Com atuais 14 equipes, o futebol catariano vem se desenvolvendo, mas ainda está longe de ser comparado às ligas de Japão e Coreia do Sul, as mais ricas e organizadas da Ásia. Entretanto, o Catar conseguiu atrair em 2013/14 108 jogadores estrangeiros, sendo alguns importantes.

O Al Sadd, por exemplo, tem o atacante madrileño Raúl, mas os brasileiros também se destacam. Dos 28 jogadores tupiniquins no Catar – o país forasteiro com o maior número –, Nilmar (El Jaish), Rodrigo Tabata (Al Sadd), o folclórico zagueiro Domingos (Al Kharitiyat), William (ex-Ponte Preta) e Madson (Al Khor), Nenê (Al Gharaffa) e o ex-botafoguense Victor Simões (Umm Salal) são alguns que merecem ser citados.

Mas certamente os que têm mais a comemorar na temporada 2013/14 são Nilmar e Rodrigo Tabata. Não porque ficaram com o título… O Lekhwiya foi o vencedor pela terceira vez na história, ao somar 53 pontos em apenas 26 rodadas, cinco de vantagem para o El Jaish de Nilmar e seis à frente do Al Sadd de Tabata.

Os dois brasileiros pelo menos se livraram de ter nos respectivos currículos um rebaixamento para a obscura segunda divisão nacional. Sim, a antiga equipe de ambos, o Al Rayyan, saiu da quarta posição em 2012/13, que lhe deu vaga na Liga dos Campeões da Ásia 2014, para o terrível 13º lugar, com 29 pontos (7v, 8e, 11d).

Foi o segundo rebaixamento do Al Rayyan na história – o primeiro ocorreu em 1987/88 –, graças ao saldo de gols inferior ao do Al Kharitiyat (-6 contra -3). Mesmo com poucas mudanças no elenco, pois antes da temporada apenas Nilmar (vendido por € 8 milhões) deixou a equipe, que em compensação trouxe os veteranos Lucho González, 33 anos (€ 3,3 milhões junto ao Porto), e Kalu Uche, 31 – havia outro nigeriano, Yakubu Aiyegbeni, de 31 anos, ex-Everton e Blackburn Rovers.

Desastre total

Com elenco de 41 jogadores, o Al Rayyan estava avaliado em € 14,6 milhões, o mais caro do Campeonato Catariano, à frente de Al Gharafa (€ 12,5 milhões), Lekhiwiya (€ 11,1 milhões) e El Jaish (€ 10,9 milhões). Porém, tanto dinheiro e alguns jogadores talentosos não foram suficientes para o Al Rayyan fazer uma boa campanha.

Já na sexta rodada, a equipe mostrou dificuldades e estava no 12º lugar, com quatro pontos, o primeiro fora da zona da degola. A diretoria achou que o problema era o técnico uruguaio Diego Aguirre (ex-atleta de Inter e São Paulo e ex-técnico do Peñarol) e o demitiu em 30 de novembro.

O técnico espanhol Manolo Jiminez, que tinha trabalhado em Sevilla, AEK e Zaragoza, assumiu o time com a incumbência de levá-lo ao lugar de costume, nas primeiras posições da tabela – o Al Rayyan tem sete títulos nacionais, o último deles em 1994/95. Aos poucos, o Al Rayyan foi deixando as posições derradeiras, mas sempre ficou perto da zona de rebaixamento.

No início da segunda metade da temporada, o Al Rayyan ainda tinha Rodrigo Tabata (sairia de graça para o Al Sadd após a 18ª rodada) e passou a contar com Lucho Gonzáles apenas uma rodada antes. Mas nem a classe do argentino conseguiu salvar a equipe da vexamosa queda para a segunda divisão.

Com 15 rodadas, lá estava o Al Rayyan de volta à zona de rebaixamento, um ponto atrás do Umm Salal (13 contra 14), o que já era preocupante. Kalu Uche, contratado junto ao El Jaish, estreou no início de fevereiro e era uma das esperanças, ao lado de Lucho González, de permanência na elite nacional – Yakubu e Uche jogaram juntos na Copa do Mundo 2010.

A cinco rodadas do fim, a equipe somava 18 pontos, três a menos que o Al Khor, já não dependendo de si para continuar na elite nacional em 2014/15. Kalu Uche fez sua parte ao marcar sete gols em oito jogos, o que a princípio afastou o Al Rayyan da degola – dois pontos à frente do Al Wakrah, a três partidas do fim.

Entretanto, a derrota para o El Jaish deixou a equipe em situação desesperadora: com 26 pontos, o Al Rayyan precisava vencer o lanterna Al Mu’aidar na rodada final e torcer por derrota do Qatar SC, para tirar a diferença de dois pontos. No triunfo de 4 a 2, Uche fez um e Yakubu marcou dois gols, mas o resultado não foi suficiente. Lucho González deve ter se arrependido de ir atrás do dinheiro catariano…

Informações

- A briga contra o rebaixamento foi intensa. Apenas o lanterna Al Mu’aidar foi muito mal, somando apenas 14 pontos em 26 jogos (4v, 2e, 20d), comprovando a razão de ter o elenco mais barato (€ 1,7 milhão). O oitavo colocado, Al Wrakah, acumulou 32 pontos, apenas três de vantagem para o 13º Al Rayyan.

- Como era de se esperar, a campanha do Al Rayyan na Liga dos Campeões da Ásia 2014 está sendo ridícula. No Grupo A, ao lado de Al Shabab (Arábia Saudita), Al Jazira (Emirados Árabes) e Esteghlal (Irã), a equipe soma apenas três pontos em quatro jogos, na lanterna. O time tem seis participações no torneio, mas nunca passou da fase de grupos.

- O desconhecido atacante congolês Alain Kaluyituka, 27, da seleção de seu país, foi o artilheiro da liga nacional ao marcar 22 gols com a camisa do Al Ahli Doha. O primeiro entre os catarianos foi Khalfan Ibrahim, do Al Sadd (14 gols), enquanto o melhor brasileiro foi Adriano (defendeu o Vasco na Série B 2009), do Qatar SC, com 13 tentos.

- O Al Sadd é o único time do Catar a levantar a Liga dos Campeões da Ásia. O primeiro troféu veio em 1988/89, com empate de 3 a 3 diante do Al Rasheed (Iraque), pelo gol marcado fora de casa. Em 2011 foi mais sofrido: em jogo único, vitória sobre o Jeonbuk Motors (Coreia do Sul) nas penalidades máximas (4 a 2).

- Os representantes do Catar na Liga dos Campeões 2015 serão Lekhiwiya e El Jaish (fase de grupos) e Al Sadd e Al Sailiya (fase preliminar). Este último fará sua estreia em nível internacional.

- O Al Sadd é o maior vencedor no Catar, com 13 títulos e quatro vice-campeonatos. A seguir vêm Qatar SC (oito), Al Rayyan, Al Gharafa e Al Arabi (todos com sete troféus), Lekhwiya e Al Maref (três) e Al Wakrah (dois).