Um dos segredos menos secretos do futebol europeu era que Lucas Torreira assinaria pelo Arsenal. A transferência estava praticamente certa desde antes da Copa do Mundo e foi anunciada oficialmente, nesta terça-feira. O volante uruguaio tornou-se o quarto reforço da nova era do clube do norte de Londres, agora comandado por Unai Emery. E, por enquanto, é o mais empolgante de todos.

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Torreira tem apenas 22 anos. É mais jovem que Bernd Leno (25), um goleiro para brigar pela titularidade com Petr Cech ou David Ospina. E também que Sokratis (30) e Stephan Lichtsteiner (34), nomes contratados para injetar um pouco mais de experiência e espírito vencedor a um elenco que peca nos dois quesitos. Se tudo der certo, o uruguaio é um jogador para defender o Arsenal por muitos anos. E por um valor módico: apenas € 30 milhões, o que é preço de jujuba no mercado europeu de hoje em dia.

“Contratamos um jogador jovem que é um grande talento do futebol. Um meia com grande qualidade, que eu gostava de ver jogar nas últimas duas temporadas pela Sampdoria. E todos vimos o que ele fez pelo Uruguai na Copa do Mundo. Ele é um jogador jovem que já tem boa experiência, mas que quer continuar crescendo”, explicou o treinador Unai Emery.

A chegada de Torreira serve para refrescar e qualificar o meio-campo do Arsenal. Entre os jogadores que atuam no setor, apenas Granit Xhaka tem qualidade indubitável. Os outros volantes são Francis Coquelin e Mohamed Elneny. Nenhum deles inspira confiança. O próprio Xhaka passou por momentos de dificuldade. Levou cartões amarelos demais e muitas vezes exagerou na força.

Mas podemos olhar por outro ponto de vista também, dando uma aliviada para o suíço: ele frequentemente atuou sobrecarregado, justamente pela carência do setor. Se for isso, o seu desempenho tende a melhorar jogando ao lado de Torreira, um volante que mistura pegada com qualidade no passe e encaixa perfeitamente no DNA do Arsenal.

Na última temporada, ao longo de 33 partidas, ele foi o segundo meia com mais interceptações na Serie A (67), atrás de Rolando Mandragora, do Crotone, e o primeiro em bloqueios (16), ao lado de Ivan Radovanovic, do Chievo. Ainda foi o segundo com mais desarmes (66 ou 41%), perdendo apenas para Lucas Leiva, da Lazio, um especialista no movimento.

Torreira chegou à Itália por meio do Pescara. Trabalhando com Massimo Oddo nas categorias de base, mudou de posição: de armador ofensivo para o volante que atua à frente dos zagueiros. O jogador precisou de um tempo para se adaptar, mas, quando Oddo assumiu o time principal, começou a brilhar na nova função. Na temporada 2015/16, já estava vendido para a Sampdoria, mas passou mais um ano emprestado ao Pescara, participando da campanha de acesso do time à elite italiana. Marcello Donatelli era o auxiliar técnico.

“Ele sempre foi forte na compreensão dos aspectos defensivos e é muito maduro taticamente, em como lê o jogo. Ele pode lidar com os buracos que aparecem no meio-campo com muita inteligência e faz a cobertura muito bem. Ele é um daqueles jogadores que corrigem os espaços e corta os passes entre as linhas na fase defensiva. Depois de Sergio Busquets, é taticamente o meio-campo mais forte da Europa”, afirmou Donatelli, à Sky Sports.

Torreira rapidamente entrou no time da Sampdoria, com 35 partidas, sempre como titular, na primeira temporada em Gênova. Na segunda, fez mais 36. Ficou fora apenas na última rodada e quando foi suspenso por cartões amarelos. Estreou na seleção uruguaia já na preparação para a Copa do Mundo. Começou o torneio russo na reserva, mas foi titular contra a Rússia, na última partida da fase de grupos, e ganhou a posição para o mata-mata.

O jogador de 22 anos ainda precisa se adaptar ao jogo mais veloz da Inglaterra. Mas Torreira não é um homem que se incomoda com dificuldades. Roberto Druda, olheiro do Pescara para a América do Sul que o descobriu no Uruguai, conta uma história que mensura toda a sua força de vontade. “Depois de um ano, ele me disse que tinha algo em um dos seus pés. Eu o levei a um especialista para verificar e o médico me disse: ‘esse garoto tem sete verrugas no pé, ele não pode nem andar’. Mas ele vinha jogando com a dor por meses e meses e não disse nada porque estava com medo de perder lugar na equipe. Ele vive para o futebol. É extraordinário”, disse, ao Calciomercato. Além das qualidades técnicas, esta raça uruguaia também pode ser bem útil para o Arsenal.