A torcida do Millwall tem uma péssima reputação na Inglaterra, conhecida por ser uma das mais violentas. Tem um grito de guerra bem sugestivo: “Ninguém gosta de nós e não nos importamos”. Um deles, porém, virou herói. Roy Larner, 47 anos, encarou no punho três terroristas armados com faca, no atentado na Ponte de Londres que deixou sete mortos e 48 feridos, no último sábado. Depois de atropelar pedestres com uma van, os terroristas começaram a esfaquear pessoas na região do Borough Market, até Larner enfrentá-los, dando aos outros uma chance de escapar.

LEIA MAIS: A tocante mensagem de despedida que Alan Pardew escreveu a Cheick Tioté

Larner está internado na unidade de tratamento intensivo do hospital St. Thomas, com feridas de faca em todo o seu corpo, e se tornou um herói nas redes sociais. Uma petição on-line, assinada por mais de 4 mil pessoas, pede que ele receba a medalha George Cross, condecoração do governo britânico a atos de bravura e coragem, categoria na qual Larner certamente se encaixa. Uma vaquinha on-line já arrecadou £ 16 mil para ajudá-lo em sua recuperação. Segundo ele, em entrevista ao The Sun, os terroristas começaram a gritar “Islã, Islã” e “Isso é por Alá”.

“Como um idiota”, conta, “eu gritei de volta para eles. Eu dei alguns passos em direção a eles e disse: ‘Vão se foder, eu sou Millwall!’. Então, eles começaram a me atacar. Eu fiquei na frente deles, tentando lutar. Todo mundo correu para os fundos. Eu estava sozinho contra três, por isso me machuquei tanto. Era apenas eu, tentando agarrá-los com minhas mãos nuas, e tentando me segurar. Eu fui esfaqueado oito vezes. Acertaram minha cabeça, meu tronco e minhas mãos. Havia sangue em todo lugar. Eles diziam: ‘Islã, Islã’. Eu disse de novo: ‘Vão se foder, eu sou Millwall!’. Foi a pior coisa que eu poderia ter feito porque eles continuaram me atacando”.

Por sorte, afirma Larner, nenhum dos terroristas conseguiu acertá-lo em cheio com as facas e por isso ele continua vivo. Eventualmente, os agressores saíram correndo do restaurante, e o torcedor do Millwall correu atrás deles. “Foi apenas quando eu vi um carro da polícia que eu percebi o quão machucado eu estava. Eu fui todo esfaqueado. Eu não pensei na minha segurança naquele momento”, afirmou. “Eu tinha tomado quatro ou cinco pints, nada demais. Eu consigo me virar”.

O Leão da Ponte de Londres, como Larner está sendo chamado, em referência ao mascote do Millwall, recebeu um presente de seus amigos no hospital. Uma revista com a capa: “Aprenda a correr”. Nada como o humor britânico.