O Aldosivi se tornou o primeiro clube a conquistar o acesso no Campeonato Argentino durante a atual temporada. Campeão da Primera B Nacional, o time de Mar del Plata foi o único a ser promovido diretamente, retornando à elite um ano depois da queda. Já as oito equipes logo abaixo na tabela disputaram os temidos playoffs, em que apenas o vencedor conquistaria a vaga. Melhor para o San Martín de Tucumán, histórico representante do interior que foi participante costumeiro do Campeonato Argentino entre 1968 e 1985. Durante as últimas três décadas, suas aparições no primeiro nível foram bem mais raras, apenas três. E depois de nove anos, estará de volta não apenas para encarar os grandes, mas também para refazer o clássico tucumano na elite.

Terceiro colocado na classificação geral, o San Martín pegou embalo a partir da segunda metade da competição, quando se firmou na zona de classificação aos playoffs. Eliminou o pequenino Villa Dálmine nas quartas de final, graças a um gol aos 48 do segundo tempo, e depois passou por cima do ascendente Agropecuario, anotando 3 a 0 em Tucumán. Já na decisão, o desafio seria o Sarmiento. Apesar da derrota por 1 a 0 em Junín, os alvirrubros conseguiram se recuperar diante de sua torcida, no Estádio La Ciudadela. E de que forma: golearam por 5 a 1, mais do que suficiente para desatar a comemoração pelo acesso. Ao final, uma bela cena, com os torcedores tucumanos recebendo os cumprimentos dos torcedores adversários no alambrado.

Treinado por Rubén Forestello, apontado como um dos principais responsáveis pelas mudanças que atravessou o time durante a campanha, o San Martín possui as suas figurinhas carimbadas. O zagueiro Ismael Benegas fez parte de equipes notáveis do Libertad. Sergio González, por sua vez, foi atacante do Lanús que faturou a liga em 2016. Mas nenhum deles com o currículo de Claudio Bieler. O atacante de 34 anos viveu seu auge na LDU Quito, campeão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana como um dos destaques do time. Passaria depois por Racing, Newell’s, Sporting Kansas City, Quilmes e Belgrano, até chegar a San Miguel de Tucumán. Mais do que um medalhão, foi protagonista do San Martín, artilheiro dos alvirrubros com 16 gols. Balançou as redes duas vezes contra o Sarmiento, inclusive selando a goleada.

A partir de 1967, com a criação do Torneio Nacional na Argentina, indo além das limitações geográficas que perduraram por décadas, o San Martín ganhou projeção. Participou de quase todas as edições da liga, até a mudança do formato em 1985, ante o nascimento da segunda divisão. Depois disso, as aparições dos tucumanos na elite se tornaram mais esporádicas. Figuraram na primeira em 1988/89 e 1992/93, antes de viverem um momento difícil na virada do século. Entre 2001 e 2003, os alvirrubros sofreram três rebaixamentos, indo da segunda à quinta divisão, regionalizada. Compensaram com uma ascensão meteórica, com quatro acessos em cinco temporadas consecutivas, ressurgindo na primeira em 2008/09. Foi apenas uma breve estadia, caindo também na segundona e passando boa parte do início da década na terceira divisão. Em 2016, sob as ordens de Diego Cagna, voltaram à segunda. Agora, vão participar da primeira pela 21ª vez.

E o mais bacana é ver o momento do futebol tucumano, local de enorme paixão no interior do país. O Atlético Tucumán desfruta o melhor período de sua história. A quem estava na segundona há três anos, chegar às oitavas de final da Copa Libertadores já é um feito e tanto. Será um exemplo aos vizinhos, independentemente da rivalidade efervescente na região dominada pelas duas torcidas. Será, aliás, a primeira vez que o clássico acontece na primeira divisão desde 1981, na época do Nacional. Até 2001, os encontros ainda eram frequentes na segundona. Desde então, foram apenas mais cinco jogos oficiais: dois pela terceirona em 2005/06; dois pela segundona em 2010/11; e um pela Copa Argentina em 2013. Cinco anos depois, há um vulcão adormecido pronto para entrar em erupção. Nas redes sociais, inclusive, o Atlético parabenizou os alvirrubros e enfatizou: “Rivais sim, inimigos não”.

Enquanto a torcida do Atlético Tucumán aguarda ansiosa o sorteio das oitavas de final da Copa Libertadores, precisou lidar com o barulho dos vizinhos. O San Martín realizou uma bonita festa desde a conquista do acesso em La Ciudadela, que varou a madrugada na Praça Independência, ponto central de San Miguel de Tucumán. Como outros interioranos, os tucumanos poderão exibir o seu orgulho no mais alto nível do futebol argentino. Será ótimo para todos, especialmente para valorizar a intensidade com que se vive o futebol na região. Nada melhor do que ver os dois principais representantes locais exibindo sua força.