Uma tragédia como a queda do avião que levava a Chapecoense, com sua comissão técnica, jogadores e dirigentes, além de jornalistas, mexe com todo o mundo. É, antes de tudo, uma tragédia humana. Para quem acompanha futebol, é uma dor incrível, como se tivéssemos perdido alguém que conhecemos. E conhecemos mesmo. A proximidade que temos com a Chapecoense tem a ver com quem trabalha para tornar isso possível. Das 71 mortes, além de 19 jogadores da Chapecoense, havia também 20 jornalistas, que tinham a missão de continuar trazendo a Chape às nossas vidas.

Nós acompanhamos a trajetória do time da Chapecoense, suas histórias, seus jogadores, seu técnico, sua torcida. Vemos seus jogos, lemos o noticiário sobre eles, assistimos a entrevistas. Conhecemos, por reportagens, as histórias das vidas de cada um desses jogadores. Vemos o técnico contando como chegou até ali, o que sonhava. Ouvimos abrindo seus corações. Se emocionando. Marcando gols nas suas vidas. A Chapecoense está nas nossas casas e conosco nos nossos celulares onde quer que estivermos por conta desses relatos, imagens, do trabalho de cada um dos jornalistas.

O relato que os jornalistas, sejam narradores, repórteres, produtores, cinegrafistas,  nos ajudavam a acompanhar esta história da Chapecoense. O conto de fadas saiu do oeste de Santa Catarina e ganhou o Brasil e o mundo. “Leicester brasileiro”, relataram veículos ingleses. É, em parte, por isso que nos sentimos tão próximos a cada um deles, ali. É por isso também é que tão difícil aceitar e sair do choque diante de uma notícia como essa. Estamos diante de pessoas que estavam em redes sociais, seguíamos muitas delas, um contato que se faz próximo.

A dor é imensa e é difícil explicar. Olhar as imagens da Chapecoense enche os olhos de lágrimas. A história da Chape é fácil de se identificar. A batalha de um time pequeno, com todas as dificuldades, para seguir em um dos campeonatos mais duros do mundo, o Brasileiro. O trabalho da imprensa é também esse: contar as boas histórias. A Chape é uma grande história e os jornalistas que seguiram o time o fizeram para contar, com ainda mais detalhes, essa história fantástica. Para podermos ver, ouvir, ler, se emocionar.

A cada momento, a cada nova informação, cada vídeo, foto, relato, nossos corações se despedaçavam um pouco. Morríamos um pouco com todos ali naquele voo, vendo uma história tão linda ser interrompida de forma dramática, trágica, violenta, cruel. E foram também por jornalistas que foram até Chapecó e a Medellín que pudemos continuar acompanhando e torcendo para que aparecessem sobreviventes, torcendo pela melhora de cada um deles.

Foram profissionais que tiveram que conter suas emoções diante de uma tragédia tão terrível para buscar as informações de forma precisa, trazer um pouco mais de esclarecimento em um fato que abala qualquer um que tenha um pouco de humanidade em si. Alguns não seguraram a emoção. As vozes embargaram. Nós entendemos. Tantos os textos que escrevemos aqui na Trivela em lágrimas, enquanto lamentávamos entre nós algo tão terrível ter acontecido, nos colocando no lugar dos amigos e familiares de cada vítima. Sentindo a dor que nos atormenta.

Aqueles jornalistas que estavam no voo morreram no exercício da sua profissão. Viajaram para que nós pudéssemos ver, ouvir e sentir esse time tão perto. A perda deles também é muito sentida. Muitos com os quais tínhamos contato, outros nem tanto, mas todos que estavam em busca de nos trazer um pouco mais desta história. Estavam prontos a levar, mais uma vez, a Chapecoense às nossas casas, aos bares, aos computadores, aos celulares.

Foi a maior tragédia esportiva e paralelamente também a maior tragédia que matou profissionais de imprensa. Foram 20 deles, que certamente trariam um pouco mais dessa magia que tanto nos encantou na Chapecoense. Que todas as suas famílias tenham conforto neste momento difícil.

A lista dos 20 jornalistas que morreram no acidente do LAMIA Bolivia RJ85:

  • Victorino Chermont (Fox Sports)
  • Rodrigo Santana Gonçalves (Fox Sports)
  • Deva Pascovich (Fox Sports)
  • Lilacio Júnior (Fox Sports)
  • Paulo Clement (Fox Sports)
  • Mario Sergio Pontes de Paiva (Fox Sports e ex-jogador)
  • Guilher Marques (Globo)
  • Ari de Araújo Júnior (Globo)
  • Guilherme Laars (Globo)
  • Giovane Klein (repórter da RBS TV de Chapecó)
  • Bruno Mauro da Silva (técnico da RBS TV de Florianópolis)
  • Djalma Araújo Neto (cinegrafista da RBS TV de Florianópolis)
  • Adré Podiacki (repórter do Diário Catarinense)
  • Laion Espindula (repórter do Globo Esporte)
  • Renan Agnolin (Rádio Oeste Capital)
  • Fernando Schardong (Rádio Chapecó)
  • Edson Ebeliny (Rádio Super Condá)
  • Gelson Galiotto (Rádio Super Condá)
  • Douglas Dorneles (Rádio Chapecó)
  • Jacir Biavatti (RIC TV e Rádio Vang FM)

Acompanhe toda nossa cobertura da tragédia da Chapecoense aqui.