O técnico Heimir Hallgrímsson passa longe do deslumbramento que se imagina em uma Copa do Mundo. Mesmo treinando a seleção de seu país, o islandês não largou os seus afazeres como dentista, atendendo em seu consultório. Também já confessou que discutiu as escolhas táticas e as convocações na mesa do bar com outros torcedores. E logo após a participação no Mundial, o comandante afasta o rótulo de astro ou de herói nacional. Dois dias depois da eliminação na fase de grupos, já estava retomando a rotina pacata.

Nesta quinta, Hallgrímsson estava de volta aos gramados islandeses, mas não para comandar a seleção. O técnico colocou a roupa de árbitro para apitar partidas escolares. Sob chuva, atuou em jogos envolvendo crianças de 10 anos, em competição que acontece em Vestmannaeyjum, o arquipélago de quatro mil habitantes onde nasceu e continua morando.

A Islândia fez um papel razoável na Copa do Mundo. Não conseguiu surpreender como na Eurocopa e sofreu com as suas limitações, mas ainda assim arrancou um resultado histórico contra a Argentina. A um país de 350 mil habitantes, a mera presença no Mundial já representa demais. E o objetivo é tentar manter o trabalho de formação, considerando que alguns dos protagonistas da geração deixarão a equipe nacional. Hallgrímsson é fundamental nesta rede. A sua imagem com os garotos não deixa de representar um incentivo.