A Premier League abriu a temporada 2014/15 dando o seu cartão de visitas: poderá ser tão imprevisível quanto a última edição. Se o campeonato de 2013/14 ficou marcado por um equilíbrio muito além do comum visto no futebol inglês, a nova campanha foi aberta logo com uma surpresa. Por mais que o Manchester United crie expectativas com a chegada de Louis van Gaal, foi derrotado dentro de casa pelo Swansea por 2 a 1. Sinal de que, outra vez, o peso da camisa não seja suficiente para garantir vitórias por osmose.

ESPECIAL: O guia corneteiro da Premier League 2014/15

É claro que não dá para considerar o Swansea um adversário tão inferior assim. O ótimo trabalho feito pelos galeses na Premier League não vem de hoje, e sequer do momento que chegaram à primeira divisão – é parte de um planejamento construído ao longo de anos, desde que Roberto Martínez comandava os Swans na terceirona. Para 2014/15, a diretoria fez apostas interessantes para reforçar o elenco de Garry Monk, ex-zagueiro que participou de todo o processo de renovação do clube e assumiu o comando técnico. E elas mostraram resultado logo imediato.

LEIA MAIS: Torcedores vão às ruas por ingressos mais baratos na Premier League

O maior investimento do Swansea foi no retorno de Gylfi Sigurdsson, que viveu ótimos meses no clube antes de seguir ao Tottenham. E o islandês mostrou que está pronto a relembrar os velhos tempos, participando dos dois gols de sua equipe. Primeiro, o meia fez boa jogada na entrada da área, preparando para Ki chutar no canto. Já no segundo tempo, depois que o United tinha empatado, o camisa 23 retomou a vantagem. Jefferson Montero, ótimo reforço trazido do Monarcas Morelia, iniciou o lance com uma arrancada até a linha de fundo, antes de a bola sobrar para Sigurdsson. No fim, os galeses ainda botaram em campo Bafetimbi Gomis, que pode formar uma dupla interessante com Wilfried Bony no ataque.

A puxeta de Rooney não adiantou muito (AP Photo/Jon Super)

A puxeta de Rooney não adiantou muito (AP Photo/Jon Super)

Em compensação, o Manchester United deixou um bocado a desejar. Pouco pôde se ver do time que teve boas apresentações na pré-temporada. É verdade que Louis van Gaal ainda não conseguiu escalar o seu time mais forte, principalmente pela ausência de Robin van Persie, e ainda tem caixa para reforçar o elenco até o fechamento da janela de transferências. De qualquer forma, os Red Devils apresentaram muito pouco, sem criatividade na criação de jogadas.

A equipe esteve dependente demais dos lampejos de Wayne Rooney e das arrancadas de Adnan Januzaj, que saiu do banco ainda no primeiro tempo. Foi o camisa 10 quem empatou, em uma puxeta após cobrança de escanteio. E por pouco não virou em uma caprichada cobrança de falta, que esbarrou na trave. Pior foram as brechas excessivas na defesa, sobretudo no lance do segundo gol. A forma como Marouane Fellaini ficou perdido em meio ao bate-rebate na área dos vermelhos é emblemática.

VEJA TAMBÉM: Se você está ansioso pelo início da Premier League, precisa ver esse comercial

Há margem para evoluir, é claro. Este foi apenas o primeiro dos 380 jogos da Premier League em 2014/15, distribuídos entre 38 rodadas. Ainda assim, é um aperitivo saboroso – exceto, é claro, se você simpatizar com o United. O futebol inglês tem excelente nível técnico, ótimos jogadores e partidas com boa quantidade de chances de gol. Muitas vezes, contudo, pecou pela falta de emoção pela disputa de posições na tabela. Mas, pelo jeito, esta temporada pode ser tão boa quanto a última neste sentido. Para poucos questionarem a posição do Inglesão como melhor liga do mundo.