Erick Thohir mal assumiu a presidência da Internazionale e já deu um tiro no pé. Abrir negociações para a troca de Fredy Guarín por Mirko Vucinic, da Juventus, é uma das piores coisas que o indonésio poderia ter feito em seu início de gestão em Milão. Quando o acordo estava perto de ser selado, veio o aviso da Curva Nord, torcida organizada interista: a troca não seria tolerada. Ambos os atletas já deram o aval para a negociação, e o presidente da Juve, Andrea Agnelli, obviamente não tem nenhuma oposição. Já o mandatário da Inter tem um grande problema em mãos. Falta apenas o seu OK para que o negócio seja concretizado. Volte atrás enquanto há tempo, Thohir.

Fredy Guarín é um dos melhores jogadores do atual elenco da Internazionale. Tem 27 anos, é titular da equipe de Walter Mazzarri, tem três gols na Serie A e já deu sete assistência para que os companheiros marcassem. No mediano grupo interista, é certamente uma das melhores peças, talvez ficando atrás apenas de Rodrigo Palacio. Perdê-lo para um time de fora da Itália já seria ruim, agora para um rival nacional? E pela chegada de um atacante de 30 anos que nunca passou perto de ser excepcional? Não dá para entender qual foi o raciocínio de Thohir ao abrir as negociações.

Em seu site oficial, a Curva Nord publicou um comunicado de repúdio à negociação. “A transferência que está acontecendo agora de um dos jogadores mais importantes da Inter para outro time italiano é a gota d’água.” “O que continuamos a nos perguntar é: temos um presidente? Ao Sr. Thohir, recomendamos que esqueça o beisebol, a NFL, a NBA ou outras coisas que estão a anos luz de nossa realidade. Queremos atos concretos e menos ‘negócios’. Estamos na Itália, não na Indonésia ou nos Estados Unidos. Mas você é convidado a permanecer nesta casa. É que (a transferência de) Guarín para a Juve não é aceitável neste momento. Um jogador jovem e bom tecnicamente por um pior? Tudo isso nos deixa confuso.”

A torcida talvez esteja traumatizada (com toda a razão do mundo) por negociações trágicas da Inter com seus rivais em um passado não tão distante. Em 2001, os nerazzurri venderam Andrea Pirlo para o Milan, recebendo como parte do pagamento o volante croata Brncic. Um ano depois, a Inter trocou Seedorf por Francesco Coco com o Milan. Em 2004, pegou o goleiro Carini, da Juventus, e cedeu o zagueiro Fabio Cannavaro.

Na capa do site da Gazzetta dello Sport, há um post acompanhando minuto-a-minuto a negociação entre Juve e Inter, que segue hoje mesmo após o comunicado da organizada interista. Neste momento, segundo uma das atualizações, cerca de 100 torcedores do time de Milão estão do lado de fora da sede do clube entoando cantos pró-Moratti, antigo presidente que ficou de 1995 até o ano passado.

Apesar de a interferência de torcidas organizadas no comando de um clube normalmente não ser um bom sinal, desta vez a reação é completamente compreensiva. Thohir está chegando agora e precisa estar em maior sintonia com seu torcedor. É inacreditável que ele não tenha visto qual o problema da troca e não tenha previsto que a negociação não seria bem aceita (se bem que ele disse que seu jogador preferido era Ventola, o que denota uma falta de senso crítico para futebol do tailandês). Se seguir em frente precisará operar milagres no futuro para conquistar a simpatia do torcedor, seja ele de uniformizada ou não.

Atualizado às 15h30: A Internazionale divulgou em um comunicado oficial a decisão de desistir da troca de Vucinic por Guarín. Menos mal pelo negócio ruim que iam fazer. Porém, depois de forçar a barra, é difícil imaginar que o colombiano ficará por muito tempo em Milão.