O Paraná Clube vive meses completamente transformadores. A conquista do acesso à Série A, depois de uma década disputando a Segundona, é o motivo óbvio da alegria na Vila Capanema. Mas a atmosfera diferente já toma o estádio faz mais tempo, especialmente pelo engajamento da torcida diante das ações da diretoria. Um belo exemplo disso veio em 2015, ainda em momentos difíceis: reconhecendo as dificuldades, o clube publicou um pedido de desculpas, reduzindo o preço dos ingressos. Ano passado,  a comoção aconteceu em torno do lançamento da nova camisa e do plano de sócios, no que anunciavam como “maior evento da história”. Só que nada superou o que se viu em outubro, com os 40 mil que impuseram o novo recorde de público à Arena da Baixada. Nada superou ao menos até sábado.

A convulsão coletiva toma a torcida paranista desde o domingo, quando o time retornou a Curitiba, após conquistar o acesso. Ainda há mais um compromisso pela Série B, encerrando a participação contra o Boa Esporte. E o Paraná, que mandará o jogo no Couto Pereira, promete outra invasão em estádio rival, mas de um jeito diferente. Os ingressos não terão preço definido, variando conforme o desejo do próprio torcedor – embora, por determinação do regulamento da CBF, exista um valor mínimo de R$20. A diretoria conta com o apoio de sua massa, lançando a campanha “Quanto vale?”. Assim, espera facilitar o acesso aos menos abastados e também arrecadar doações dos mais generosos.

Vale lembrar que, ao jogar na Arena da Baixada, o Paraná Clube já havia tomado uma série de medidas interessantes na venda de ingressos. As arquibancadas foram vendidas por R$60, enquanto o setor VIP saiu a um preço de R$100. E o acesso à meia entrada foi bastante amplo. Ela foi oferecida a torcedores que comprassem o bilhete com a camisa do clube e a pessoas que doaram sangue nos últimos seis meses, além de portadores de deficiência, professores, estudantes e idosos. A atitude motivou até mesmo um debate sobre o preço dos ingressos cobrados em Curitiba. Mais uma vez, a discussão volta à tona nesta semana.

Obviamente, há uma série de consequências a serem pensadas – e, para evitar o cambismo, cada pessoa não pode adquirir mais do que cinco bilhetes por CPF. Mas nada tira os méritos do Paraná em clamar a sua torcida e mexer com ela de maneiras diferentes, sem precisar forçá-la a nada. “Três mil seiscentos e cinquenta dias depois, nós voltamos. E diz uma coisa: quanto vale isso pra você? Quanto vale ter de volta aquela vontade de abrir o jornal cedo na segunda-feira? Quanto vale ver renascer o orgulho de vestir essa camisa? Quanto vale?”, afirma o material promocional, divulgado pelos tricolores. A abertura das bilheterias nesta quarta já rendeu enormes filas.

Segundo o Paraná Clube, o dinheiro será direcionado para bancar a premiação de atletas e funcionários. “Todo paranista sabe quanto esperou por este dia. Por isso, mais do que determinar um valor fixo nos ingressos, resolvemos abrir as portas do estádio para todos. Desde os que podem contribuir, até para os menos favorecidos. Trouxemos o jogo para um estádio maior e tornamos a partida em mais um momento de união. Esperamos que os paranistas venham e contribuam com quanto puder. Se tem condição de pagar R$ 20? Paga vinte. Acha que vale mais e pode pagar R$ 50, paga cinquenta. Esse dinheiro será muito importante para o clube neste fechamento de ano. E, temos certeza, que este o time e o clube merecem demais este apoio”, apontou o presidente Leonardo de Oliveira. Agora é ver como se dará na prática aquela que parece uma boa ideia.