A troca entre Corinthians e São Paulo pelos atletas Alexandre Pato e Jádson é o grande assunto desta quinta-feira no futebol brasileiro. O acordo pegou muitos de surpresa, por se tratarem de duas equipes com rivalidade acirrada. Mas esse tipo de troca não é assim tão incomum. Decidimos, portanto, fazer uma retrospectiva de casos como esses, lembrando, claro, quais foram os lados que saíram com vantagem das negociações.

Da clássica troca entre Palmeiras e Corinthians que levou Neto ao Alvinegro, em que se tornaria ídolo, ao negócio entre Juventus e Internazionale que levou Fábio Cannavaro à Juve e Fabián Carini ao time de Milão, listamos algumas negociações do tipo. É curioso ver como a política de se dar mal em trocas está enraizada no clube nerazzurro. E quase que Erick Thohir, novo dono do time, protagonizou mais uma, ao quase ceder Fredy Guarín para contratar Mirko Vucinic. Certamente entraria na lista caso tivesse se concretizado. Como não é o caso, vamos relembrar outras um pouco mais antigas.

Neto e Denys (Palmeiras) por Ribamar e Dida (Corinthians)

Em 1989, Palmeiras e Corinthians protagonizaram uma troca polêmica. No Alviverde, Denys estava encostado e Neto em atrito com o técnico Emerson Leão. No Alvinegro, Ribamar não repetia o sucesso que teve no Sport, enquanto o lateral-esquerdo Dida mostrava bom futebol. O que passou pela cabeça dos dirigentes dos dois clubes então? Já que a soma dos passes das duplas eram equivalentes, por que não promover uma troca? Dos quatro, apenas Neto teve sucesso no novo clube, mas a negociação não foi tão absurda como alguns fazem parecer hoje. Em tese, o Palmeiras cedia um meia de qualidade e um lateral fraco e recebia em troca um meia sem destaque, mas um lateral bem melhor que o que tinha.

Cassano (Milan) por Pazzini (Internazionale)

Em 2012, o Milan queria se desfazer de Antonio Cassano por causa de seu comportamento. A Internazionale tinha em seu elenco Giampaolo Pazzini, atacante que não estava jogando tão bem e não era titular regularmente. Como Pazzini era dois anos mais novo que Cassano, o Milan acabou incluindo ainda um valor de € 7 milhões ao acordo, e a troca foi selada. Nenhum dos dois acabou se firmando como titular absoluto. Cassano hoje está no Parma, após ser envolvido na negociação da Inter por Ishak Belfodil; Pazzini continua no Milan, mas dificilmente aparece como titular.

Coco (Milan) por Seedorf (Internazionale)

De um lado, um bicampeão da Liga dos Campeões e um dos melhores jogadores da seleção holandesa. Do outro, um lateral italiano que, em sete anos de Milan, passou três temporadas emprestado a outras equipes. Seedorf, caro e estrelado, não tinha impressionado como esperado na Inter, e Coco era jogador regular na seleção italiana. A troca se provaria um grande equívoco nerazzurro. O holandês acabou passando dez anos no Milan, conquistando títulos, entre eles mais duas Champions; Coco, por outro lado, não obteve destaque e sofreu com lesões.

Carini (Juventus) por Cannavaro (Internazionale)

Em mais uma ocasião, a Internazionale ficou na ponta mais prejudicada de uma troca. Em 2004, Fábio Cannavaro deixou os nerazzurri rumo à Juve, e Fabián Carini, reserva nos bianconeri, foi para Milão. Na Velha Senhora, Cannavaro formou dupla de sucesso com Lilian Thuram e posteriormente, após a Copa do Mundo de 2006, foi eleito o melhor jogador do mundo. Carini, por outro lado, continuou sendo reserva na Inter. A verdade é que, à época, Carini era considerado um goleiro de grande futuro. Destaque nas categorias de base, tinha seu passe avaliado em € 10 milhões no ano da troca. Ainda assim, mais uma troca equivocada dos nerazzurri.

Rodrigo Souto (Santos) por Arouca (São Paulo)

No início de 2010, São Paulo e Santos promoveram uma troca entre Rodrigo Souto e Arouca. O primeiro tinha contrato por apenas mais um ano com o Peixe, que queria se desfazer dele porque seu salário superava o teto imposto pelo então novo presidente Laor. Arouca, por outro lado, havia chegado ao Tricolor no ano anterior, após o fim de seu vínculo com o Fluminense. Não tinha conseguido se firmar no time do Morumbi e foi envolvido na negociação por Souto. O resultado da negociação é que, no campo, a equipe da Vila Belmiro levou vantagem infinitamente maior. Arouca se destacou pelo Peixe, conquistando três Campeonatos Paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores e uma Recopa. Seu bom futebol o levou inclusive para a seleção, em que não conseguiu agradar e foi perdendo espaço. Já Rodrigo Souto não deu certo no São Paulo e já passou por quatro outros clubes desde então. Hoje está no Botafogo.

Jérôme Leroy (Paris Saint-Germain) por Kaba Diawara (Olympique de Marseille)

O meia-atacante Jérôme Leroy havia chegado ao Paris Saint-Germain em 1996 e lá ficou até 1999, quando foi envolvido em uma troca com o Olympique de Marseille pelo atacante Kaba Diawara. Mas Paris parecia ser mesmo a casa de Leroy. Após três temporadas em Marselha, retornou para o clube da capital, em que ficou por mais três temporadas, antes de rodar por times de menor expressão pela França. Hoje, aos 39 anos, ainda está em atividade, no Istres, da segunda divisão francesa. Já Diawara não se fixou em sua passagem de três temporadas pelo PSG. Foi emprestado quatro vezes pelos parisienses e deixou o clube em 2004 para jogar no Al-Gharafa.