Um relatório sobre o trabalho nas obras da Copa do Mundo de 2022 mostrou diversas irregularidades, inclusive excesso de horas trabalhadas e trabalhadores que passam meses sem qualquer folga. Os dados foram mostrados pela Impact Limited, empresa que faz uma auditoria externa do Mundial do Catar. Embora o tom no comunicado de imprensa seja positivo, os dados estão longe de ser.

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Um dos pontos destacados pelo relatório é que o Catar fez uma reforma trabalhista depois de muita pressão externa pelas condições ruins do país. Só que a maior parte das reformas ainda não foram feitas e muito menos colocadas em prática e as condições de trabalho seguem sendo muito ruins.

O relatório não foca no número de mortes de trabalhadores – que não foi divulgado em 2017 -, mas sim no estado econômico e social dos trabalhadores, com violações dos limites de horas e trabalho e folgas. O documento mostra que alguns trabalhadores podem trabalhar até 14 horas por dia (quatro horas a mais do que o limite estabelecido na lei catariana), além de 402 horas por mês (o que significa 90 horas além do limite).

E as coisas pioram mais: oito das 19 empresas avaliadas têm trabalhadores que trabalham muitos dias consecutivos sem folga (o que significa sete dias seguidos). No pior cenário, uma das empresas tinha três trabalhadores que trabalharam 124 e 148 dias consecutivos sem descanso de um dia sequer, o que significa quase cinco meses trabalhando sem pausa.

Além da falta de descanso, é preciso lembrar que o Catar oferece condições bastante ruins para os trabalhadores, como temperaturas próximas a 50 graus. Imagine, então, trabalhar quase cinco meses consecutivos sem folga em condições assim. Não é de se surpreender se trabalhadores morrerem nessas condições – um número que a organização da Copa, de forma evidentemente suspeita, omite.

Histórico de abuso de trabalhaodres

Este é só mais um relatório que depõe contra o Catar. Em 2016, relatório encomendado pela própria Fifa dizia que países que violam direitos humanos não deveriam receber a Copa. Pouco antes disso, a Anistia Internacional já tinha denunciado trabalho forçado nas obras da Copa 2022, algo que a própria entidade já tinha feito três anos antes, em 2013. Já vimos situações absurdas, como relatado em 2015 que trabalhadores foram obrigados a correr uma maratona para provar que não os tratam mal.

Em 2014, o Catar resolveu prender jornalistas que denunciavam trabalho escravo no país. O jornal britânico Guardian mostrou as condições de trabalhadores no Catar, tratados como escravos. Foi em setembro de 2013 que as denúncias ganharam muita força, em uma matéria especial do próprio Guardian.