O futebol é um mundo de gente que quer se mostrar de poderosa, de firme em suas convicções. O sujeito pode ter feito a maior bobagem do mundo, mas fala “não me arrependo de nada” quando encerra a carreira. Mas há momentos em que é preciso deixar o orgulho e as minúcias de lado e ser pragmático para resolver os problemas. E foi o que fizeram Corinthians e São Paulo nessa negociação que está adiantada para a troca de Jadson por Alexandre Pato.

É uma transação bastante complexa. Pelo que se publicou, Pato vai para o São Paulo por dois anos (ainda teria contrato com o Corinthians em 2016) e não poderia enfrentar o Corinthians, Jadson vai em definitivo ao Alvinegro (contrato até 2015) e não enfrentaria o Tricolor em 2014. O clube do Parque São Jorge ainda pagaria parte do salário de Pato nos primeiros meses e, se o atacante for vendido enquanto está no Morumbi, os são-paulinos têm direito a uma parcela.

Obs.: Para entender melhor, veja o blog de Luciano Borges, do Terra, e a reportagem de Guilherme Palenzuela e Gustavo Franceschini, do UOL.

Tudo isso precisou ser amarrado porque são jogadores de idade, tempo de contrato e salários muito diferentes, e essas cláusulas que ajudam a equilibrar a transação. E porque os dois clubes admitem que fizeram investimentos altos em jogadores que não renderam o esperado, e é melhor admitir que jogou dinheiro fora e fazer um negócio que parece interessante do que dar soco em ponta de faca e insistir no erro.

Veja onde cada um ganha e perde:

SÃO PAULO

Ganha

Passa a ter um atacante com poder de marketing interessante e que talvez não tenha tantos problemas na cultura de jogo no Morumbi. Seu estilo “garoto classe média” é aceito com mais naturalidade no Tricolor que no Alvinegro e isso pode fazer muita diferença para dar tranquilidade para o atacante mostrar seu jogo. E, se ele fizer isso, pode ser um dos principais atacantes em atividade no brasil. Por fim, pode resolver a falta de um artilheiro no São Paulo, já que Luís Fabiano não inspiram mais a confiança de antes e Ademílson, Pabón e Osvaldo trabalham melhor como segundos atacantes.

Perde

Alexandre Pato não é um atacante de força como Muricy costuma preferir. Ele também não marca saída de bola (um de seus grandes problemas no Corinthians) e muitas vezes fica alheio ao jogo, sobretudo nos momentos importantes (ponto em que a torcida são-paulina mais ataca Luís Fabiano). Além disso, o São Paulo praticamente não o utilizaria neste primeiro semestre, pois o atacante não pode jogar o Campeonato Paulista por outro clube.

CORINTHIANS

Ganha

O grande enfoque do lado corintiano da troca é se livrar de um jogador caro e que caiu em desgraça com a torcida, mas ainda podendo lucrar com sua venda se ele reencontrar seu futebol no Morumbi. É verdade, mas o grande ganho do Alvinegro é receber um meia rápido e criativo, grande problema do time neste momento. Douglas está de saída (e já não vinha bem) e Danilo vive uma fase muito ruim. Essa falta de criação no meio-campo tem sido um fator importante para a baixa produção ofensiva da equipe. Outra vantagem: pelo custo, pelo salário, pela atenção da mídia e pela falta de futebol, Pato era um potencial foco de tensão no vestiário corintiano, e sua saída pode ajudar a deixar o ambiente mais leve.

Perde

Jadson é um jogador taticamente interessante, mas se apresentou acima do peso nesta temporada e não está tão motivado. A torcida são-paulina reclamava muito da falta de vibração do jogador, um dos grandes motivos de protestos dos corintianos com Pato.

BALANÇO

A troca é boa para os dois lados. Talvez o Corinthians leve uma pequena vantagem por precisar mais de um meia de armação do que o São Paulo precisa de um atacante e por poder usar seu novo jogador imediatamente. E quem perde? Bem, a Nike não deve estar feliz quando lembra que, há apenas três dias, havia lançado a nova camisa 3 do Corinthians com essa foto:

Alexandre Pato no lançamento da camisa 3 do Corinthians em 2014 (Divulgação)

Alexandre Pato no lançamento da camisa 3 do Corinthians em 2014 (Divulgação)