A contratação de David Luiz já está acertada. O jogador deixará o Chelsea rumo ao Paris Saint-Germain por € 49,5 milhões, um valor recorde para um defensor. Uma grana alta demais para um time que foi punido pelo Fair Play Financeiro da Uefa, mas que tem uma razão de acontecer. Além de mostrar força no mercado, a contratação de um jogador da seleção brasileira como David Luiz dá manchetes e visibilidade, além de um ganho técnico também dentro de campo. E isso, para o PSG, é fundamental. Mas não é só o PSG que sai ganhando, é claro. O Chelsea ganha uma bela quantia de dinheiro por um jogador que já não tinha o mesmo espaço no elenco. E atende aos interesses de José Mourinho, que pretende ir ao mercado contratar e precisa de dinheiro para isso. Sem contar que é bom para o jogador também, que terá mais espaço no novo time e ainda terá a adaptação facilitada pelos companheiros brasileiros e de posição, inclusive.

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David Luiz fez 34 jogos na temporada, sendo cinco deles saindo do banco de reservas. No final da temporada, viu a zaga do time ser formada por Gary Cahill e John Terry, os dois zagueiros que mais atuaram na temporada (ambos jogaram 47 jogos). Fez uma boa temporada e foi considerado um dos melhores da liga inglesa. Em parte, é o que justifica Mourinho abrir mão de David Luiz.

O zagueiro foi, nesta temporada, utilizado muitas vezes no meio-campo. É um jogador com qualidade técnica para isso. Alguns críticos na Inglaterra dizem inclusive que é a posição que ele se sai melhor, porque um zagueiro não deveria sair jogando de forma tão arriscada como ele faz regularmente.

Com John Terry com contrato renovado e Gary Cahill em grande fase, não há sentido em manter um jogador como David Luiz, que custa caro e, claro, não quer ser reserva. Além disso, Mourinho demonstrou em alguns momentos da temporada não confiar plenamente no brasileiro como confia em Cahill, o que ficou mais claro quando, nos jogos importantes da reta final, o inglês foi sempre escolhido como titular ao lado de Terry.

David Luiz teve grandes momentos no Chelsea, como na campanha do título da Liga dos Campeões de 2012. Na final, com Terry suspenso, formou a dupla de zaga com Cahill e foi muito bem contra o Bayern de Munique. É um jogador que tem realmente muita técnica e é um dos melhores na sua posição, mas a sua saída de bola, ao mesmo tempo que pode ajudar muito o time a começar bem as jogadas, também é muito arriscada por vezes demais. E correr riscos na defesa não é algo que Mourinho aprecie muito.

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No Paris Saint-Germain, David Luiz criará um problema. O elenco tem outros três zagueiros brasileiros: Thiago Silva, titular absoluto e capitão do time, Alex, que foi titular ao lado de Thiago e fez excelente temporada, e Marquinhos, opção no banco de reservas, mas que custou muito caro ao clube da capital francesa. Era esperado que, pelo desempenho que teve na temporada, Marquinhos tomasse aos poucos o lugar de Alex, um veterano de 31 anos. Marquinhos tem 20, ainda é considerado uma jovem promessa. Só que com David Luiz, a perspectiva é que ele seja mais reserva ainda.

A especulação é que o jogador, ex-Corinthians e Roma, seja colocado no mercado. Um dos interessados seria o Barcelona, que já quis contratá-lo quando ele ainda estava na Itália. O clube catalão precisa de um defensor, ainda mais depois da aposentadoria de Carles Puyol. Marquinhos poderia preencher essa vaga e dar mais força à defesa de um time que joga, há dois anos, com um volante improvisado na posição, Javier Mascherano. Com David Luiz por lá, o PSG poderia estar mais disposto a liberar Marquinhos, até para fazer caixa, o que será importante para não continuar com saldo negativo e ficar sujeito a punições pelo Fair Play Financeiro.

Para o PSG, é uma contratação de peso, seja tecnicamente, em campo, seja fora dele, com marketing. David Luiz formará uma dupla com um jogador que já conhece da seleção. Aliás, o Brasil é um dos que ganha com isso: o entrosamento da dupla tende a aumentar demais com os dois jogando no mesmo clube. A seleção ganha com isso, já que os dois ainda têm pelo menos mais alguns anos pela frente com a camisa amarela.

Fora de campo, o Paris Saint-Germain volta a mostrar força, ganha um jogador carismático, que deve chamar a atenção. Para o grupo que comanda o time, essa visibilidade é fundamental para que o clube ganhe força não só internamente na França, mas também internacionalmente. O clube precisa aumentar o faturamento, novamente para evitar que o Fair Play Financeiro crie mais problemas, e esse tipo de contratação faz o time ganhar mais manchetes no mundo todo.

Isso sem falar, é claro, de ser uma forma de gastar o dinheiro que parece infinito de um grupo que controla um dos recursos naturais mais importantes do mundo, o petróleo. Mas isso é para outra conversa.

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