Todos sabem o que esperar de Fernando Llorente como atacante. Não vai ser um artilheiro implacável e não vai resolver as partidas sozinho, embora tenha vivido grande fase com o Athletic Bilbao. É um centroavante com presença de área e bom porte físico, que sabe balançar as redes. Que não trabalha apenas para si, abrindo espaços para os companheiros. Que tem experiência para assumir responsabilidades em momentos de maior pressão, assim como já passou por três das maiores ligas nacionais do mundo e soma algumas dezenas de partidas pelas competições continentais. E é nesse perfil que o Tottenham aposta, ao bancar o espanhol de 32 anos. Deseja um jogador pontual, que atenda as incumbências quando exigido. Por isso mesmo, sua contratação tende a ser bastante útil à rotação de Mauricio Pochettino.

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Em um mercado frenético, Llorente saiu por um preço razoável, considerando sua idade. Os Spurs investem €13 milhões em sua compra junto ao Swansea. A disputa com o Chelsea pela transferência do veterano certamente deixou os galeses mais confortáveis para aumentar as exigências. De qualquer forma, o centroavante parece ter seguido à melhor opção ao acertar com Daniel Levy. Deve a somar mais minutos em campo, em um elenco não tão recheado, e que certamente precisará de variações enfrentando duas frentes tão pesadas quanto a Premier League e a Liga dos Campeões.

Além do mais, a chegada de Llorente ressalta o erro de avaliação do Tottenham com Vincent Janssen. O jovem de 23 anos veio valorizado, após se destacar com o AZ, mas não se encaixou em sua temporada em White Hart Lane. A inconsistência nas chances que ganhou e principalmente as dificuldades em suprir a ausência de Harry Kane pesaram contra. Os Spurs precisam não de um novo centroavante para se desenvolver, mas sim de um homem de área capaz de sanar as eventuais necessidades. É o que ganham com Llorente. Não à toa, o Brighton tentou levar o holandês, apesar de sua recusa.

Olhando para os últimos anos, Llorente nem sempre conseguiu ser tão constante. Ídolo absoluto do Athletic Bilbao, entrou em litígio com o clube após viver sua melhor temporada, vice-campeão da Liga Europa. Sem desejar renovar seu contrato, passou à reserva de Marcelo Bielsa e saiu em baixa (mas de graça) rumo à Juventus. Em Turim, enfatizou exatamente o que o Tottenham espera. Não foi o cara que arrebentou de fazer gols, e os bianconeri que esperavam isso quebraram a cara, mas ajudou o time em momentos preciosos, com dois títulos da Serie A e um vice-campeonato da Champions. Seguiu para o Sevilla, mas o retorno à Espanha marcou o pior ano da carreira. Então, na temporada passada, ressurgiu no Swansea.

Em sua temporada no Estádio Liberty, Llorente pareceu feito à Premier League. Como já dito acima, não foi o artilheiro absoluto, mas se destacou bastante, com 15 gols em 33 partidas. Conseguiu se dar bem no estilo de jogo mais físico. Foi um dos melhores jogadores dos Swans, satisfeitos pela permanência na elite. E chamou a atenção de clubes com pretensões maiores. As intenções de Chelsea e Tottenham ressaltam bem a competência do espanhol durante sua estadia em Gales. Para o seu lugar, Wilfried Bony volta ao Swansea.

Harry Kane segue como o dono do ataque dos Spurs e entre os melhores centroavantes da Premier League. Mas, com o negócio, Mauricio Pochettino se torna um pouco menos dependente de seu astro. A princípio, Llorente surge como uma sombra digna para substituir o ídolo quando for preciso, da mesma forma que pode complementá-lo na linha de frente em momentos nos quais esta estratégia se fizer útil e também pode oferecer variações no próprio padrão da equipe. O espanhol será, sobretudo, uma carta na manga dos londrinos. O mercado poderia até ser mais movimentado para o clube, mas a diretoria teve precisão nas apostas que fez. É ver se elas realmente se pagarão dentro de campo, como prometem.