O retrospecto, de fato, não era muito positivo. O Chile chegou à Copa América com apenas uma vitória nas quatro rodadas anteriores das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, além de duas derrotas nos amistosos preparatórios. Após a saída de Jorge Sampaoli, Juan Antonio Pizzi deixava desconfianças. E mesmo o início de campanha nos Estados Unidos nem foi tão bom assim. O time até se exibiu bem contra a Argentina, mas foi claramente inferior. Já contra a Bolívia, uma vitória na conta do árbitro. Mas a Roja embalou. Bateu o Panamá, engoliu o México e, nesta quarta, passou por cima também da Colômbia. Para provar que segue com um dos melhores times da América. Em noite tumultuada no Soldier Field, por conta da tempestade que atrasou o segundo tempo em duas horas, os 10 primeiros minutos acabaram bastando para a vitória por 2 a 0, que valerá o reencontro com os argentinos na decisão.

Assim como aconteceu diante do México, o Chile entrou em campo com voltagem máxima. E os erros dos colombianos facilitaram o caminho. Voando pelo lado direito, Fuenzalida cruzou e Cuadrado cabeceou para traz. Deixou a bola limpa para Aránguiz abrir o placar com apenas seis minutos. Já aos 10, Arias não cortou o chutão de Claudio Bravo. Permitiu que Alexis Sánchez dominasse e soltasse a bomba na trave. No rebote, livre, Fuenzalida ampliou. E o terceiro ainda poderia ter vindo aos 14, em grande jogada individual de Sánchez, em chute que bateu no peito de Ospina, na trave e saiu.

A Colômbia estava anestesiada. E demorou para acordar para o jogo. O time de José Pekerman iniciou sua pressão a partir dos 20 minutos, comandada principalmente por James Rodríguez. Contudo, a falta de um centroavante com mais presença pesava, assim como o camisa 10 não vivia sua noite mais inspirada. A defesa do Chile, bem montada, conseguia prevalecer. E, mesmo errando mais do que deveria nas saídas do gol, Claudio Bravo também salvou a Roja em algumas oportunidades, com uma grande defesa pouco antes do intervalo para negar o gol de Carlos Sánchez.

A volta para o segundo tempo, porém, demorou muito mais do que o esperado. A organização do torneio já previa que uma forte tempestade passasse sobre o estádio em Chicago. Durante o intervalo, mandou uma mensagem para a torcida se abrigar. E foram quatro descargas elétricas que caíram sobre o sistema de para-raios do Soldier Field. Depois de cerca de uma hora e meia nos vestiários, funcionários entraram em campo para acelerar o escoamento da água no gramado. Próximo do tempo limite, enfim, os times voltaram a campo. Mas o bom jogo perdeu embalo, também porque o árbitro comprometeu.

Com o campo pesado, os colombianos reclamaram de um pênalti sobre Daniel Torres nos primeiros minutos. Nada para o árbitro Joel Aguilar, apesar da falta clara. Já aos 11, o salvadorenho prejudicou mais uma vez os cafeteros, ao dar um amarelo bastante discutível a Carlos Sánchez, que culminou em sua expulsão. Por mais que tentasse pressionar, a Colômbia sentia a desvantagem numérica. Suas melhores oportunidades vinham com Marlos Moreno, que saiu do banco, mas nada suficiente para alterar o placar. Do outro lado, Ospina chegou a realizar uma grande defesa. E, nos minutos finais, Aguilar também gerou reclamação do Chile, em outra penalidade não marcada sobre Alexis Sánchez. Infelizmente, roubou os holofotes depois de tanta espera.

Apesar dos pesares, o Chile avança à final da Copa América com seus méritos. A Colômbia oscilou na competição, com o time que ainda necessita de seus acertos e vem com gente pedindo passagem. A Roja, por sua vez, já aparece no rumo certo. Embora sejam os atuais campeões, os chilenos deixam o favoritismo à Argentina, até pela qualidade da Albiceleste no papel. Mas dá para esperar uma decisão mais parelha ainda que a estreia, pela maneira como o time de Pizzi pega embalo. A intensidade que a equipe redescobriu é seu grande trunfo, assim como a defesa indica uma solidez maior. As chaves justamente contra um adversário de grande ataque, mas com uma linha de zaga não tão brilhante. Um título nos Estados Unidos elevaria ainda mais o status da maior geração da história do futebol chileno.