Foram 180 minutos de bola rolando, mais uns quebrados de acréscimo, no duelo entre Suíça e Irlanda do Norte pela repescagem europeia para a Copa do Mundo de 2018, e o único gol saiu em um pênalti absurdo, marcado no primeiro jogo e convertido por Ricardo Rodríguez, o herói da classificação por também ter cortado, neste domingo, uma cabeçada em cima da linha no jogo de volta, que terminou 0 a 0.

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A Suíça está classificada para a sua quarta Copa consecutiva, por mais que tenha se esforçado bastante para tirar férias no próximo verão europeu. Foi melhor nos dois duelos, como é de se esperar de um time tão superior tecnicamente, mas, em seu melhor momento, o primeiro tempo deste domingo, não matou a eliminatória. Culpa considerável da noite tenebrosa do seu centroavante Seferovic.

O atacante do Benfica teve diversas chances para marcar e facilitar a classificação da Suíça, mas não conseguia de maneira alguma acertar o alvo. Foi responsável por cinco das 13 finalizações dos donos da casa e mandou todas para fora. Não à toa, saiu vaiado, aos 42 minutos do segundo tempo. Breel Embolo entrou no seu lugar e, em pouco tempo, conseguiu ameaçar muito mais.

Depois do intervalo, os norte-irlandeses melhoraram. Passaram a atuar mais avançados, buscando os flancos e contra-ataques para tentar o golzinho que manteria a classificação aberta. Mas vocês sabem o quanto é difícil para eles levarem a bola para o outro lado do gramado. A melhor oportunidade saiu em um escanteio, já nos acréscimos do segundo tempo. Sommer saiu mal do gol e Evans cabeceou com direção certa. Rodríguez consagrou-se com o corte.

A Suíça teve um caminho muito tranquilo rumo à Copa do Mundo Seu grupo não apresentou dificuldades. Tinha Hungria, Ilhas Faroe, Letônia e Andorra. O desafio era Portugal, para o qual perdeu a vaga direta no confronto direto da última rodada. Na repescagem, pegou um adversário organizado, difícil de ser vazado e cheio de coração, mas sem muito futebol. E o fato de, mesmo assim, ter ficado tão perto de se complicar é um sinal amarelo.

Os pilares da equipe ainda são a galera campeã mundial sub-17 em 2009 – Xhaka, Rodríguez, Seferovic -, Shaqiri, um pouco mais velho, e Lichtsteiner, muito mais velho. Uma geração que não se desenvolveu em jogadores de primeiro nível. Xhaka chegou ao Arsenal, mas nem sempre consegue atuar com consistência; Seferovic está no Benfica, do segundo patamar europeu; Rodríguez foi contratado por um Milan enfraquecido; e Shaqiri, pós-Bayern de Munique, não conseguiu se firmar na Internazionale e está no Stoke City.

De qualquer maneira, tem conseguido uma ótima regularidade. Nos últimos 14 anos, só não participou da Eurocopa de 2012 (ficou atrás de Montenegro no grupo da Inglaterra) e chegou às oitavas de final de dois Mundiais. Para fazer um bom papel na Rússia, porém, precisa melhorar.