Karim Benzema foi o grande personagem da estreia da França na Copa do Mundo de 2014, sem dúvidas. A atuação do camisa 10 beirou a perfeição. Só atingida, é claro, com a ajuda da tecnologia. Pois, por mais que o craque francês tenha feito a diferença para os Bleus, talvez o mais marcante da tarde em Porto Alegre será o uso da tecnologia sobre a linha do gol. Pela primeira vez, ela foi decisiva para determinar se a bola entrou ou não. Ainda que tenha gerado mais discussão do que deveria.

França 3×0 Honduras: Se a França precisava de uma estrela, Benzema brilhou

Após Sandro Meira Ricci apontar o centro do gramado, certamente avisado pelo sinal sonoro da tecnologia, o descrédito em relação ao lance permaneceu por mais algum tempo. Reclamações dos dois lados e replays, muito replays. Somente uma câmera das exibidas pela Fifa na transmissão oficial indicava que a bola havia passado completamente pela linha, enquanto o goleiro Noel Valladares tentava tirá-la.  As outras deixavam dúvida. O sistema de tecnologia, no entanto, cravava que tinha sido gol. Fotografias divulgadas depois também mostravam a mesma imagem.

Se há a tecnologia disponível para o lance e foi para isso que a Fifa desembolsou milhões, a discussão entre jogadores e bancos de reservas era inútil. Ela está lá para dar certeza quando o olhar dos árbitros não podem garantir nada. Está lá para ser usada, e ponto. Por mais que os vídeos transmitidos nos telões não assegurassem a validade do gol, a tecnologia por si só deveria ser suficiente.

Se há falhas na tecnologia, é outra discussão. Embora tenha sido exaustivamente testado antes da Copa do Mundo, é óbvio que o sistema pode não ser 100% preciso. Que seja 99%, ele é utilizado exatamente para diminuir a margem de erro enorme do olhar humano e um pouco menor das lentes das câmeras de televisão. Os dispositivos estão aí, para ajudar a arbitragem e a tornar menos falível possível. Tornar os resultados menos injustos – e, depois de tantos pênaltis mal marcados neste Mundial, não há discussão sobre como os erros prejudicam.

E quem diz que a tecnologia não pode entrar no futebol “porque tira aquela discussão gostosa do bar”, já viu que seu argumento é tão furado quanto absurdo.