Touré bateu em Henry, Wenger e Bergkamp no seu primeiro teste (Foto: AP)

Touré bateu em Henry, Bergkamp, até em Wenger, e mesmo assim foi contratado

O candidato a emprego veste a melhor roupa, corta a unha, passa um perfume, tenta sorrir bastante e manera nas piadas. Faz de tudo para agradar quem tem o poder de contratá-lo. É natural ficar nervoso em situações como essas e cometer algum erro, mas Kolo Touré não precisava ter exagerado. Em seu primeiro teste pelo Arsenal, em 2002, bateu em Thierry Henry, Dennis Bergkamp e torceu o tornozelo de Arsène Wenger.

Pensando bem, dificilmente o teste dele poderia ter sido pior. Ele deu entradas muito duras nos dois melhores jogadores do time e machucou o futuro chefe. Mesmo assim, Wenger gostou da energia e da vontade do rapaz marfinense e o contratou do Mimosas no dia seguinte, segundo o ex-jogador Ray Parlour, em entrevista ao programa Talk Sport. O resto é história.

O inglês de Parlour não chega a ser incompreensível, mas requer um bocado de atenção e experiência com a língua. Por isso, traduzimos o relato dele (a versão original você encontra abaixo):

“Eles rolaram a bola para Henry. Kolo Touré surgiu do nada e bateu nele, por trás. Uma entrada com os dois pés. Terrível. Falando sério, poderia ser um cartão vermelho em um jogo normal. Nosso melhor jogador estava rolando no chão. Arsène Wenger gritou: ‘Kolo, o que você está fazendo? Não dê essas entradas, não dê essas entradas’. No minuto seguinte, a bola foi para Dennis Bergkamp. Kolo Touré, exatamente da mesma forma, com os dois pés, em Dennis Bergkamp. Nós estávamos pensando que isso era inacreditável. Pensamos que ele estivesse trabalhando para outro clube. Na próxima bola, ele fez um grande desarme. Arsène Wenger costumava ficar parado no meio-campo, entre os meias e os atacantes, para ver a movimentação. A bola subiu no ar e onde parou? Aos pés de Arsène Wenger. E ele deu uma entrada com os dois pés em Arsène Wenger!

Os rapazes estavam pensando que isso era inacreditável. O novato bateu em Henry, Bergkamp e Wenger no teste dele. Em seguida, Wenger saiu mancando para a sala médica e Kolo Touré estava quase chorando. Não conseguia acreditar. Era o grande dia dele no Arsenal e ele machucou os dois melhores jogadores e o técnico. Naquela tarde, Arsène Wenger estava sentado com uma bolsa enorme de gelo no tornozelo e eu me senti mal por Touré e disse: ‘Chefe, eu não acho que ele quis te chutar daquele jeito’. Ele respondeu: ‘olha para o meu tornozelo!’. Falei: ‘Não foi de propósito chefe’. Ele disse: ‘Eu sei que não teve maldade. Eu gosto da vontade dele. Vamos contratá-lo amanhã’. E foi assim que ele foi contratado”.