A era Arsène Wenger já tem data para terminar no Arsenal. O treinador, que assumiu em setembro de 1996, deixará o cargo ao final desta temporada pelos Gunners, quase 22 anos depois de assumir. O treinador anunciou no site do clube a intenção de deixar o cargo, surpreendendo jogadores. Apesar de ter contrato até junho de 2019, Wenger percebeu que o risco de demissão existia e, por isso, preferiu deixar o cargo nos seus termos, segundo informou o Guardian apurando com fontes do clube. Com isso, o clube ganha um impulso na reta final da temporada, unindo todos os torcedores, mesmo aqueles que eram contra Wenger.

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“Depois de uma cuidadosa consideração, e seguindo as discussões com o clube, eu senti que é o momento certo para sair ao final da temporada”, afirma Wenger no comunicado divulgado pelo Arsenal com o título de “Merci Wenger” (“Obrigado Wenger”). “Eu sou grato por ter tido o privilégio de servir ao clube por tantos anos memoráveis”.

“Eu dirigi o clube com total comprometimento e integridade. Eu quero agradecer aos funcionários, os jogadores, os diretores e os torcedores que fazem este clube tão especial. Eu peço aos torcedores para que apoiem o time para terminar em alta. Para todos que amam o Arsenal, cuidem dos valores do clube. Meu amor e apoio para sempre”, diz ainda o treinador na nota.

A presença de Wenger era controversa entre os torcedores. Há algumas temporadas grupos de torcedores pedem a sua saída, enquanto outros o defendem. Na última temporada, a pressão foi grande contra o francês. A decisão do clube de mantê-lo, com um contrato de dois anos, criou ainda mais pressão. A falta de apoio da arquibancada começou a ser ainda mais sentida.

Pressão interna revertida em apoio

O desempenho do Arsenal na Premier League tem sido muito abaixo do esperado. Mesmo com o Manchester City voando, se esperava que o Arsenal oferece mais resistência e brigasse mais em cima na tabela. Atualmente, o time parece mais ameaçado pelo Burnley do que capaz de ameaçar o Tottenham, rival e atual quarto lugar. O time 54 tem pontos, enquanto o Tottenham tem 68. E, mais do que os pontos, o Tottenham tem jogado muito mais futebol.

O futebol ruim, somado aos resultados abaixo do esperado, têm feito o estádio Emirates ficar com muitos lugares vazios. Segundo o jornal Guardian, diretores se aproximaram de grupos de torcedores que possuem carnês de temporada para oferecerem renovações em condições especiais. Há um recorde de desistências nas renovações dos carnês de temporada e, claro, isso preocupa muito a diretoria.

O diretor executivo Ivan Gazidis fez várias mudanças na área técnica, o que foi chamado de ventos de mudanças. O chefe de relações do futebol, Raul Sanllehi, e o chefe de recrutamento, Sven Mislintat, são os dois principais. Os ventos de mudança começaram a tocar em Wenger. Havia uma sensação que havia uma grande mudança em curso, que acabaria com a mudança também do técnico. Os maus resultados e insatisfação interna ameaçavam o cargo do francês.

A soma desses fatores, o mau desempenho em campo, a torcida do Arsenal abandonando o clube no estádio e as trocas internas que pareciam pressionar ainda mais Wenger, o cenário estava pronto. O anúncio da saída de Wenger pode tornar tudo isso algo positivo. O clube terá tempo para abertamente tratar com um substituto, que eventualmente até mesmo Wenger pode ajudar. Os torcedores podem apoiá-lo em homenagem pelos mais de 21 anos de serviços prestados. A má vontade com o treinador de uma parte da torcida pode se tornar uma união em torno dele. Um golpe de mestre no seu final de carreira no Arsenal.

O grande objetivo do Arsenal na temporada será mesmo a Liga Europa, uma chance de título europeu que ainda leva para a Champions League. O Arsenal tem o Atlético de Madrid na semifinal. O título seria como coroar a carreira longa de Wenger no clube e devolver o clube à Champions League, algo que pela Premier League parece impossível.

A escolha do substituto

O favorito nas casas de apostas para substituir Wenger é Patrick Vieira, ex-jogador do clube e capitão do time justamente com Arsène Wenger. Foi o capitão do inesquecível time dos Invencíveis da temporada 2003/04. Atualmente, ele é o técnico do New York City, da MLS – nesta temporada, tem sido o melhor time em pontos conquistados.

Além de Vieira, são muitos nomes especulados. Carlo Ancelotti, Luis Enrique, Leonardo Jardim e Massimiliano Allegri. Todos parecem alvos difíceis, mas com o anúncio da saída de Wenger, será possível tentar negociar com condições mais claras.

Wenger deixará o Arsenal nas suas condições e com as homenagens que merece. Mudou o patamar do Arsenal, que era conhecido por ser um time de jogo feio, duro e acostumado ao fracasso. Deu títulos e importância em termos europeus ao clube, algo que faltava. Wenger acaba como vítima do próprio sucesso. Elevou o patamar do time, mas as exigências também. E, agora, ficar tão longe dos principais times da Europa é pouco para o que o Arsenal se tornou.