Mais uma vez, o futebol foi uma válvula de escape política, agora na Turquia. Logo após o fechamento do Twitter no país pelo Primeiro-ministro Recep Erdogan, os jogadores do Galatasaray foram a campo para o aquecimento do jogo contra o Kayserispor com o endereço da conta do clube na rede social estampado nas camisas. O gesto foi claramente uma demonstração de descontentamento e protesto contra a medida repressiva.

A Turquia vive um turbilhão político desde o ano passado, quando protestos contra a demolição de um parque na Praça Taksim se transformaram em uma série de manifestações contra o governo, insufladas pela repressão policial, em caso muito semelhante ao do Brasil e da Jornada de Junho, que iniciou com o Movimento Passe Livre.

A situação por lá também teve uma relativa amenização, mas a decisão de censurar o povo por meio do fechamento de uma rede social, que, para o premiê turco é uma “ameaça à sociedade”, obviamente foi recebida com incredulidade pela população. É importante que uma instituição como um clube de futebol, especialmente o tão popular Galatasaray, se engaje para denunciar e suscitar um combate a medidas censoras como essa. Sem falar no fato de que os clubes turcos têm bastante força em redes sociais. Os próprios Leões, como é conhecida a equipe, têm quase 4 milhões de seguidores no Twitter e mais de dez milhões no Facebook. Se for levado em consideração o discurso de Erdogan – “Não ligo para o que a comunidade internacional irá dizer. Todo mundo testemunhará o poder da República Turca” -, lutar por essa liberdade de expressão na rede será mesmo preciso.

Wesley Sneijder durante o aquecimento