É costumeiro dizer que futebol é entretenimento, é diversão, é alegria. Pois bem: neste sábado, um estudo inglês revelado pelo diário “The Washington Post” trouxe outro viés ao tema. Peter Dolton e George MacKerron, economistas da Universidade de Sussex, realizaram um trabalho acadêmico que concluiu: a tristeza que um torcedor pode sentir ao ver a derrota do time pode suplantar em mais de duas vezes a alegria sentida por uma vitória. Tal trabalho foi feito tendo como escopo cerca de 3 milhões de respostas que torcedores britânicos deram a um aplicativo desenvolvido por Dolton e MacKerron.

Neste aplicativo, cedido a uma amostra com 32 mil pessoas, cujas respostas eram apuradas várias vezes ao longo de um dia, os economistas perguntavam o quão felizes se sentiam os membros da amostra, bem como se estavam com alguém ou o que faziam. Junto ao aplicativo, um geolocalizador indicava se os pesquisados haviam estado num estádio, ou se estavam num, no momento da pergunta.

Aí surgiam as conclusões: em média, na hora imediatamente posterior à vitória do time para o qual torciam, os pesquisados se sentiam 3,9 vezes mais felizes do que o habitual. Exatamente a metade do impacto da tristeza: na hora posterior a uma derrota, o sentimento era cerca de 7,8 vezes mais triste (ou irritadiço) do que o notado em situações como esperar por muito tempo numa fila, estudar ou trabalhar.

Só restou a Dolton fazer piada da própria situação. Torcedor do Newcastle, o economista da Universidade de Sussex brincou: “Na verdade, já vi meu time perder jogos decisivos em Wembley por sete vezes. Provavelmente, senti mais dor do que qualquer outro torcedor de futebol. É realmente confortante saber que não é nada incomum”. Talvez qualquer torcedor possa dizer essa frase, com as mudanças geográficas correspondentes.