Sturridge comemora gol pelo Liverpool (Foto: AP)

O Liverpool tem mais a comemorar do que a lamentar, apesar do gosto amargo da decepção

Escapou. O título inglês, o primeiro em 24 anos, esteve nas mãos do Liverpool, mas, contrariando o discurso do seu capitão depois da vitória emocionante sobre o Manchester City, o time não conseguiu mantê-lo entre os dedos. A temporada que mudou o clube de patamar dentro do Campeonato Inglês terminou com um gosto amargo e, paradoxalmente, com muito mais a comemorar do que a lamentar.

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Porque o objetivo principal, que parecia muito difícil e acabou sendo relativamente fácil, o Liverpool alcançou. Sem gastar tanto quanto os rivais, mantendo-se firme à filosofia de desenvolver jovens e jogar um futebol ofensivo, voltou à Liga dos Campeões, depois de quatro edições afastado. E foi um pouco mais além.

A três rodadas do fim, dependia das suas próprias forças para ser campeão, mas havia um ônibus azul no meio do caminho. O título não fugiu de Anfield Road naquele empate desastroso com o Crystal Palace. Vencer essa partida colocaria pressão no campeão Manchester City, mas não garantiria nada. O Liverpool perdeu o controle sobre o seu destino e as suas emoções ao ser derrotado pelo Chelsea.

Esse resultado abalou o psicológico de um elenco jovem e inexperiente, especialmente pela crueldade terrível de o erro que abriu caminho para a vitória dos comandados de José Mourinho ter sido cometido pelo capitão Steven Gerrard. O pilar de experiência da equipe desmoronou. Naquela partida, ficou tão ansioso quanto seus pupilos para corrigir a escorregada que permitiu o gol de Demba Ba.

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A instabilidade emocional do Liverpool ficou clara contra o Crystal Palace, quando tentou uma improvável goleada e esqueceu todos os conceitos de defesa ao ver o adversário começar a diminuir a vantagem. E mesmo no começo da vitória por 2 a 1 sobre o Newcastle, neste domingo de Dia das Mães, conseguiu se soltar apenas depois do segundo gol do Manchester City, no momento em que as chances de título eram praticamente inexistentes.

O Liverpool não estava preparado para ser campeão. Conseguiu a chance em uma Premier League sem dono, em que os canditatos seriam os primeiros que levantassem a mão. O elenco curto não atrapalhou tanto no físico quanto na escassez de jogadores que pudessem inverter o rumo de uma partida difícil. A inexperiência pesou em momentos-chave de um campeonato que testa a capacidade de lidar com adversidades como poucos outros. As falhas defensivas transformaram algumas partidas em loterias e deixaram o time frequentemente no fio da navalha.

É impossível não ficar decepcionado porque, pela primeira vez em muito tempo, o torcedor do Liverpool ganhou o direito de acreditar. Mas é sempre melhor sonhar e se frustar do que se resignar com a realidade medíocre. A temporada serviu para estabelecer as fundações de um time que pode transformar a briga pelo título em um hábito se mantiver seus principais jogadores, contratar outros – principalmente na defesa – e não se deixar abater tanto pela desilusão de chegar tão perto da glória e não conseguir tocá-la. Não é o bastante para comemorar?

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