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Suárez ficou mais de um mês sem marcar, mas nunca deixou de ser decisivo

Desde aquela goleada por 4 a 0 sobre o Everton, em 28 de janeiro, o Liverpool tropeçou apenas uma vez. Empate por 1 a 1 com o West Bromwich. A regularidade levou o time à vice-liderança do Campeonato Inglês e à credencial para entrar de vez na briga pelo título. Um dos principais jogadores do time é Luis Suárez, e o curioso é que o uruguaio passou todo esse período, que representa o mês de fevereiro, sem balançar as redes.

Esse jejum do artilheiro da Premier League terminou neste sábado quando ele abriu o placar da vitória por 3 a 0 sobre o Southampton, mas Suárez nunca deixou de ser decisivo. Porque o maior goleador da competição também é o maior garçom. O passe para o segundo gol, de Raheem Sterling, foi o décimo de Suárez, um a mais que o companheiro Steven Gerrard e Wayne Rooney. E isso é bem raro. Pelo menos desde 2006/07, nenhum jogador conseguiu terminar o campeonato na ponta das duas tabelas.

Suárez participou direta ou indiretamente, contando gols, assistências, finalização para o companheiro marcar no rebote ou para o adversário colocar nas próprias redes, ou seja, de alguma forma, de 43 dos 73 gols que o Liverpool fez no campeonato, ou de 59% dos tentos do clube vermelho. Ano passado, essa porcentagem foi de 48%.

O uruguaio está no banco de motorista de um Liverpool que ainda precisa achar o equilíbrio entre um ataque fenomenal e uma defesa cheia de buracos. Neste sábado, Simon Mignolet precisou realizar umas duas ou três defesas importantes para evitar o gol de empate do Southampton em um primeiro tempo no qual o time da casa foi até melhor e criou mais chances. Foi a primeira vez desde o dérbi que o time de Brendan Rodgers saiu de campo sem sofrer gols.

Se a inconsistência defensiva preocupa, o Liverpool tem algumas coisas a seu favor em comparação aos outros concorrentes ao título. Fora da Liga dos Campeões e das Copas inglesas, joga apenas a Premier League. Seu próximo jogo é em 15 dias, contra o Manchester United, em Old Trafford. E esse é o único dos sete primeiros colocados que o clube enfrenta fora de casa. As partidas contra Tottenham, Manchester City e Chelsea serão em Anfield Road.

Na prática, porque o City tem dois jogos a menos, o Liverpool é terceiro colocado, mas já conseguiu igualar os pontos do Arsenal, o quarto, e se mantém, teimosamente, entre os líderes. Dá para creditar na quebra de um jejum de títulos ingleses que perdura desde 1990? Cautelosamente, mas dá, sim.