Ryan Sessegnon é jogador do Fulham, em ótima fase na segunda divisão inglesa e candidato ao acesso à Premier League. Atuou em todas as rodadas da Championship até agora. Marcou 14 gols, o que é notável para um lateral esquerdo. Mais notável ainda para um lateral esquerdo de apenas 17 anos. Alguém tão jovem que disse, em entrevista ao Telegraph, que um dos jogadores em que se inspirava quando estava escrevendo era Luke Shaw, de 22 anos.

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Parece inevitável que a sua evolução o leve à seleção inglesa. A questão é quando isso acontecerá. Comentaristas afirmam que ele já deveria ser convocado para a Copa do Mundo da Rússia, que começa em junho, um mês depois de o adolescente virar adulto. Uma espécie de “Dunga deveria chamar o Neymar?” em inglês. Seria uma aposta, um risco que vale a pena assumir, um wildcard (curinga), como a imprensa britânica está dizendo. O técnico Gareth Southgate ainda não mostrou suas cartas, mas o monitora. Caso não o leve para o Mundial, provavelmente lhe dará oportunidades no começo do ciclo seguinte.

Seria raro, mas não sem precedentes, convocar um jogador de divisões inferiores para a seleção inglesa. Aconteceu algumas vezes na história, como com Steve Bull, em 1989, logo depois de ajudar o Wolverhampton a conquistar a terceira divisão. Atuaria 13 vezes pela Inglaterra, com um gol na estreia, contra a Escócia. Mais recentemente, em 2012, Wilfried Zaha recebeu a cartinha enquanto defendia o Crystal Palace, na Championship.

Sessegnon não é um jogador de segunda divisão comum. Papou todos os prêmios possíveis da Associação dos Jogadores nesta temporada: melhor jogador da Championship, melhor jovem, melhor aprendiz e esteve na seleção do campeonato pelo segundo ano seguido, o que significa 100% de aproveitamento para ele. No começo de abril, foi o primeiro jogador da história fora da elite a ser nomeado ao prêmio geral de Jovem do Ano, brigando com nomes como Kane, Sané, Sterling, Ederson e Rashford.

Sessegnon estreou pelo Fulham no começo da temporada passada. Tinha apenas 16 anos e 94 dias quando marcou seu primeiro gol, contra o Cardiff. Fez 26 jogos naquela campanha, 17 como titular. Durante o verão europeu, teve duas preocupações. Uma delas foi defender a Inglaterra no Europeu sub-19. Terminou campeão e um dos artilheiros do certame com três gols. O outro foi ponderar propostas de transferência e interesse das principais equipes da Premier League.

É possível achar notícias colocando-o próximo de Arsenal, Tottenham, Manchester United e Liverpool. Os números variam de £ 35 milhões a £ 50 milhões, vultuosos demais até no atual mercado inflacionado por um jogador que ainda não pode dirigir. No entanto, Sessegnon, de acordo com todos os relatos de pessoas que o conhecem, tem a cabeça no lugar certo. E uma evidência clara é que ele decidiu ficar no Fulham para desenvolver o seu futebol.

Parece ter sido uma boa escolha. Sessegnon esteve em campo em todas as 43 rodadas da Championship até agora, titular em 42 delas. Fez outras duas partidas pela Copa da Liga Inglesa e uma pela Copa da Inglaterra. Isso significa que disputou todos os jogos do Fulham nesta temporada, contribuindo com 14 gols. Nesses duelos, executou todas as funções da esquerda: lateral, meia e atacante.

Sessegnon era um jogador do sistema ofensivo nas categorias de base. Eventualmente, perceberam que tinha potencial de ser lateral esquerdo e foi nessa posição que emergiu para o futebol profissional. Mas ele ainda mantém características de atacante, principalmente a finalização. “Não acho que você sabe qual é a sua posição em uma idade tão jovem, então é bom ter mais de uma”, disse Sessegnon ao Telegraph.

Com um físico invejável, consegue correr o flanco inteiro mais rápido que os adversários e aparece frequentemente no campo de ataque. Sua arma secreta é entrar na área na hora certa para finalizar a jogada da sua equipe. Foi como marcou a maioria dos seus gols. Suas características lembram um dos melhores jogadores do mundo nos últimos dez anos. Alguém que, como Luke Shaw, Sessegnon cresceu querendo se tornar.

“Quando eu era mais jovem, eu tinha dois jogadores: Luke Shaw e Gareth Bale. Quando Shaw estava no Southampton, era lateral esquerdo e eu adorava vê-lo correr pela ala, criando gols, marcando, então eu tento imitar isso. A mesma coisa com Gareth Bale, na verdade”, acrescentou. Sem colocar pressão nas costas do adolescente, a comparação é muito boa. Bale também surgiu como um lateral esquerdo com propensões ofensivas e se tornou um atacante de primeira linha.

Sessegnon tem nada além de muito potencial para fazer a mesma transformação. A sua progressão na atual temporada indica isso. Desde janeiro, quando o Fulham contratou um lateral esquerdo, o moleque tem jogado sempre mais avançado. E foi nesse período de aproximadamente três meses em que marcou metade dos seus gols. Em novembro, pela meia esquerda, anotou uma tripleta na vitória por 5 a 4 sobre o Sheffield United.

A capacidade atlética combinada com o faro de gol e a técnica faz com que Sessegnon também seja comparado com pontas como Mohamed Salah e Raheem Sterling. A verdade é que ele ainda é jovem demais para ser reduzido a uma única posição. Tem talento para atuar onde quiser se continuar progredindo como está fazendo. E isso também engloba as competições. Não teria dificuldades para conseguir uma transferência à Premier League, mas talvez nem precise. Sua capacidade ajudou a levar o Fulham ao terceiro lugar, com 82 pontos em 43 jogos. Superando o Cardiff, segundo colocado com 83 pontos em 42 partidas, o acesso à elite inglesa é imediata. Caso isso não seja possível, o clube de Londres ainda pode tentar a sorte nos playoffs.