O técnico da Escócia, Gordon Strachan culpou a genética por mais uma vez ficar fora da Copa do Mundo. Segundo o treinador, a falta de força física dos jogadores é um problema que a seleção precisa enfrentar. Há muitas críticas na Escócia ao trabalho do treinador, depois de resultados ruins ao longo da campanha, apesar do final com seis jogos invicto.

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A Escócia viveu um fim de semana de muita tristeza. Depois da vitória sofrida contra a Eslováquia por 1 a 0 na quinta-feira, com um gol no final, o empate por 2 a 2 neste domingo contra a Eslovênia, desta vez fora de casa, matou as chances de ir à Copa. Como a Eslováquia venceu Malta por 3 a 0, avançou por ter melhor saldo de gols, 10 a 5.

“Geneticamente, estamos atrás”, afirmou o técnico. “Na última campanha, nós éramos o segundo time mais baixo, tirando a Espanha”, disse. “Nós tivemos que escolher um time para combater a altura e a força nas bolas paradas. Geneticamente, nós temos que trabalhar as coisas, talvez colocarmos mulheres e homens grandes juntos e ver o que podemos fazer”.

“Mas é um problema para nós porque nós temos que brigar mais por cada bola e pular mais alto que qualquer outro”, continuou. “Ninguém pode me dizer que sua técnica, exceto por um ou outro jogador, seja melhor que algum de nós. Mas fisicamente, nós temos um problema. Nós temos que ser capazes de batalhar e avançar com muita determinação, habilidade e muito trabalho. E isso tira muito de você”, analisou o treinador.

“Nos últimos 90 minutos e no último ano, foi uma honra trabalhar com estes caras. Neste momento, é obviamente uma decepção, mas minha decepção não é nada comparada a dos jogadores”, disse ainda o treinador. “Quando você os vê no fim do jogo, eu não acho que tenha visto um grupo de jogadores tão exaustos e tão decepcionados”.

“Eu disse a eles, vocês podem sair e estar realmente orgulhosos de vocês mesmos porque vocês se esforçaram para chegar a lugares que talvez vocês não achavam que pudessem chegar, porque nós jogamos contra um time fisicamente mais forte, um time que não tinha tomado um gol aqui”, disse.

“Contra um time mais físico, nós sabíamos que as bolas paradas seriam um problema e eles marcaram dois gols de bolas paradas. Nós não podemos mudar a genética e não podemos colocar para jogar as maiores pessoas da Escócia”, afirmou.

“Tecnicamente nós estamos bem, mas nossos rapazes tem que trabalhar mais forte na bola que jogadores maiores, que tem 1,89 ou 1,92”, explicou o treinador. “Eles fizeram fantasticamente bem. É uma honra ser o técnico deles”.

A Escócia agora voltará a se preparar para tentar chegar à Eurocopa 2020. A discussão, então, é quem será o técnico, porque há muito debate sobre a permanência de Strachan no cargo. Há quem o defenda, pelo final bom. Outros o condenam pelos erros no começo da campanha.

Certamente, porém, a discussão não pode ficar no tamanho dos jogadores. É preciso ir além disso. Não é só pelo físico que a Escócia ficou fora da Copa. Os escoceses, que já foram o símbolo do futebol de passe curto e habilidade, precisam buscar nessas raízes uma forma de jogar mais futebol que os adversários. Nestas Eliminatórias, mesmo com o final bom, não foi suficiente.