A Copa do Mundo de 2018 começou. Começou de vez. Nesta sexta-feira, Portugal e Espanha fizeram justiça à expectativa em torno deste duelo que, no dia do sorteio, era projetado como um dos melhores da fase de grupos. E, mesmo após quatro partidas, já dá para dizer que estará mesmo no topo da lista. Com Cristiano Ronaldo fazendo sua melhor partida por Mundiais, Diego Costa artilheiro, reviravoltas, falhas improváveis, já temos o primeiro JOGAÇO na Rússia: Portugal 3 x 3 Espanha.

Domínio português

Cristiano Ronaldo entrou em campo com fome. Logo nos primeiros minutos, dominados por Portugal, pedalou para cima de Nacho e sofreu o pênalti. Ele mesmo cobrou e marcou seu quarto gol em Copas do Mundo: até aquele momento, uma em cada que disputou, desde 2006. Os lusos ainda tiveram duas oportunidades excelentes de contra-ataque, mas ambas foram prejudicadas por Gonçalo Guedes. Na primeira, o jogador do Valencia correu para o lado errado, ao encontro da marcação. Na segunda, recebeu de Ronaldo, mas, em vez de bater de primeira, tentou o domínio e foi desarmado. 

Diego Costa ao melhor estilo… Diego Costa

Portugal fazia uma partida excepcional, principalmente na defesa. As duas linhas muito próximas, com os jogadores pressionando na medida certa, sem destruir a compactação desejada por Fernando Santos. Isso criou muitas dificuldades para o toque de bola curto da Espanha. Ironias do destino: a presença de Diego Costa na seleção costuma ser questionada porque o jogador prefere um jogo mais físico, recebendo bolas longas para brigar com o zagueiro ou para correr em velocidade nos espaços vazios. E o desafogo espanhol acabou sendo justamente esse. Um lançamento, artigo quase extinto na equipe espanhola, colocou Diego Costa no mano a mano com Pepe. Costa ganhou a bola (usando o braço de uma maneira que poderia ser interpretada como falta), entrou na área e batalhou com a zaga. Puxou para um lado, recolheu para o outro, abriu para a direita e mandou no canto. A Espanha acabou empatando justamente por meio da sua antítese e de um jogador que muitas vezes parece um estranho no ninho. 

Espanha entra no jogo

Depois do gol de empate, a intensidade dos portugueses para marcar diminuiu. A Espanha ficou mais confortável para mudar a bola de lado e criou duas situações de muito perigo. Isco mandou a bomba no travessão. Os espanhóis pediram gol, mas o rebote bateu mesmo em cima da linha. Em outra jogada, Iniesta pegou de primeira dentro da área e cruzado, tirando tinta da trave. 

De Gea……….

David de Gea foi o melhor goleiro da última temporada europeia, junto com Oblak, do Atlético de Madrid. Responsável por diversas defesas que garantiram pontos ao Manchester United. Mas a sua estreia em Copas do Mundo poderia ter corrido de maneira melhor. Quando a partida parecia prestes a entrar no intervalo empatada por 1 a 1, Cristiano Ronaldo soltou a bomba de fora da área. Um chute rasteiro e forte, mas que se dirigia às mãos do arqueiro. Mas De Gea não conseguiu agarrá-lo. A bola bateu no espanhol e entrou: Portugal 2 a 1. 

Duas armas inusitadas

A Espanha do toque de bola incessante, que já havia marcado em um raro lançamento, alcançou a virada com outros dois gols inusitados para o seu estilo de jogo. Cobrança de falta para a segunda trave, e Busquets escorou para a pequena área, onde Diego Costa apareceu para completar. Pouco depois, David Silva começou a jogada pela esquerda, e Nacho, lá no outro lado do campo, pegou de longe. Ainda acertou a trave antes de fazer o terceiro. Lançamento, bola parada e chute de fora da área: três armas que não costumam aparecer no arsenal da Espanha, mas, com elas, a equipe é mais perigosa. 

É muito craque

A Espanha, com vantagem no placar, controlava totalmente a partida, tocando a bola sem pressa e com a qualidade de sempre. Portugal realmente precisaria tirar algo da cartola, e a que mais tem recursos é a de Cristiano Ronaldo. Sofreu o pênalti, bateu e converteu. Também sofreu a falta na entrada da área. Nem sempre o português manda bem nas cobranças de bola parada. Sua característica costuma ser a pancada com muita curva. Desta vez, preferiu o chute colocado no ângulo. E anotou uma pintura para completar a 51ª tripleta da história das Copas.

Ficha técnica

Portugal 3 x 3 Espanha

Local: Estádio de Fisht, em Sochi (RUS)
Árbitro: Gianluca Rocchi (ITA)
Gols: Cristiano Ronaldo, aos 4’/1T, 44’/1T e 43’/2T (POR); Diego Costa, aos 24’/1T e 10’/2T, e Nacho, aos 13’/2T (ESP)
Cartões amarelos: Bruno Fernandes (POR); Busquets (ESP)

Portugal: Rui Patrício; Cédric, Pepe, José Fonte e Raphaël Guerreiro; William Carvalho, João Moutinho, Bruno Fernandes (João Mário) e Bernardo Silva (Ricardo Quaresma); Gonçalo Guedes (André Silva) e Cristiano Ronaldo. Técnico: Fernando Santos

Espanha: David de Gea; Nacho, Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Busquets, Iniesta (Thiago), Koke, David Silva (Lucas Vázquez) e Isco; Diego Costa (Iago Aspas). Técnico: Fernando Hierro