“Claro que estamos decepcionados, mas isso faz parte do crescimento”. Essas foram as palavras mais importantes de Mauricio Pochettino, após a derrota para a Juventus, em Wembley, por 2 a 1, nesta quarta-feira. O time inglês dominou um dos maiores clubes do mundo, finalista da Champions League duas vezes em anos recentes, mas foi eliminado nas oitavas de final porque concedeu (poucas) oportunidades a uma adversária sempre preparada para aproveitá-las.

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É um fim cruel para uma grande campanha do Tottenham. Não dá para evitar a tristeza e a decepção neste momento, mas o balanço desta participação na Champions League é muito positivo. Os Spurs caíram em um grupo difícil, ao lado do Real Madrid, atual bicampeão da Europa, e do Borussia Dortmund, finalista de 2013 e muito mais acostumado a disputar a competição. E ganharam cinco dos seis jogos, um deles contra o Madrid, em casa. No Bernabéu, voltaram com o empate.

Depois de fazer um grande trabalho para conseguir a primeira colocação da sua chave, o Tottenham deu azar nas bolinhas que o colocaram no caminho da mais difícil segunda colocada possível, ao lado do Bayern de Munique. E, mesmo assim, foi superior durante a maioria esmagadora dos dois jogos contra a Juventus. Teve capacidade de empatar, em Turim, depois de sofrer dois gols nos primeiros minutos, o que poucos times conseguem. E saiu na frente em Wembley. Em uma avaliação geral do confronto, jogou mais bola que a Velha Senhora.

Mas, então, por que perdeu? Porque do outro lado também estava um time muito bom, com jogadores de qualidade excepcional, e, também, mais acostumado a disputar estas grandes partidas. Em Wembley, a Juventus sofreu demais no primeiro tempo, mas conseguiu ir para os vestiários perdendo por apenas 1 a 0. No segundo, depois de alterações táticas importantes de Allegri, esperou uma leve queda de concentração do Tottenham para dar o bote e marcar os dois gols que a classificaram.

A questão mental foi um fator muito importante na partida. “Sabíamos que os Spurs eram fracos na defesa e frágeis mentalmente, a experiência pesou”, analisou Chiellini. “É a história do Tottenham. Eles sempre criam muitas chances para marcar, mas, no fim, sempre falta alguma coisa para eles irem até o fim. Nós acreditamos na história. Vimos no jogo entre Paris Saint-Germain e Real Madrid que a história é importante, que a experiência é importante, e usamos nossa habilidade para vencer”.

Força mental e experiência. Não há escapatória: esses dois aspectos importantíssimos para um time de futebol são desenvolvidos apenas com o tempo, com desafios duros, grandes quedas e superações. E o Tottenham ainda é uma equipe muito jovem. Seus principais jogadores têm entre 21 (Dele Alli) e 26 anos (Eriksen), com poucas partidas de Champions League no currículo porque também se trata de um clube que a disputa muito pouco.

A última partida de mata-mata de Champions do Tottenham, antes deste confronto contra a Juventus, havia sido em 2011. Aquela participação foi a primeira dos Spurs na principal competição continental desde 1961/62. E já dá para identificar uma evolução. Esta é a segunda Champions seguida do clube do norte de Londres. Na anterior, a eliminação veio na fase de grupos, em uma chave acessível (Monaco, Bayer Leverkusen e CSKA Moscow). Desta vez, contra adversários muito mais difíceis, o time foi mais longe.

“Criamos muitas chances. Está claro que merecemos mais. O futebol não é sobre merecimento, você tem que fazer gols e não conceder. A Juventus chegou ao nosso gol duas ou três vezes, não muitas, mas ela tem qualidade, então, se você cometer um erro, ela vai marcar. Jogamos contra um grande time. Para nós foi muito duro. Foi positivo para o futuro. Precisamos deste tipo de jogo e de experiência para desenvolver jogadores que consigam competir neste nível”, disse Pochettino.

Dando exemplos práticos. Talvez no próximo jogo deste tamanho do Tottenham, Kieran Trippier, caso tenha vontade e potencial para melhorar, prefira pressionar Dybala em vez de diminuir o passo e pedir impedimento. Talvez Heung-min Son se concentrasse um pouquinho mais nas finalizações do primeiro tempo para ampliar a vantagem inglesa. São detalhes que fazem toda a diferença em partidas deste tipo, e eles são internalizados e lapidados apenas com a experiência e com a prática.

A avaliação de Pochettino foi precisa – como também foi a de Chiellini, embora bem mais dura. Isso é um passo importante. O primeiro passo para curar a doença é fazer o diagnóstico correto. O segundo é ter a oportunidade de se curar e, para isso, o Tottenham precisa adquirir mais experiência de Champions League para, na próxima vez, não cometer os mesmos erros. Tem que jogar a competição com frequência, constantemente. Disputou as últimas duas e está bem colocado para disputar a próxima. Este é o caminho.