Uma das explicações para o primeiro turno abaixo do esperado feito pelo Tottenham esteve nos confrontos diretos com o chamado “Top Six” da Premier League. Exceção à goleada aplicada sobre o Liverpool, os Spurs foram derrotados por todos os outros candidatos às primeiras colocações. E isso obviamente congelou as possibilidades dos londrinos na tabela. Nesta quarta, o time de Mauricio Pochettino entrou em campo para se provar. Recebia em Wembley o Manchester United, que promovia a estreia de Alexis Sánchez pela liga. Pois os Red Devils mal tiveram chances de acreditar no resultado. Com 11 segundos, o Tottenham já abria o placar. E em uma atuação eficiente, explorando os erros dos visitantes, celebraram bastante o triunfo de 2 a 0, essencial para os seus anseios.

Tanto Pochettino quando José Mourinho puderam escalar seus protagonistas na noite. Só que o nível de atenção logo nos primeiros instantes fez a diferença ao Tottenham. Com a saída de bola, os Spurs mandaram o lançamento ao ataque. Harry Kane brigou, Dele Alli tentou e surgiu um clarão no meio da defesa mancuniana, com a bola livre para Christian Eriksen bater. O dinamarquês mandou no canto e não deu tempo de reação da David De Gea. A postura elétrica dos londrinos já fazia a diferença, abrindo o placar de maneira tão precoce. Foi o segundo gol mais rápido da história da Premier League.

O Manchester United tentou responder na sequência, mas Hugo Lloris manteve a segurança. E por mais que os Red Devils tivessem mais posse de bola, não se aproximavam da noite inspirada do Tottenham. Os Spurs se fechavam bem e, a partir dos 20 minutos, passaram a envolver os visitantes. Em duelo bastante intenso, o toque de bola trabalhado dos londrinos fez a diferença. Os mancunianos viviam um pesadelo pelo lado esquerdo da defesa. Assim, o segundo gol aconteceu de maneira natural, ainda que originado por um erro bisonho, aos 28 minutos. Com uma avenida pela frente, Kieran Trippier cruzou e Phil Jones mandou contra o próprio patrimônio.

De novo, o United buscou o gol logo depois do susto, em arremate de Anthony Martial. De novo, parou em ótima intervenção de Lloris. E, com a vantagem estabelecida, o Tottenham quase anotou o terceiro pouco antes do intervalo. De Gea conseguiu parar a tentativa de Harry Kane. Durante o segundo tempo, depois de um lance perigoso de Son, os Red Devils esboçaram uma reação. Reclamaram de um pênalti, após toque no braço do sul-coreano. E viram Lloris se agigantar sob as traves mais uma vez, rebatendo pancada de Romelu Lukaku. As alterações de Mourinho, porém, surtiram pouco efeito. O treinador colocou Juan Mata e Marouane Fellaini nas vagas de Jesse Lingard e Paul Pogba, mas não colheu frutos.

Na meia hora final, o jogo em Wembley esteve sob as ordens de um time só. E este foi o Tottenham. Os Spurs controlavam a posse de bola e criavam as melhores chances. Não à toa, o United não finalizou uma vez sequer neste intervalo. Mourinho ainda perdeu Fellaini, lesionado, dando lugar a Ander Herrera apenas sete minutos após entrar. Diante do cenário, a vantagem de dois gols ficou barata aos londrinos. O time martelou em busca do terceiro tento, mas pecou pela falta de pontaria e, quando acertou o pé, De Gea salvou. Independentemente disso, o serviço já estava feito. Grande resultado dos anfitriões.

Embora tenha marcado os seus dois gols a partir de falhas, o Tottenham merece os aplausos pela maneira como se portou contra o Manchester United. Apesar de um perigo ou outro, deu poucos espaços aos visitantes, mesmo quando atuaram de maneira mais intensa no primeiro tempo. O próprio Alexis Sánchez não conseguiu criar e, quando necessário, Lloris apareceu. Foram 22 finalizações a seis para os Spurs. Além disso, o funcionamento coletivo do time de Mauricio Pochettino foi outro ponto alto, encadeando muito bem as jogadas.

Os três pontos enfatizam a candidatura do Tottenham ao Top Four da tabela, atualmente na quinta colocação. Os Spurs acumulam oito rodadas de invencibilidade. Chegam aos 48 pontos, já seis de vantagem sobre o rival Arsenal, e a dois de alcançar Liverpool e Chelsea logo à frente. Já o Manchester United ainda mantém uma certa distância, com 53 pontos, mas permitindo que o Manchester City abra 15 na liderança. A briga que realmente terá emoção não será a do título, mas sim a busca pelas vagas na Champions, isso é certo faz um tempo. E, diante do que ocorreu em Wembley, os londrinos saem de campo como verdadeiros vencedores.