Ruim não está. Mas poderia estar melhor. Esse é o sentimento compartilhado por torcedores e jornalistas mexicanos com os resultados da seleção nacional, principalmente após o empate por dois gols obtido em solo norte-americano na última semana. Um misto de alívio e preocupação deixando claro que, ainda que não tenha encontrado a melhor forma e um futebol envolvente e/ou de resultados, a Tricolor já conseguiu estancar a preocupante instabilidade que por pouco não a deixou de fora da próxima Copa do Mundo.

As missões de garantir a vaga no Mundial, estabilizar o ambiente e adotar de vez um estilo tático para o torneio de junho foram cumpridas pelo técnico Miguel Herrera. Vale lembrar que ao assumir o comando do elenco em outubro do último ano, “Piojo” encontrou um cenário inimaginável para quem alardeava a supremacia azteca na Concacaf: a possibilidade de dizer adeus ao sonho de disputar sua sexta Copa seguida disputada em dois jogos contra a Nova Zelândia, após sofrer para alcançar os playoffs.

Optando pelo entrosamento e na facilidade de adaptação ao estilo de jogo, Miguel Herrera montou seu grupo exclusivamente com atletas da Liga MX, testando seu modelo em amistoso contra a Finlândia e garantindo a passagem para o Brasil com uma inapelável goleada em casa e um tranquilo triunfo em solo neozelandês.

Desde então, Herrera voltou a testar os jogadores “estrangeiros” no grupo, contando com algumas recusas, mas obtendo uma significativa melhora no estilo de jogo e, principalmente, nos resultados. Não à toa, a Tricolor venceu quatro jogos e empatou outros dois desde que o novo técnico assumiu o comando, goleando a Coréia do Sul e empatando contra Nigéria e EUA, mantendo uma invencibilidade que contrastou com a irregularidade que assolou o grupo no hexagonal decisivo das Eliminatórias.

Pode se questionar a qualidade dos adversários, obviamente. Mas os três rivais selecionados para os testes estarão na disputa da Copa do Mundo. Outro ponto interessante é que, à exceção do favoritismo destacado do Brasil, os outros adversários aztecas no grupo A da competição (Croácia e Camarões) possuem nível semelhante aos desafios que vem sendo superados pela seleção mexicana.

Das seis partidas, o duelo contra os Estados Unidos na última quarta-feira contou com o resultado mais significativo para as pretensões de Herrera. Relevando o fato de ambos os elencos contarem somente com jogadores de suas ligas locais, os mexicanos estavam engasgados com o “Team USA”. O longo histórico de confrontos entre os rivais continentais, que nas últimas décadas sempre contou com bom retrospecto azteca, vinha sendo dominado pelos americanos nos últimos anos, ao menos nos duelos mais importantes.

O empate arrancado na casa do adversário mesmo após terminar o primeiro tempo com desvantagem de dois gols serviu para encerrar (ao menos por enquanto) as discussões sobre a real capacidade dos mexicanos de enfrentarem em pé de igualdade adversários de nível médio.

A parte preocupante dessa série de amistosos fica centrada em dois fatores: o primeiro, por mais contraditório que pareça, é justamente esse equilíbrio reencontrado no duelo contra seleções que não se colocam entre as favoritas. Para conquistar a vaga nas oitavas de final das últimas cinco Copas do Mundo, El Tri precisou, mais do que ser capaz de enfrentar as favoritas, não encontrar dificuldades contra essas seleções coadjuvantes. Croatas e camaroneses não são bicho papões, mas possuem jogadores qualificados e algumas peças que podem complicar as pretensões mexicanas em caso de revés para o Brasil. E a perda da supremacia entre os médios é preocupante nesse sentido.

Outro ponto é a indefinição quanto a algumas peças. O sistema de jogo certamente será o 5-3-2, com o qual “Piojo” se sente mais a vontade e obteve seus melhores resultados. O problema é que, à exceção de Rafa Márquez, Héctor Moreno e “Maza” Rodríguez no miolo de zaga, todas as outras posições ainda estão abertas à disputa. Muñoz ou Ochoa (ou Talavera ou Corona…) no gol? Zavala, Medina ou Vázquez no meio? Fabián, Jiménez, Pulido, Jiménez, “Chicharito” ou Peralta no ataque? As dúvidas são muitas e atingem todos os setores, realçadas pelo fato de que grande parte das estreias promovidas por Herrera no selecionado saiu-se bem e colocaram ainda mais fogo na disputa com os antigos donos da vaga.

Ainda que muitas seleções que estarão por aqui também tenham suas interrogações, La Verde parece ter todas elas somadas, com muito poucas certeza há cerca de dois meses da estreia. Os amistosos contra Israel, Equador, Bósnia e, principalmente, Portugal deverão sanar a maior parte delas. Mas não parece irreal imaginar que uma disputa tão aberta pode prejudicar um ambiente que por muito pouco não foi por água abaixo nas Eliminatórias.

Tendo em vista a situação vivida há pouco mais de seis meses, a balança vem pendendo de forma favorável à Herrera. Até por que dificilmente esperava-se mais do que a volta da calmaria e uma sequência de resultados sem vexames e oscilações. Como bem sabe “Piojo” e seus antecessores, entretanto, a seleção Tricolor é dos poucos motivos de comoção nacional no país azteca. E alcançar menos do que foi obtido nos últimos Mundiais não deve ser suficiente para manter seu cargo na próxima temporada.

Curtas

México

- Seleção do site Mediotiempo da 14ª rodada do Clausura: José Antonio Rodríguez (Chivas Guadalajara), Gil Burón (Querétaro), Néstor Vidrio (Chivas Guadalajara), Julio Domínguez (Cruz Azul) e Edgar Castillo (Tijuana); Cristian Pellerano (Tijuana), David Cabrera (Pumas UNAM), Mauro Formica (Cruz Azul) e Carlos Fierro (Chivas Guadalajara); Alan Pulido (Tigres UANL) e Dante López (Pumas UNAM); T: Ricardo La Volpe (Chivas Guadalajara);

Costa Rica

- Uma vitória mínima sobre o Carmelita deu ao Saprissa a liderança isolada do Campeonato de Verano da Primera Divisón, com 36 pontos em 17 jogos, graças ao revés também por 1×0 do Herediano em casa para o Belén, resultado que estacionou os rivais nos 33 pontos. Quem também aproveitou o tropeço para encostar foi a Alajuelense, que superou o Uruguay e alcançou os 31 pontos com uma partida a menos. A UCR, com 23, fecha o G4;

El Salvador

- Mesmo goleado pelo Santa Tecla na rodada, o FAS manteve a ponta do Clausura da Liga Mayor, com 26 pontos em 13 jogos, mas viu o rival Isidro Metapán encostar no topo ao bater o Alianza e chegar a 25, com uma partida a jogar. O Juventud Independiente derrotou a UES e assumiu o terceiro lugar, com 21, enquanto o Dragons, que empatou com o Atlético Marte, é o quarto, com 20. No Derbi Oriental, Firpo e Águila empataram por dois gols, mantendo o quinto e o sétimo postos, respectivamente. Com 13 pontos, o Alianza é o vice-lanterna;

Guatemala

- Na acirrada disputa pelo topo da Liga Nacional, Comunicaciones e Universidad SC empataram seus duelos contra Xelajú e Malacateco e viram o Suchitepéquez assumir a liderança do Clausura com 28 pontos após vitória sobre o Marquense, com três gols do jovem atacante salvadorenho Kevin Santamaría. Ambos aparecem logo a seguir, com 27. O Municipal bateu o Coatepeque e é o oitavo, com 23 pontos;

- Suchitepéquez, Comunicaciones, Universidad SC, Xelajú, Coatepeque, Heredia, Halcones e Municipal ocupam hoje as oito posições que dão vaga na fase final do torneio;

Honduras

- Aproveitando os tropeços de Olimpia e Real Sociedad, derrotados por Victoria e Marathón, o atual campeão Real España arrancou um empate por três gols frente ao Parrillas One e assumiu a ponta do Clausura da Liga Nacional, com 29 pontos em 17 jogos, ao lado dos Merengues, enquanto os Tocoeños aparecem logo a seguir, com um ponto a menos; Uma vitória sobre o Vida manteve o Motagua em quarto, com 26 pontos;

- Com o triunfo na rodada, o Marathón livrou-se de qualquer risco de rebaixamento e ainda garantiu vaga na fase final. A última vaga é ocupada pelo Victoria, que depende apenas de um empate no próximo fim de semana para se classificar;

Panamá

- O Árabe Unido venceu o duelo dos maiores campeões nacionais contra o Tauro e assumiu a liderança Clausura da Liga Panamenha, com 26 pontos em 14 rodadas. Os árabes contaram com o empate entre Plaza Amador e Chorrillo que caíram para segundo e terceiro lugares, respectivamente. Na briga pela quarta e última vaga, Alianza e Río Abajo empataram por dois gols, resultado que manteve aberta a disputa, com os verdolagas somando 21 pontos, um a mais que os rivais. Derrotados na rodada, San Francisco e Tauro seguem em sétimo, com 15 pontos, distantes da briga por um lugar na fase final;

Jamaica

- Em rodada de vitórias dos ponteiros, Montego Bay (48 pontos), Harbour View (47), Waterhouse (46) e Arnett Gardens (42) abriram boa vantagem no G4 que garante vaga na fase final da National Premier League. Quinto colocado, o Tivoli Gardens empatou com o Boys Town e soma 36 pontos, ao lado do Cavalier. Derrotado pelo o atual campeão Harbour View, o Portmore segue ameaçado pela queda, em décimo lugar, com 32, com apenas um ponto de vantagem para a zona de descenso;

Trinidad & Tobago

- Sem rodada na semana, a TT Pro League segue com o W Connection na liderança, com 42 pontos em 20 jogos. Com uma partida a menos, o Central aparece na vice-liderança, com 35 pontos, enquanto o Defence Force é o quinto, com 29 (em 16 jogos), e o San Juan Jabloteh ocupa o penúltimo posto, com apenas 11;

Nicarágua

- Com uma goleada fora de casa sobre o Ocotal, o Real Estelí fechou a primeira fase do Clausura da Liga Nacional em grande estilo, na liderança isolada com 39 pontos. Nas semifinais, o Trem do Norte enfrentará o Managua, que bateu o ART Jalapa para garantir o quarto lugar, com 27;

- Na outra perna da fase final, onde estão os maiores candidatos a tentar barrar o heptacampeonato consecutivo do Estelí, o duelo será entre Diriangén, que encerrou o torneio regular na vice-liderança, com 33 pontos, após empate com o Juventus, e Walter Ferretti, que massacrou o lanterna Chinandega por inacreditáveis 10×0 para garantir o terceiro posto, com 32;

Cuba

- Em rodada de vitória dos líderes, poucas alterações na elite do futebol cubano. O Ciego de Ávila bateu o La Habana e segue no topo do Campeonato Nacional, com 22 pontos em 9 partidas. Com um jogo a mais, o vice-líder Camagüey superou o Holguín fora de casa e soma 20 pontos, enquanto o atual tricampeão Villa Clara, com 18, é o terceiro, após triunfo sobre o Sancti Spíritus. Derrotado pelo Las Tunas, o Pinar del Río continua na lanterna, com 6 pontos;

Haiti

- O Baltimore aproveitou o tropeço do antigo líder America dês Cayes, superado pelo Violette, venceu o Don Bosco e assumiu a ponta da Digicel Première Division, com 11 pontos em 5 jogos. O America é o vice-líder, um ponto atrás. Atual campeão, o Mirebalais goleou o Racing FC, obteve seu primeiro triunfo e é sexto, com 5 pontos, enquanto o Racing Club Haïtien, maior campeão nacional, jogou (e empatou) apenas uma partida e é o 11º. Cinco dos 16 clubes ainda não estrearam na competição.