A aura de Francesco Totti permanece em Roma. Que o camisa 10 não apareça mais em campo com a camisa giallorossa, sua história é indelével, e ainda cultuada nos quatro cantos da capital italiana. Nesta semana, o Capitano relembrou um pouco desta relação. Em entrevista à Sky Italia, ele reafirmou os motivos que o fizeram permanecer na Cidade Eterna, mesmo com  propostas para se juntar ao Real Madrid dos Galácticos. Se há uma ponta de dúvida ao camisa 10, esta surge apenas ao pensar na Bola de Ouro. Sua melhor colocação foi em 2001, quando faturou a Serie A e terminou como o quinto mais votado na eleição. Ficou atrás de Michel Owen, Raúl, Oliver Kahn e David Beckham.

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“A oferta mais concreta que eu tive para deixar a Roma foi do Real Madrid, em 2003/04. Eu tomei uma decisão muito certa: deixei de lado a possibilidade de fazer um grande acordo para permanecer usando apenas uma camisa em toda a minha vida, o que para mim era o mais importante. No fim do dia, eu tinha tudo o que eu queria. O amor e a paixão eram mais importantes para mim que ganhar troféus em qualquer lugar. Eu dei 101% para a Roma, porque eu coloquei a Roma acima de mim, de minhas questões pessoais e da vida privada. A Roma era tudo”, declarou Totti.

“A única coisa que realmente perdi a oportunidade foi a Bola de Ouro. Jogando na Roma, eu sabia que teria menos chance que os outros no Real Madrid, na Juventus ou no Milan. Eles tinham mais visibilidade internacional, especialmente porque você leva a Bola de Ouro a partir de títulos importantes. Eu ainda ganhei o Scudetto, a Coppa Italia e a Supercopa com a Roma, mas isso não me deixou em condições de competir com os outros”, complementou.

Outro tema abordado pelo veterano foi a sua aposentadoria. E, mais uma vez, Totti não escondeu sua insatisfação com Luciano Spalletti. O camisa 10 viveu às turras com o treinador em seus últimos meses como profissional, sem ganhar o espaço merecido, mesmo rendendo bem. Além disso, o comandante deu seguidas entrevistas deixando claro que não iria se curvar à lenda. Ao final, pelo menos, a intransigência não estragou a grandeza da última partida do eterno romanista.

“Nunca esclareci as coisas com Spalletti e isso nunca acontecerá. Eu preferia encerrar minha carreira de uma maneira diferente. Se eu fosse ele, teria lidado com o jogador e, acima de tudo, com a pessoa de uma maneira diferente. Eu teria conversado com ele e confrontado nossas ideias. De qualquer maneira, pude me tornar diretor da Roma e fiz essa transição com o espírito certo: com harmonia, inteligência e maturidade. Cresci nesse campo e vou morrer aqui também”, avaliou.

Por fim, Totti apontou que deve mesmo ter sido um dos ‘últimos românticos’ do futebol, sem acreditar que novos exemplares de atletas que defendam apenas uma camisa surjam nos próximos tempos: “Não acho que haverá outro Totti, que possa ficar tanto tempo na Roma. Futebol é mais um negócio agora e é duro para os jovens permanecerem apenas em um clube, como eu ou De Rossi. É impossível ver isso de novo. Além disso, antes existia mais foco nas promessas italianas, em vez de buscar o próximo talento brasileiro ou argentino”.