A organização da Premier League é um grande exemplo a ser seguido no mundo todo. Os jogos são de qualidade, o produto é valorizado, e, ano após ano, o dinheiro movimentado pelo torneio só aumento. Mas tudo isso não pode ofuscar um problema sério, consequência de toda essa bonança: a homogeneização do público das arquibancadas. Os torcedores não estão acompanhando calados a essas mudanças e, embora pouco ouvidos, não deixam de marchar por aquilo que consideram seu direito. Nesta quinta-feira, as ruas de Londres foram o palco de um protesto, com a Premier League como alvo e muitos argumentos consistentes embaixo do braço.

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A principal base para as reclamações em relação ao preço dos ingressos está nos valores recebidos pelos clubes em troca dos direitos de transmissão na TV. Entre 2010 e 2013, o montante era de £ 1.7 bilhão. Atualmente, o número já alcança £ 5.5 bilhões, mas os benefícios do aumento não se estenderam aos torcedores. Neste período, não houve diminuição no preço dos ingressos, mesmo existindo a possibilidade disso ser feito, afinal o salto da renda com a TV não foi pequeno. Tal postura demonstra a preocupação quase que exclusiva com a expansão do lucro, coisa normal para uma empresa, mas que não será facilmente engolida por aqueles que se acostumaram a ver suas agremiações como algo a que pertenciam – e da qual foram sendo afastados gradativamente.

Na contramão disso, a Bundesliga se baseia na relação com o torcedor e na importância do papel social do futebol. Isso nas palavras do dirigente Christian Seifert, vice-presidente da Federação Alemã e CEO da liga. Você pode até duvidar da pureza desse discurso, mas a verdade é que as diferenças de preços entre os dois campeonatos é significativa: “O Bayern de Munique ganha de € 30 (£ 24) a € 40 (£ 32) milhões por ano a menos que o Manchester United em venda de ingressos, o que significa € 300 (£ 240) milhões em dez anos. Nós (da Bundesliga) não temos influência no preço dos ingressos. Todos os clubes podem decidir por conta própria, mas uma espécie de bom senso prevalece”.

Na elite alemã, o preço médio dos ingressos é de £ 18,4, enquanto na Inglaterra, o Manchester United cobra £ 31 em sua entrada mais em conta, o que é até “barato” comparado com o que o Arsenal cobra para o mesmo tipo de ingresso (£ 65,50) ou até mesmo o West Ham e suas £ 44 pela entrada mais popular.

"Enfie o preço do ingresso no seu 'Arsenal'", protesta torcedor do City no Emirates, em 2013 (AP Photo/Alastair Grant)

“Enfie o preço do ingresso no seu ‘Arsenal'”, protesta torcedor do City no Emirates, em 2013 (AP Photo/Alastair Grant)

A Premier League, alvo dos protestos desta quinta, sempre sai pela tangente, afirmando que tais decisões cabem aos clubes, individualmente. Malcolm Clarke, presidente da Football Supporters’ Federation, grupo que defende os interesses dos torcedores e organizadora da marcha, não se contenta com a explicação e cobra ação da liga: “A Premier League são os clubes. Eles têm reuniões constantemente com os clubes e são uma organização de clubes, então é um pouco ridículo da parte deles dizer que os preços são estabelecidos pelos clubes. O que queremos dos dirigentes da Premier League é que coloquem pressão sobre os clubes para que ajam nesse sentido, mas se isso falha a responsabilidade é do clube. Não fazemos essa distinção esquisita entre Premier League e os clubes. Cabe a eles agir sobre isso, porque eles estão tirando o corpo fora ao afirmar que são separados”.

A bandeira da marcha desta quinta-feira foi basicamente a de um futebol acessível para todos. A Football Supporters’ Federation também havia realizado a marcha no ano passado, com uma pauta mais específica, pedindo a redução do preço das entradas para jogos fora de casa. Aquelas demandas resultaram na criação de um fundo para subsidiar viagens de torcidas a outras cidades para as partidas. Clarke viu as pequenas vitórias obtidas então como um “pequeno passo na direção certa”, mas entende que o caminho para a reversão desse processo de exclusão econômica nas arquibancadas só existirá se a pressão continuar. Pelo poder de repercussão que o futebol inglês tem, que a palavra dos torcedores seja efetivamente ouvida.

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