Quando Thiago Alcântara chegou ao Bayern de Munique, uma das perguntas que ficava no ar era: mas para que? Thiago é um bom jogador, já tinha dado sinal disso desde que subiu ao profissional do Barcelona, em 2009. Mas parecia um excesso contratar um jogador dessa posição onde já havia fartura. Em parte, a justificativa ainda vale. O que mudou foi a sua importância no time, cada vez maior. Suas atuações têm sido ótimas e não por acaso ele parece ter ganhado a posição.

No jogo deste domingo, contra o Eintracht Frankfurt, é difícil achar quem não tenha jogado bem. Ribéry e Götze, por exemplo, foram excelentes. Thiago dá qualidade à saída de bola e ajuda a armar o time. No 4-1-4-1 de Guardiola, ele é o jogador que pode recuar para fazer dupla de volantes com Lahm ou subir para ser um meia ao lado dos jogadores mais ofensivos, como Götze, Robben e Ribéry.

Guardadas as devidas proporções e características dos jogadores, Thiago é uma espécie de Xavi de Guardiola no Bayern. É claro que, até por os times serem diferentes em termos de características, os jogadores que fazem essa função não são iguais. Xavi é como um relógio, ditando o jogo pelos passes. Thiago é mais dinâmico, se movimenta mais, chega mais ao ataque e tem mais fôlego para recompor. Pudera, tem 22 anos, Xavi tem 34. Mas ambos são desafogos do time. Será preciso ver o que ele é capaz de fazer em um jogo de alto nível, como no mata-mata da Liga dos Campeões.

O que se pode concluir, a essa altura do campeonato, é que Thiago tem justificado os € 20 milhões que foram pagos por ele. São só sete jogos como titular na Bundesliga, um na Liga dos Campeões e um na Supercopa, mas ele não parece arriscado em perder a posição. A transferência teve muita controvérsia, não só pela aparente falta de necessidade no elenco bávaro, mas por ele ser representado pelo irmão de Guardiola – um claro conflito ético.

Em campo, Thiago tem feito a sua parte. Joga, tem ido bem e deixado Toni Kroos no banco, tanto que o alemão foi especulado para deixar o clube em janeiro, o que não aconteceu. Guardiola arriscou bastante com essa contratação, mas, ao que parece, é uma aposta justificada.