Com 44 gols em 51 partidas, Mohamed Salah está entre os grandes artilheiros da Europa. Sua capacidade de marcar em série surpreendeu quem o acompanhava na Roma. Batendo recordes, o egípcio contribuiu com o quarto lugar do Liverpool na Premier League e com a classificação à final da Champions League, palco que poderia elevá-lo à eternidade. O que ninguém esperava é que a história terminasse do jeito que terminou. A última cena da temporada da vida de Salah no futebol de clubes foi do jogador em prantos, sendo acompanhado para fora do Estádio Olímpico de Kiev. 

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O lance fatal aconteceu antes da meia hora, por volta dos 25 minutos do primeiro tempo. Até ali, o Liverpool era melhor em campo, e Salah incomodava a defesa do Real Madrid pela direita. Havia dado dois chutes a gols, ambos bloqueados. Ao ser marcado por Sergio Ramos, caiu com o braço ainda agarrado pelo zagueiro espanhol – independente da sua interpretação, se foi lance de jogo ou maldade. Foi atendido, saiu de campo e ainda tentou retornar. Mas não deu. Aos 30, foi substituído por Lallana. 

A saída de Salah mudou completamente a postura do time do Liverpool. Taticamente, Lallana entrou pela esquerda do meio-campo. A equipe de Klopp passou a se defender em um 4-4-2, com Mané e Firmino à frente. Os Reds conseguiram se segurar para chegar ao intervalo, ainda com 0 a 0 no placar, mas já estava claro que estavam em apuros. Os problemas continuaram no segundo tempo. Toda a atenção do Real Madrid ao contra-ataque passou para Mané. O Liverpool não tinha escape. 

E claramente o time se abalou psicologicamente. Isso fica claro pela postura diferente na marcação, com e sem Salah. Antes da lesão, o Liverpool atuava no campo de ataque, marcando pressão constantemente e dominava a partida. Depois, inexplicavelmente recuou as duas linhas e parou de adiantar a marcação, de abafar a saída de bola do Real Madrid. Parou de pressionar o tempo inteiro, característica mais marcante dos times de Klopp. 

Com menos poder de fogo do Liverpool, o Real Madrid tomou conta da partida e aproveitou os erros de Karius para construir o placar do seu 13º título europeu. A infelicidade foi não podermos ver o que Salah, na melhor fase da sua vida, poderia fazer na decisão da Champions. E, agora, o momento é de apreensão para Salah. Jürgen Klopp, depois da partida, adotou um tom pessimista sobre a lesão do jogador. “É uma lesão séria, uma lesão realmente séria. Não parece bom. Foi ruim para nós, para Mo e para o Egito”, disse o treinador. Um comunicado da Federação Egípcia de Futebol disse, porém, que as chances de Salah disputar a Copa do Mundo são altas. Informou que o exame de raio-x mostrou que o jogador sofreu uma entorse nos ligamentos do ombro. Esperamos que seja assim. Seria cruel demais que, na melhor fase da sua vida, o artilheiro tivesse que assistir de casa à sua seleção disputar o Mundial pela primeira vez em 28 anos.