O novo contrato de TV da Champions League fará a Uefa aumentar ainda mais a premiação da competição de clubes com mais prestígio no mundo. Segundo a Uefa, um total de € 2,04 bilhões serão distribuídos aos clubes na temporada 2018/19. Todos os clubes irão receber mais, porém alguns receberão consideravelmente mais que outros. A nova divisão da entidade levanta questões sobre o efeito bola de neve, aumentando ainda mais a distância dos clubes mais ricos da Europa para os demais.

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O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, foi eleito pouco depois do novo sistema de divisão de premiação ter sido aprovado, em 2016. Segundo ele, a falta de equilíbrio competitivo é o maior problema que o futebol europeu enfrenta no momento, mas admite também que isso não pode ser mudado de um dia para outro. Vale lembrar que a mudança também incluiu os países das quatro primeiras posições do ranking com 16 das 32 vagas na fase de grupos. Atualmente, os primeiros colocados no ranking são Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha. E aí já começa o desequilíbrio.

Todos os participantes da fase de grupos da próxima temporada receberão uma quantia igual, de € 15,65 milhões. Haverá também bônus por vitórias, de € 2,7 milhões, ou € 900 mil euros para cada time em caso de empate. Há também pagamentos adicionais calculados em resultados anteriores (usando o ranking de coeficientes). Por fim, a última fatia do bolo é do mercado de TV do país do clube. Entre todas essas fatias, a mais polêmica é a de resultados anteriores, que seria uma fatia por desempenho recente. Será usado um ranking das últimas 10 temporadas, o que, segundo os críticos, irá beneficiar os maiores clubes.

Segundo a Uefa, a fatia de desempenho por resultados anteriores será de € 585,05 milhões, em cotas de € 1,108 milhões cada. Dos 32 times da fase de grupos, o time pior ranqueado receberá uma cota, com uma cota adicional a cada posição acima no ranking. O que significa que o time mais bem ranqueado da fase de grupos receberá 32 cotas e, portanto, € 35,46 milhões.

O Real Madrid, atual tricampeão, é o primeiro colocado do ranking, seguido, na ordem, por Barcelona, Bayern de Munique, Atlético de Madrid, Manchester United, Chelsea, Juventus, Porto, Arsenal e Benfica. Com isso, o Real Madrid, primeiro do ranking, receberá um valor de € 51,11 milhões antes mesmo de entrar em campo na Champions League da temporada 2018/19.

A cota de mercado de TV é de € 292 milhões, mas depende do valor do contrato de cada país. Quanto maior o contrato, maior a fatia distribuída entre os times daquele país. Há também a premiação por avançar de fase. Quem se classificar às oitavas de final da Champions League receberá € 9,5 milhões. Quem chegar à final, recebe € 15 milhões. Em contraste a isso, um clube eliminado na terceira fase de classificação recebe € 480 mil até € 1,37 milhão, dependendo de quantas fases anteriores disputou.

Na Liga Europa, a premiação aumentou ainda mais. O total de premiação será de € 560 milhões. Os times que chegarem à fase de grupos da competição receberão uma cota mínima de € 2,92 milhões. Segundo a própria Uefa, a estimativa de faturamento comercial bruto na próxima temporada, contando Champions League, Liga Europa e Supercopa da Uefa é de € 3,5 bilhões.

Mais dinheiro, mais desequilíbrio? Essa é uma questão que a Uefa deve se perguntar como resolver, porque os contratos estão assinados até 2021 e o desequilíbrio na Champions League é latente e inegável.