O futuro do Milan continua incerto. Por mais que os porta-vozes do clube afirmem que não há riscos, a cada semana surgem novas notícias sobre a falta de credibilidade de Yonghong Li, principal investidor dos rossoneri. Segundo reportagem da Gazzetta dello Sport publicada neste final de semana, o chinês está sendo investigado pela justiça italiana por lavagem de dinheiro. A promotoria local se debrua sobre a maneira como o empresário provou a estabilidade financeira para comprar os milanistas. Já nesta segunda, o jornal La Repubblica afirma que Li tentou refinanciar a aquisição do clube usando a criptomoeda BitCoin.

Na última semana, Li deveria desembolsar €10 milhões ao Milan para aumentar o capital do clube. Ao final da temporada, os rossoneri precisam acumular um capital de €35 milhões, que dará as garantias financeiras para a participação nas competições europeias em 2018/19. No entanto, os milanistas ainda não receberam o dinheiro. O Corriere della Sera reporta que a diretoria do clube decidiu esperar até 4 de abril. Caso o valor não entre em sua conta bancária, os dirigentes estão preparados a acionar o Elliott Management, fundo multimercado que emprestou €180 milhões ao chinês na transação total. A corporação americana, assim, tomaria o controle do clube.

Li precisa pagar o empréstimo de €180 milhões ao fundo multimercado até de outubro. Mas, conforme o diário Il Sole 24 Ore, seu poder de barganha tem diminuído consideravelmente, com credores chineses se tornando mais cautelosos quanto a credibilidade do magnata. Desta maneira, o BitCoin se tornaria um caminho para Yonghong Li contornar a questão. Contudo, a companhia americana não teria aceito a criptomoeda dentro do processo. O diretor-executivo Marco Fassone e braço direito do presidente do Milan estão em Londres, em encontro com o banco Merrill Lynch para tentar assegurar outro empréstimo que cubra a dívida com o Elliott Management.

Os entraves de Yonghong Li ainda seriam mais amplos que os €10 milhões ou os €180 milhões. No último mês, o Corriere della Sera publicou que uma de suas companhias entrou em processo de insolvência e seus patrimônios serão leiloados na Taobao, um site chinês similar ao eBay. A situação do empresário seria crítica, com tribunais ordenando a venda para pagar dívidas com bancos. Além disso, as entidades regulatórias de seu país investigam práticas ilícitas. O periódico conclui que, de fato, Li é muito rico, mas o tamanho de sua fortuna não está claro e as garantias não são suas – o que alimenta a dúvida se ele não entrou em uma jogada maior do que poderia.

Já ao Elliott Management, seria importante assumir o Milan temporariamente para não deixar o seu patrimônio se desvalorizar. A partir disso, os americanos mirariam uma nova venda do clube. E a participação nas competições continentais é fundamental para que o poder de barganha nas negociações seja maior. Caso Yonghong Li não consiga cumprir seus compromissos, cogita-se que a revenda se conclua no segundo semestre – e interessados já começaram a surgir. Um consórcio russo e outro emiratense seriam as possibilidades, segundo o La Repubblica.

Advogado e dono de ações do Milan, Giuseppe La Scala traçou o atual panorama ao Milan News: “Como acionista, tenho apenas €500 investidos, mas como torcedor é justo entender o que significa ao Milan ter um acionista majoritário que parece fraco economicamente. O problema dele não é apenas mostrar que é um líder estável ao clube, mas, mais do que isso, é pagar o que deve ao Elliott. Neste momento, parece mais provável que Li Yonghong pode negociar uma transição menos dolorosa com o Elliott, que permitirá a ele perder menos dinheiro possível. Por exemplo, o Elliott pode começar a administrar o clube e, quando o Milan for vendido de novo, cobre a divida de Li”.