Cria da base do Flamengo, um dos melhores goleiros revelados pelo clube. Júlio César possui o seu lugar na história rubro-negra, não só pelos títulos que conquistou na Gávea (em especial, o tri carioca e a Copa dos Campeões em 2001), como também por toda a sua dedicação. O garoto sempre visto como uma joia se firmou no time principal e, entre os bons e os maus momentos do clube, se transformou em um goleiro de primeira linha. Saiu em litígio, mas como jogador de seleção brasileira e pronto para se tornar um dos melhores do mundo  – como fez, de maneira tão brilhante, na época de Internazionale. Doze anos depois, ele está de volta à velha casa. Um último ato para se despedir da condecorada carreira, num gesto de gratidão mútua por aquilo que construiu.

Lendo apenas a manchete, a contratação de Júlio César parece apenas jogar para a torcida. Trazer um medalhão como ele, após um ano sofrível para a meta rubro-negra. Em certo sentido, pensando no cenário atual, o nome do veterano parece supérfluo – apesar de toda a draga com contusões experimentada pelo Fla. Diego Alves, recuperando-se de lesão, é o virtual titular. Alex Muralha saiu. E existem outras tantas opções secundárias entre os jovens, incluindo César, Thiago, Gabriel Batista ou Hugo Souza. O novo camisa 12, porém, é apenas uma adição temporária ao elenco.

Júlio César assina com o Fla por apenas três meses, o suficiente para Diego Alves retornar e o cenário do gol rubro-negro se definir melhor. O veterano também não trará grandes custos aos cofres rubro-negros, recebendo apenas um “salário simbólico”. Vem porque deseja o adeus em seu clube de coração, antes de pendurar as luvas. Neste primeiro momento, de qualquer forma, é alguém para transmitir confiança e também experiência à nova safra que se prepara.

“Volto feliz, com muita vontade de ser campeão e de encerrar a carreira de maneira brilhante. Se hoje sou quem eu sou, o Flamengo faz parte da minha formação como homem”, declarou Júlio César, em sua apresentação. “Pensei bastante após minha rescisão com o Benfica e ponderei muito sobre o que faria. Mas, devido toda a minha história no futebol e nesse clube, vi com muitos bons olhos a oportunidade. Parentes e amigos diziam que eu não poderia parar sem essa página da minha passagem pelo Flamengo”.

Segundo o próprio goleiro, não existe a possibilidade que seu contrato vá além dos três meses previstos inicialmente. A intenção é permanecer na Gávea até o final do Campeonato Carioca, para então encerrar a carreira. Deve ajudar em algumas partidas esporádicas, principalmente no estadual. Se o fim da passagem pelo Benfica não era favorável, com o veterano perdendo espaço na atual temporada, possíveis questões técnicas não devem ser tão postas à prova, em competições de menor exigência.

Durante a entrevista, Júlio César ainda dissipou desconfianças ligadas ao seu nome. Garantiu que nunca houve contato anterior com o clube sobre o seu retorno, afastando assim os antigos rumores quanto à sua recusa ao Fla quando começou a perder espaço no futebol europeu. De fato, o veterano poderia ser útil em momentos nos quais preferiu rodar por times sem tanta expressão, como Queen’s Park Rangers e Toronto FC, até ressurgir no Benfica. Todavia, optou por restringir o seu adeus aos próximos três meses.

Independentemente do que se passou, por tudo o que conquistou e viveu, Júlio César certamente não se acomodará neste retorno. Vai para tentar desfrutar os últimos brilhos, em um clube no qual faturou títulos marcantes, mas também foi herói quando o fantasma do rebaixamento rondava. Estará no ambiente que tanto conhece, ao lado do grande amigo Juan. E, como rubro-negro de coração, escreverá um ponto final na carreira em tintas vermelha e preta, conforme o seu sonho. Nada mais justo para quem, em seu auge, se colocou entre os melhores goleiros que o país já teve.