Há meses que a pergunta sobre quem poderia derrubar a invencibilidade do Manchester City pairava na Inglaterra. A resposta chegou neste domingo, em Anfield Road. Com uma atuação de alto nível e aproveitando os erros do adversário, o Liverpool venceu por 4 a 3 o líder da Premier League e quebrou a série invicta do time comandado por Pep Guardiola. Uma vitória categórica de um time que perdeu durante a semana um dos seus principais jogadores para o Barcelona.

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Foi um jogo equilibrado, mas que o Liverpool conseguiu decidir o jogo no momento que foi melhor. E quando o City titubeou, os Reds foram impiedosos. O cansaço também parece ter pesado para o Manchester City, que mentalmente sentiu o baque quando sofreu o segundo gol. Os muitos erros do Manchester City na saída de bola acabaram custando caro. É verdade também que os erros aconteceram porque o Liverpool forçou esses erros sufocando o City.

No primeiro jogo sem Philippe Coutinho, Jürgen Klopp escalou o time com Emre Can, Georgino Wijnaldum e Alex Oxlade-Chamberlain no meio-campo. No ataque, o trio já conhecido com Mohamed Salah, Roberto Firmino e Saio Mané. A má notícia foi que Virgil Van Dijk ficou fora, com o que Klopp definiu como uma pequena lesão.

Já Guardiola levou a campo uma formação com um 4-3-3, assim como o adversário. Ilkay Gündogan, Fernandinho e Kevin de Bruyne pelo meio, Leroy Sané, Raheem Sterling e Sergio Agüero no ataque.

Aos nove minutos de jogo, o Liverpool disputou a bola no campo de ataque, Oxlade-Chamberlain mostrou força física, ganhou a disputa e, de fora da área, chutou de fora da área, rasteiro, no canto direito do goleiro Ederson: 1 a 0.

Bem no jogo, o Liverpool trocava bons passes em velocidade, perdendo algumas chances ao errar o último passe, ou finalizar de forma precipitada. Antes do gol, Roberto Firmino já tinha dado um bom passe por cima para Mané, que dominou errado e o lance acabou se perdendo. O Manchester City, por sua vez, chegava mais pelo lado direito do campo, quase sempre com  passes rápidos e cruzamentos rasteiros.

Aos 40 minutos, o Manchester City conseguiu o empate. Walker inverteu o jogo da direita para a esquerda, no peito de Sané. O alemão driblou Gomez só no domínio, sendo que o jogador do Liverpool foi inocente. Depois, fintou Matip e chutou forte, no canto do goleiro Loris Karius, que aceitou. Falha individual de dois jogadores que comprometem o desempenho do time.

No segundo tempo, o Manchester City voltou melhor que no primeiro. Depois de alguns ataques muito rápidos pelo meio, o Manchester City conseguiu levar perigo de uma maneira diferente: em um escanteio. Nicolás Otamendi, de cabeça, colocou uma bola na trave. O Liverpool tentava ter mais a bola, enquanto o Manchester City usava velocidade para complicar a defesa do Liverpool.

Só que o Liverpool voltou a entrar no jogo, atuando com muita pressão no campo de ataque. E começou a criar chances. Aos 14 minutos, Firmino recebeu lançamento longo de Chamberlain, ganhou de Stones no corpo e, frente a frente com Ederson, deu um pelo toque por cobertura para marcar 2 a 1 para os mandantes.

Antes que o Manchester City pudesse se recuperar, o Manchester City errou na saída de bola, Mané recebeu a bola na entrada da área e chutou colocado, mas a bola tocou a trave e saiu. Nem deu tempo para lamentar, porque em seguida Otamendi errou a saída de bola, Salah tomou a bola e tocou para Mané, que recebeu e chutou no ângulo de Ederson, com força: 3 a 1, aos 17.

E o rolo compressor continuou. Wijnaldum deu uma cavadinha no meio-campo para Salah, que lançou para Firmino. Ederson se antecipou bem, tirando a bola. Só que tirou mal, porque a bola foi curta e caiu nos pés de Salah. O egípcio mostrou muita categoria e mandou por cobertura, marcando o quarto gol, aos 23 minutos. Em nove minutos, o Liverpool abriu 4 a 1 contra o líder invicto do campeonato. Impressionante.

O jogo parecia resolvido, mas o Manchester City ressuscitou no jogo aos 39 minutos. Em uma jogada pela direita, um dos pontos fracos do Liverpool, Gündogan tabelou com Agüero e tentou a finalização, foi travado, mas a bola sobrou para Bernardo Silva, que entrou um pouco antes no lugar de Sterling: 4 a 2.

O gol do Manchester City deu aquela gelada na espinha do torcedor do Liverpool, com as lembranças de empates que o time sofreu por bobeira. E o Manchester City acreditou. Aos 46 minutos, depois de uma confusão na área, Gündogan aproveitou, tocou para o fundo da rede, e deu um fio de esperança aos torcedores Citizens de uma recuperação fantástica.

O Liverpool passou por um sufoco tremendo nos minutos finais. Aos 48 minutos, o Manchester City teve uma falta do lado direito que ficou a cargo de De Bruyne. O belga colocou na área e Agüero deu um peixinho, mas a bola foi fora. O jogo acabou mesmo em 4 a 3, para comemoração intensa dos torcedores do Liverpool em Anfield. O estádio explodiu em comemorações e Guardiola foi imediatamente cumprimentar Klopp após a primeira derrota na liga ser sacramentada.

O Liverpool sabe que tem seus problemas, mas a vitória foi para lá de importante para o Liverpool. Mais do que os três pontos no campeonato, que segue nas mãos do Manchester City em um ritmo que ninguém parece capaz de acompanhar, vale para o Liverpool sentir a própria força, especialmente depois de perder um dos melhores do time. Há muitas disputadas em andamento, como a Champions League, e o time precisará dessa força toda nos duelos.

O Manchester City viveu um dos seus piores dias na liga, com muitos erros individuais. Ederson não foi tão bem, mas principalmente Fernandinho. O volante, um dos melhores do time de Guardiola na temporada, foi devorado pela marcação do Liverpool, sempre pressionado. O Liverpool deixou o jogador fora do jogo, assim como Gündogan.

Salah e Firmino mostraram seu talento pelo Liverpool e como podem ser perigosos. Mané, que vem fazendo uma temporada abaixo do que pode, conseguiu entrar no jogo no segundo tempo para ser decisivo, como se espera que ele seja – mais ainda agora, sem Coutinho. O jogo foi empolgante e, claro, muito mais feliz para os torcedores do Liverpool.