O Botafogo está em uma temporada para deixar seu torcedor orgulhoso, apesar de alguns protestos recentes demonstrarem alguma insatisfação. Pode não encantar pelo futebol jogado, mas o faz com dedicação e organização excepcionais. Derrubou campeão sul-americano atrás de campeão sul-americano na Libertadores e, nesta segunda-feira, deu sequência ao seu crescimento no segundo turno e venceu o líder Corinthians, no Nilton Santos, por 2 a 1. Indiretamente, abriu a briga pelo título do Campeonato Brasileiro.

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Pela primeira vez desde a 15ª rodada, a diferença entre o primeiro e o segundo colocado é de seis pontos. Santos e Palmeiras têm a obrigação de acreditar que podem disputar o troféu com o Corinthians nesta reta final. Principalmente o time alviverde, que vive uma curva ascendente com Alberto Valentim, ainda impossível de saber o quão duradoura será, ao contrário do momento turbulento dos santistas, cuja diretoria demitiu e recontratou Levir Culpi em um intervalo de poucas horas. E tem o confronto direto em Itaquera em 5 de novembro. Pode terminá-lo na primeira posição.

Não chegou a ser o pior jogo do Corinthians neste segundo turno muito ruim que realiza. Competiu em um duelo equilibrado, empatou depois de estar perdendo, mas acabou sucumbindo para uma das melhores armas do Botafogo. A mesma bola aérea que tem se tornado um problema grande na defesa do Corinthians, anteriormente tão sólida. E, no geral, apesar de ter marcado em uma jogada bem trabalhada, ainda deixou a desejar no setor ofensivo, afobado nas tomadas de decisões e errando muitos passes.

O Corinthians poderia ter saído na frente, aos 15 minutos do primeiro tempo, quando Marquinhos Gabriel soltou a bomba no travessão. Mas o Botafogo também conseguiu levar perigo e exigiu uma intervenção salvadora de Balbuena, que travou Rodrigo Pimpão, e uma defesa de Cássio, em arremate de Marcos Vinícius. No retorno dos vestiários, Pimpão desviou escanteio para Brenner, livre, abrir o placar.

O gol de empate corintiano foi a receita a que o time deveria se apegar para recuperar o caminho das vitórias. Guilherme Arana avançou, tabelou com Maycon, entrou pelo meio e tocou para Jô, que dominou e mandou às redes. Tanto a bola bem trabalhada quanto a presença do lateral esquerdo no ataque, um dos melhores jogadores do primeiro turno, são aspectos que ficaram para trás desde que as vitórias começaram a rarear para os lados de Itaquera.

Assim como a solidez defensiva. Brenner teve a chance de fazer o segundo do Botafogo, aos 26 minutos, ao ser lançado por Bruno Silva. Cortou para a perna esquerda e chutou com endereço certo, mas Balbuena apareceu para salvar mais uma. Em cobrança de escanteio, alguns lances depois, Igor Rabello subiu muito alto para cabecear às redes e decretar a vitória do Botafogo. No último lance da partida, Rabello e Jô se atracaram dentro da área. Os corintianos reclamaram de pênalti – na opinião deste escriba, com razão, mas é um lance bem interpretativo.

O Corinthians entrará na próxima rodada pressionado como há muito tempo não acontecia. Encara a Ponte Preta, fora de casa, enquanto o Palmeiras enfrenta o Cruzeiro, na segunda-feira, e o Santos faz clássico contra o São Paulo. Os dois primeiros jogos condicionarão o dérbi de 5 de novembro, quando o Corinthians pode ser retirado da liderança ou abrir até 12 pontos de distância para o segundo colocado. De um jeito ou de outro, o Brasileirão está aberto.