O Fair Play Financeiro começa a ter punições na próxima temporada. Manchester City e Paris Saint-Germain estão entre os nove clubes que estão negociando acordo com a Uefa para pagarem multas e terem restrições na inscrição de jogadores no seu elenco na Liga dos Campeões. O Manchester City tem até o fim desta semana para aceitar o acordo, segundo noticiado pelo Guardian.

As restrições seriam um teto salarial máximo para o número de jogadores inscritos e uma multa pesada. Pode parecer pouco, mas não é. O Manchester City tem a média de salário mais alta do mundo, com US$ 8,1 milhões por jogador/ano, em média. Só para ter uma noção, o Chelsea, que é considerado um gastão do futebol europeu, gasta US$ 6 milhões por jogador/ano, em média. Mas esses são os gastadores. O Napoli, por exemplo, que jogou a Liga dos Campeões, paga US$ 2,6 milhões por jogador anualmente. O Celtic, um dos que está entre os que menos gasta, paga US$ 1,7 milhão por jogador anualmente.

Tudo isso significa o seguinte: o tamanho da punição ao Manchester City dependerá do valor do teto estipulado pela Uefa. Uma medida que parece justa seria estabelecer um teto salarial de acordo com a média das equipes que chegam à fase de grupos da Liga dos Campeões. Digamos que este teto seja, então, US$ 100 milhões por ano de folha salarial (daria uma média de US$ 4 milhões por ano por jogador, que é a folha salarial, por exemplo, do Tottenham). Se esse for o teto, significa que o City poderia gastar 53% mais que o Napoli, por exemplo, e ainda assim teria que cortar metade do seu elenco para não infringir o teto. Seria uma punição dura, mas adequada a quem quer gastar os tubos.

Podemos discutir se o Fair Play Financeiro é de fato justo – há bons argumentos que vão na direção oposta. A questão é que se a Uefa quer que essa não seja uma regra só nominal, que seja efetiva, terá que fazer punições. Essa restrição parece ser uma forma de fazer isso sem expulsar o time da competição. Seria como dizer: “Olha, você passou do limite, então terá que ficar com a sua folha na média dos outros se quiser jogar”. É justo especialmente com quem cumpriu a regra. Afinal, se quem não cumpre não é punido adequadamente, então é um incentivo ao não cumprimento.

Segundo o Guardian, o City tem tentado negociar com a Uefa para diminuir as punições, que ainda não se sabe qual será, efetivamente. Ainda segundo o jornal inglês, a negociação está complicada e, caso o time não consiga um acordo com a Uefa, a punição seja ainda maior. O Manchester City apresentou no seu balanço um patrocínio de US$ 48 milhões anuais com a Etihad Airways, que é contestado como não tendo o valor de mercado. Vale o mesmo para os US$ 277 milhões de patrocínio anual do PSG da Qatar Tourist Authority, também obviamente contestado.

A Uefa tem a faca e o queijo na mão para fazer valer a sua autoridade e mostrar que o Fair Play Financeiro não é só uma ideia que não sairá do papel. A bola está com você, Michel Platini.