Pouco depois do gol da Suíça, Tite começou a preparar a sua primeira substituição. Tirou Casemiro, que havia tomado cartão amarelo, e colocou Fernandinho. Em sete minutos, fez outra: trocou Paulinho por Renato Augusto. Mais para o fim da partida, sacou Gabriel Jesus e lançou Roberto Firmino. Três mexidas e muito pouco para alterar a sorte do Brasil no empate por 1 a 1 com a Suíça, na estreia da Copa do Mundo. 

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O treinador brasileiro explicou as mudanças na entrevista coletiva depois da partida. Não costuma, segundo ele, tirar um jogador “só por cartão”, mas viu Casemiro executar dois movimentos seguidos “perigosos”. “E eu tenho um jogador de alto nível que exerce essa função”, explicou. A entrada de Renato Augusto foi explicada por se tratar de um “articulador”, em um momento em que o Brasil estava totalmente sem meio-campo, e porque Paulinho “não estava no seu melhor dia”. Firmino entrou porque está “muito bem”. “Para mim, os três entraram bem”, avaliou. 

Nenhum deles comprometeu. Firmino teve duas oportunidades para fazer 2 a 1, o que é mais que Gabriel Jesus teve em 80 minutos. Fernandinho pelo menos manteve o nível do meio-campo e tentou duas finalizações. Renato Augusto, porém, foi discreto demais. Para um jogador que entrou em campo para ser o “articulador”, deu apenas 13 passes em 28 minutos em campo (contando os acréscimos). Nenhum terminou em finalização e a única vez em que apareceu na frente foi no apagar das luzes, com um chute cortado pela defesa. 

Aliás, os meias merecem um parênteses. Tite afirmou que Renato Augusto ainda está em “processo de retomada” e pode “dar muito mais”. Ao mesmo tempo, Fred, que se machucou durante a preparação, nem estava no banco de reservas. Coutinho, original da ponta esquerda, ainda está se adaptando à função. Isso deixa o treinador com apenas três jogadores puros e em forma para a posição: Paulinho, Fernandinho e Casemiro. Pode acabar fazendo falta em algum momento. 

Mais do que analisar atuações individuais, a questão é que as alterações pareceram conservadoras demais. Saiu um volante, entrou um volante. Saiu um centroavante, entrou um centroavante. Saiu um meia, entrou outro meia – aqui, a única mudança sutil, ao trocar um jogador de infiltração na área por outro que teoricamente aprimora o passe. Enquanto isso, jogadores como Douglas Costa e Taison ficara no banco de reservas. 

Uma das críticas à preparação da seleção brasileira foi a ausência de alternativas para o time titular. Uma foi realmente testada e colocada em campo logo na estreia, com Willian pela direita, Coutinho no meio-campo, e Renato Augusto no banco de reservas. Nenhuma outra apareceu. Por exemplo: Fernandinho e Paulinho mantidos, com Douglas Costa entrando pela esquerda para liberar Neymar da ponta esquerda, ou Firmino, junto com Gabriel Jesus, mais recuado para auxiliar na armação. Ou mesmo uma mudança do tradicional 4-3-3 para o 4-2-3-1 sem modificar as peças, com Coutinho encostando em Jesus. 

Pode ser que não desse certo, nem fosse melhor, mas seria interessante ver que Tite tem algumas cartas na manga para os momentos em que precisa correr atrás de um resultado, além de fazer trocas padrões que não modificaram o cenário: Firmino foi melhor que Jesus, mas não foi uma ameaça constante; nem o Brasil retomou o controle do meio campo com Renato Augusto.