Maior contratação da história do Arsenal. O cara capaz de tornar a equipe de Arsène Wenger vitoriosa. Mesut Özil chegou ao Arsenal alimentando muitas esperanças. Afinal, fora trazido por € 50 milhões, valor até compreensível pelo talento do meia, um dos melhores camisas 10 da atualidade. E o casamento começou muito bem, especialmente pela fase esplendorosa dos Gunners na Premier League. No entanto, bastou uma queda de rendimento para a situação virar. E, depois de cinco meses, Özil já é chamado de fracasso. É para tanto?

A perda de importância do alemão no time, de fato, é notável nos últimos jogos. Özil estreou logo com assistência, ajudando na vitória por 3 a 1 sobre o Sunderland. Em seus primeiros 22 jogos, o camisa 11 foi um dos jogadores mais produtivos da equipe: nove assistências e cinco gols marcados. Nesta sequência, grandes atuações contra Napoli, Liverpool, Olympique de Marseille. Até a derrota por 6 a 3 para o Manchester City, em uma espécie de divisor de águas para o meia.

Desde então, Özil tem acumulado atuações decepcionantes. São dez jogos com apenas duas assistências, pouco contribuindo para que o Arsenal tente se manter no topo da Premier League. A pior exibição do camisa 11 ficou guardada para o último sábado, em uma noite desastrosa para todos os Gunners. Além de ser pouquíssimo efetivo na frente, Özil ainda deu uma forcinha para a goleada por 5 a 1 do Liverpool em Anfield. O alemão perdeu duas bolas que terminaram em contra-ataques e gols dos Reds.

O mau momento individual se soma à responsabilidade grande do Arsenal em fevereiro. O clube tem uma sequência ingrata de jogos nas próximas semanas. Nesta quarta-feira, recebe o Manchester United no Estádio Emirates, pela Premier League, antes de encarar uma sequência com Liverpool (Copa da Inglaterra) e Bayern de Munique (Liga dos Campeões). A hora de Özil, um jogador taxado de sumir nos momentos decisivos, ser ainda mais cobrado.

Logicamente, o problema do meia também é resultado de alguns problemas coletivos do Arsenal. A equipe perdeu bastante com as lesões de Aaron Ramsey e Theo Walcott, um volante que aumentava a dinâmica ofensiva e um ponta com aptidão para avançar em diagonal. E uma das dificuldades dos Gunners, assim como de Özil, tem sido ocasionada por isso: a falta de mobilidade do ataque para abrir espaços nas defesas adversárias. Como bem define Michael Cox, em texto do ESPN FC, Özil é um jogador que rende melhor com velocidade, jogando com o campo aberto. Ditando o ritmo, puxando marcação, o alemão não costuma ser tão produtivo. Algo notável pelos números recentes.

Wenger é o exemplo de Falcão: vive jejum de títulos, mas gera receita ao clube (Foto: AP)

A exigência física do meio de temporada na Inglaterra também é outro fator que pesa contra Özil. Não parece mera coincidência que seus números tenham caído justamente a partir de dezembro, quanto a quantidade de partidas aumenta consideravelmente, com compromissos a cada três dias. E o desgaste pesa bastante em um elenco como o Arsenal, que não consegue ter reposições à altura de seu primeiro time.

A fase do alemão é ruim, isso não dá para negar. Mas não dá para cravá-lo como um ‘flop’, como faz parte da imprensa inglesa – que, todos sabem, gosta de um exagero. Özil precisa brilhar, mas também precisa da ajuda de uma equipe que tem deixado a desejar nos seus últimos jogos, especialmente pela maneira estática como tem jogado no ataque. Se Olivier Giroud, Lukas Podolski e os outros atacantes do Arsenal não têm transição no ataque, fica difícil para o armador ver os espaços para dar as assistências.

O jogo contra o Manchester United é importante pelo contexto. A recuperação após a goleada, o clássico contra um de seus maiores rivais, a manutenção da liderança. O tal do poder decisivo que Özil costuma ficar devendo, contra um time que o cortejou durante um bom tempo no mercado de transferências. Chamar a responsabilidade será vital ao alemão, sobretudo no momento em que está sendo questionado. Ainda assim, não será uma derrota que cravará o fracasso do camisa 11 no Emirates. Se o maestro precisa dar espetáculo, também precisa que seus músicos estejam afinados.