanha. O goleiro pouco fez para evitar o atropelamento do Real Madrid na competição. Os cinco tentos sofridos naquelas duas finais, porém, equivalem ao mesmo número de gols que o camisa 1 tomou nas 16 partidas seguintes. Diante das situações tão distintas dos rivais, nem parece que o torneio aconteceu há menos de quatro meses.

E vale lembrar que Stegen também mantém o altíssimo nível na Liga dos Campeões. Sofreu apenas um gol nas quatro partidas que disputou pela competição, embora não tenha sido tão desafiado assim. De qualquer maneira, se no Espanhol o Barcelona nada de braçada, é na Champions que o alemão deverá encontrar os seus maiores obstáculos. Um deles, já nesta quarta, quando os blaugranas visitam a Juventus em Turim. Será o compromisso mais importante desta fase de grupos, valendo a liderança da chave.

O excelente momento de Stegen às vésperas da Copa do Mundo, entretanto, dificilmente o deixará também em evidência na Rússia. O goleiro se impôs como segunda opção ao gol da Alemanha na Copa das Confederações, ao vencer a concorrência de Bernd Leno, e deu conta do recado na reta final das Eliminatórias, bem como nos últimos amistosos. Entretanto, é preciso reconhecer que o dono da meta no Nationalelf será mesmo Manuel Neuer, caso esteja 100% recuperado das lesões recentes. A liderança e as qualidades extraordinárias do tetracampeão do mundo não deixam muitas dúvidas quanto à sua titularidade. Mas há uma grande sombra se os germânicos tiverem qualquer tipo de problema. Alguém também pronto para, aos 25 anos, permanecer por um longo tempo no rol dos melhores arqueiros do mundo.